<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016</id><updated>2012-01-12T04:35:41.080-08:00</updated><category term='chico buarque leite derramado'/><title type='text'>Euleiopravoce</title><subtitle type='html'>Este é um blog de crítica literária. O objetivo é puramente entretenimento. Todas as críticas refletem apenas a opinião e o gosto pessoal da autora do blog. Não há, em momento algum, pretensão de julgar a obra exposta. Se qualquer autor(a) se sentir ofendido por essas palavras, pedimos desculpas por nosso erro, pois certamente não escrevemos com esse intuito.
PS - Eventualmente, você também poderá encontrar aqui resenhas de filmes</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>53</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-4454959208024081121</id><published>2012-01-10T14:11:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T14:16:58.767-08:00</updated><title type='text'>Tumulto em noites de blackout – José Nunes</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; A luta por uma herança deixada em diamantes é ponto central desse suspense. Após a morte de seu marido, Rovena, nome e jeito de vilã, decide vir da África do Sul para o Rio de Janeiro, pela primeira vez em vinte anos, com o objetivo de cumprir as últimas vontades do falecido, o que acaba tumultuando noites e dias de envolvidos e herdeiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; José Nunes é um escritor amador e isso salta aos olhos na sua obra de estréia. Amador no melhor e mais correto sentido da palavra. Aquele que escreve porque ama, fazendo disso não um ofício, mas a conseqüência natural de um sentimento explosivo, que inicialmente assusta para depois conquistar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digo isso porque as primeiras duas ou três páginas do livro provocam uma intensa curiosidade. Logo depois, quase todas as informações relevantes para a história são praticamente atiradas na cara do leitor, que tem duas opções: desistir ou tentar organizar as idéias para continuar a leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem gosta de um bom suspense certamente vai escolher a segunda opção. Não sei se essa confusão inicial é proposital, mas talvez ela seja fundamental para alertar o leitor que, se ele deseja prosseguir, deve abandonar suas preocupações e permitir que seu cérebro seja inteiramente ocupado pelas reviravoltas da trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reviravolta é que não falta. E elas se passam num cenário clássico de mistério. Uma mansão à beira de um penhasco, com um casal ambicioso, uma sobrinha destrambelhada, a viúva e sua não tão fiel criada, sem falar no consagrado herdeiro, o sobrinho Walker.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O cara é um músico mal sucedido, tirado de seu mundo de drogas e falta de dinheiro, para vir morar nessa mansão, receber sua parte em dinheiro e viver blackouts constantes, muito tumulto e também um grande amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todos esses ingredientes na cabeça, não dá pra pensar em muitas coisas a não ser no que vai acontecer na próxima página.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Findas as iniciais e bombásticas revelações, a história ganha um ritmo mais aprazível, embora não menos frenético. Isso porque, a partir de um determinado ponto (não sei bem qual), a concentração no texto torna-se absolutamente natural. Mentiras viram verdades, personagens se transformam, sentidos se alteram. Tudo parece moldado como uma perfeita armadilha para prender você na doideira de José Nunes e seus personagens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dois dias absorvi e processei o conteúdo de “Tumulto em noites de Blackout”. Bem que eu poderia ter lido em umas duas horas e meia ou três, porém, quando gosto de um livro e vejo as páginas acabando, sou forçada a parar e deixar pra depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, só consegui prorrogar o final mais 24 horas. Demorar mais teria sido como ver um filme em slow motion. E é claramente de filme o ritmo da narrativa. A gente não percebe mais que está lendo, porque as páginas contêm cenas e não dá pra dizer se você é leitor ou expectador. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que tudo isso tem a ver com o que eu falei no início, sobre ser amador? É que, às vezes, o profissionalismo endurece o texto, burocratiza a escrita, faz do escritor um vendedor e do leitor um cliente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto de quem ama tem imperfeições, lacunas, incongruências. E isso o torna humano, real e verdadeiro, como o próprio leitor, que, ao se identificar, também se apaixona. Por isso, desejo que esse autor faça muito sucesso, ganhe muito dinheiro, mas continue muito, muito amador. Seus leitores certamente vão corresponder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-4454959208024081121?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/4454959208024081121/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=4454959208024081121' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/4454959208024081121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/4454959208024081121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2012/01/tumulto-em-noites-de-blackout-jose.html' title='Tumulto em noites de blackout – José Nunes'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-7580441730227681205</id><published>2011-11-13T15:31:00.000-08:00</published><updated>2011-11-13T15:32:43.381-08:00</updated><title type='text'>As esganadas – Jô Soares</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê: &lt;/strong&gt;Gordas são esganadas. Essa frase de duplo sentido é o tema desse suspense. No Rio dos anos 30, um delegado carioca tem a ajuda de um delegado português ( e gordo) para desvendar o assassinato de gordas que morrem sempre depois de terem sido  empanturradas com iguarias lusitanas.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Crítica&lt;/strong&gt;: É claro que não estou aqui pra dizer que o Jô Soares é engraçado. Mas posso dizer que tinha esquecido o quanto o Jô Soares é engraçado.&lt;br /&gt;Em algumas partes do livro dá pra visualizar o próprio Jô travestido num dos hilários personagens, como uma das vítimas gordas ou o delegado português que vem auxiliar o delegado carioca. É como se a gente estivesse lendo um script do saudoso “ Viva o gordo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém tem um porém, nem tudo são risadas. Talvez querendo repetir o brilhantismo do Xangô de Baker Street, o autor faz várias e e cansativas viagens a momentos políticos e artísticos do final dos anos 30 e início dos 40. Acontece que no livro anterior do Jô, a história real completava a história da ficção, uma se misturava com a outra e viravam uma realidade nova e indivisível, uma realidade que era a própria ficção do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na história das Gordas é diferente. O suspense não é melhor nem pior, mas ele se basta. Não precisa nos remeter à segunda guerra mundial. A ambientação no Rio antigo, a caprichosa descrição das ruas do centro é mais do que suficiente pra preencher o pouco espaço de que as gordas ainda poderiam necessitar pra brilhar. &lt;br /&gt;O mistério das rechonchudas é ricamente substancioso em conteúdo. Altamente vitaminado em inteligência. Extremamente avantajado em criatividade. Numa história tão bem delineada, valia mais ter explorado a opulência da própria trama do que fazer remissões que mais parecem alegorias, falando de um passado que pouco tem a acrescentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos diante de um caso onde um filho assassinou a própria mãe, por odiar sua gordura e suas receitas portuguesas que ele mesmo jamais teve permissão de provar. Um filho magro, amargurado, com uma doença rara que lhe tirou as impressões digitais. Um filho que herdou uma funerária chamada Esfige e usa o carro como balcão de doces para atrair suas vítimas: gordas parecidas com a mãe dele, que ele faz questão de empapuçar cruelmente antes de assassinar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com tudo isso como prato principal, pra que política? Isso não é gulodice, é desperdício. São coisas diferentes, porque com gulodice, a gente iria se fartar com mais detalhes mórbidos da fascinante trama das gordas, mas ir pra outro lado, desviando o assunto, é desperdiçar tanto o interesse do leitor quanto a capacidade do autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortando essas gordurinhas, o livro do Jô fica até mais magro do que deveria ser, mas continua sendo um excelente suspense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso mesmo, deixa os leitores famintos ou simplesmente gulosos da inteligência e do humor inigualáveis de Jô Soares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapidamente devorada, a história nos traz de volta a condição de saudade desse gordo que devia escrever sempre, todo dia e o dia todo.Esse livro é um canapé. Ele só abre nosso apetite pra querer mais desse Jô tão delicioso. Uma viva às gordas e muitos beijos no gordo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-7580441730227681205?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/7580441730227681205/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=7580441730227681205' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7580441730227681205'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7580441730227681205'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2011/11/as-esganadas-jo-soares.html' title='As esganadas – Jô Soares'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-6513819639806275846</id><published>2011-10-29T09:30:00.001-07:00</published><updated>2011-10-29T09:31:47.089-07:00</updated><title type='text'>Kafka à beira mar- Haruki Murakami</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Um menino de 15 anos que resolve fugir de casa simplesmente para ser livre. Um senhor que, depois de uma espécie de ataque nuclear, se tornou analfabeto, mas consegue se comunicar com gatos. Aparentemente paralelas, as duas história se encontram no infinito mágico criado por Murakami.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Sei que preconceito é feio e errado, mas infelizmente isso não me torna menos preconceituosa. Tenho um pé atrás com tudo que é japonês, filme, livro, nem amendoim japonês eu curto. No entanto, um grande amigo meu que tem ótimo gosto me jurou de pés juntos que “Kafka à beira mar” era maravilhoso, ótimo e ainda teve uma palavrinha decisiva. Ele disse que era absurdo. Não resisto a um absurdo, nem a um livro de presente, por isso, sem abandonar minha desconfiança, resolvi ler o livro do Murakami.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Realmente absurdo é a palavra chave pra definir a história. E o engraçado é que quando você pensa, ah, era disso que ele estava falando quando usou o termo absurdo vem um absurdo maior ainda. Como assim? Bom, um menino de 15 anos ter um amigo imaginário chamado corvo é um pequeno absurdo se comparado ao fato de ter havido um tipo de ataque nuclear onde crianças ficam paralisadas e, minutos depois, voltam ao normal, todas menos uma. Isso também não é um grande absurdo quando se pensa que essa única criatura hoje em dia não sabe nem ler, refere-se a si mesmo na terceira pessoa (“Nakata não pensa direito..”), mas conversa com gatos e vive disso, pois ganha dinheiro encontrando gatos perdidos. E por mais que se imagine que a gente pode se acostumar com absurdos, isso é mentira, porque aqui cada absurdo tem o dom de surpreender o leitor e deixá-lo viciado, virando as páginas quase doentiamente em busca do próximo absurdo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito embora seja recheado de maluquices, o livro de Murakami nada tem de ficção científica ou conto de fadas, nem parece com Jaspion. O mundo de “Kafka à beira mar” não confronta a realidade. Ele a recria. Tudo se torna possível e faz muito sentido. Nessa viagem fantástica do menino Kafka e do senhor Tanaka em busca de um sentido para vida, existe algo que desvenda os lugares mais secretos da alma humana, onde a realidade de cada um nada mais é que uma inconfessável verdade.  Seja inconfessável porque absurda ou porque sonho ou porque indistinguível das loucuras do mundo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kafka a beira mar só começa a fazer sentido quando o leitor deixa de procurar o sentido, quando, depois de ser açoitado por uma sequência de acontecimentos inacreditáveis, finalmente se entrega a um fato muito simples. A realidade não existe, portanto tudo pode ser normal ou absurdo. É exatamente quando as surpresas deixam de surpreender o leitor que ele percebe a grande e final surpresa do livro de Murakami, a de que ele, leitor, foi engolido pelo mundo louco ou absolutamente lúcido do livro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mundo esse que, de tão mágico, não te abandona na última página, mas diz baixinho no seu ouvido que vai estar sempre ali, pronto quando você quiser voltar porque se cansou desse mundo real, tão chato e tão absurdo.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-6513819639806275846?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/6513819639806275846/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=6513819639806275846' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/6513819639806275846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/6513819639806275846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2011/10/kafka-beira-mar-haruki-murakami.html' title='Kafka à beira mar- Haruki Murakami'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-8076618599645259530</id><published>2011-06-22T08:09:00.000-07:00</published><updated>2011-06-22T08:13:04.448-07:00</updated><title type='text'>Nunca vai embora - Chico Mattoso</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Um dentista cansado da sua rotina e apaixonado por sua namorada cineasta resolve atender a um pedido dela. Ir para Cuba explorar as possibilidades de um documentário. Mas a viagem se transforma numa busca incessante e totalmente inesperada.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Coincidentemente ou não ( e não foi por coincidência que eu comecei assim), antes de ler esse livro me surpreendi com um poema que eu não conhecia do Paulo Leminsky sobre o barro. É assim: “ O barro toma a forma que você quiser. Você mal sabe estar fazendo aquilo que o barro quer.” O verso me deu um baque, daqueles que fazem ler várias vezes e sacudir a cabeça para entender o lugar onde o texto te fez parar. No mundo dessa poesia de Leminsky, é o destino quem manda e pronto. A gente só pensa estar fazendo o que quer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que eu entrei numa livraria e agarrei “Nunca vai embora”. A primeira impressão foi que havia algo errado no título, como o livro parecia ser sobre um cara correndo atrás da mulher, imaginei que deveria ser nunca vá embora, mas resolvi comprar assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história  é mais uma daquelas em que o texto fala mais do que a própria história. A trama, basicamente, é um pretexto para que você conheça as paranóias do personagem, a sua visão do mundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que acontece só é importante e fascinante porque acontece com ele , é a narrativa que transforma uma perseguição sob sol de Cuba na caça ao sentido da vida, tão comum a todos nós. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro do Mattoso, os fatos não ocorrem simplesmente, eles atropelam o nosso já tão confuso dentista, que, claro, passa por uma crise existencial daquelas que não passa nunca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da estadia, ou no pior da estadia, justamente no momento em que ele pensava em ir embora, ela faz isso primeiro. Desaparece da vida dele, ao mesmo que faz a vida dele aparecer pra ele. É só a partir disso, que Renato ( o nome do dentista) começa a se enxergar, é procurando Camila ( o nome da cineasta) que ele começa a ver o caminho escondido do seu destino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo do livro, há um momento marcante em que ele compara a namorada a uma barreira, a qual impede que o mundo chegue até ele, o que ele percebe depois é que ele também não tinha acesso a esse mundo. Mas o que isso tem a ver com o barro e o destino e o Leminsky? Hein? Calma, vou explicar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso perceber primeiro que ele idolatra a namorada e parece ter medo que ela descubra o quanto ele é inferior e ela é incrível. Tentando descobrir o que ela teria visto nele, ele fala que a cumplicidade deles começou por causa dos comentários que ele fazia sobre o filme “Chinatown”, filme esse que deu origem a um outro chamado “Chave do Enigma”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu tinha dito calma, não tinha? Então, vou chegar lá. Enquanto os dois discutiam esse último filme ele interpetra uma frase do personagem principal: “Nunca vai embora” é a frase. Pra ele, esse foi o momento que fez ela se apaixonar. A interpretação é a seguinte: nunca vai embora se refere “à  resignação de um homem cansado de se debater contra uma força que é muito maior que qualquer um de seus dons”. Pronto. Cheguei no Leminsky. É a força do barro, do destino, daquilo que, mais do que qualquer vontade, obriga você a fazer o que ele quer e nunca vai embora, pelo menos enquanto você viver. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me espanta que a cineasta tenha amado um cara teoricamente sem graça por causa dessa frase. Ela, sem dúvida, me ajudou a amar o livro. E por isso também a história não importa muito, chega uma hora em que há muito mais descobertas a serem feitas do que o paradeiro da Camila. Descobrir o porquê de tudo, por exemplo. Descobrir por que eu escolhi esse livro, por que gostei e por que, depois de tanto tempo, me obriguei a escrever outra resenha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez escrever não seja propriamente um dom, mas seja uma força muito maior do que todos os dons de quem escreve. E no fundo, estou fazendo somente aquilo que o texto quer.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-8076618599645259530?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/8076618599645259530/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=8076618599645259530' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/8076618599645259530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/8076618599645259530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2011/06/nunca-vai-embora-chico-mattoso.html' title='Nunca vai embora - Chico Mattoso'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-6337719558195648373</id><published>2010-12-27T10:35:00.000-08:00</published><updated>2010-12-27T10:48:51.793-08:00</updated><title type='text'>O fantasma de Stalin – Martin Cruz Smith</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; O detetive Arkady ( do Mistério do Parque Gorky) recebe uma estranha missão: investigar o aparecimento de Stalin em uma das estações de metrô de Moscou bem na época das eleições.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica: &lt;/strong&gt;Como os meus seletíssimos leitores sabem, não costumo lembrar nem dos livros que li, nem das resenhas que escrevi. No entanto, lembro perfeitamente de ter lido O Mistério de Parque Gorky, livro que consagrou o autor no mundo do suspense, e me recordo o quanto é absurdamente bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  problema é que não há nada pior para um livro do que um livro anterior do cacete. Li O fantasma de Stalin esperando no mínimo, o máximo. E me decepcionei feio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagine uma pessoa que tem um armário cheio de roupas incríveis, todas elas poderiam compor um traje lindo, só que ele fuça um monte de peças e faz uma combinação caótica e inesperada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, assim é o “Fantasma de Stalin”. A obra começa com o problema do aparecimento do fantasma juntamente com uma investigação de assassinato. Além disso, temos: uma criança de rua (exímio jogador de xadrez, adotado por Arkady), uma agência matrimonial cuja dona planeja o assassinato do marido, um triângulo amoroso entre Arkady, uma mulher da Chechenia e o candidato das eleições, um grupo de extermínio, agentes corruptos ( que não podiam faltar), ex-combatentes revoltados, marketeiros americanos e um monte de outras coisas que já esqueci, além de, claro, muita vodka, pois estamos na Rússia. Enfim, existem ingredientes mais do que suficientes para uma história incrivelmente inteligente ou incrivelmente enrolada. E infelizmente, o autor acabou por escolher, imagino que sem querer, a segunda opção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O personagem Arkady parece estar sofrendo de esquizofrenia, pois assume diferentes personalidades de detetives famosos ao longo da história, em nada se assemelhando a ele mesmo no Mistério do Parque Gorky. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se não bastasse, a editora conseguiu realizar uma das piores traduções já vistas. Cheguei a marcar alguns trechos totalmente sem sentido pra reproduzir aqui, mas acabei desistindo de folhear o livro novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Concluí que a forma nem precisaria ter atrapalhado, pois o conteúdo é suficientemente confuso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez tenha sido um erro querer reviver o Arkady. Talvez tenha sido o fantasma dele que matou “O fantasma de Stalin”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar de tudo, eu acredito em vida após o fracasso ou após o fantasma. Por isso, vou continuar sendo leitora de Martin Cruz Smith. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autor, mesmo não tendo acertado dessa vez, ainda merece a nossa fé.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-6337719558195648373?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/6337719558195648373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=6337719558195648373' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/6337719558195648373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/6337719558195648373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/12/o-fantasma-de-stalin-martin-cruz-smith.html' title='O fantasma de Stalin – Martin Cruz Smith'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-751188955127194587</id><published>2010-11-23T09:09:00.001-08:00</published><updated>2010-11-23T09:10:59.057-08:00</updated><title type='text'>No buraco – Tony Belloto</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Um roqueiro fracassado está literal e metaforicamente no buraco, sem dinheiro e enterrado na areia da praia de Ipanema. De lá, ele nos narra seus piores e melhores dias de fama enquanto vive uma perigosa história de amor com uma chinesa possivelmente mafiosa.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Em primeiríssimo lugar, antes de mais tudo preciso dizer que tem algo sobre a voz do Belloto na orelha do livro, o próprio autor deu entrevista no lançamento dizendo que encontrou sua voz, a primeira e única crítica que li dizia a mesma coisa: a voz do autor...Peraí, cara, esse negócio de ler um livro e ouvir vozes é coisa de Chico Xavier. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, o Tony Belloto é guitarrista e escritor, não necessariamente nessa ordem, e ninguém está duvidando disso. Isso de acreditar que existe a voz do autor, aquela que só é achada após um árduo trabalho literário é papo de escritor invejoso, crítico invejoso, jornalista invejoso ou ainda professor de português invejoso. Não há como chamar de preconceito com músico o que não passa de inveja. Aquele sentimento feio, sujo e malvadinho que só quer destruir o trabalho dos outros. Que a inveja exista, não me surpreende,  me surpreendia pensar que um autor como Tony Belloto cairia nessa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo ter alguma outra resenha dele, é um caso óbvio de talento, quem não acredita que um guitarrista pode também e muito bem escrever que vá ouvir a voz do tempo ou então um disco dos titãs. Me revoltou esse burburinho de vozes sobre o Tony Belloto ter ou não encontrado sua voz, também fiquei incomodada vendo o autor falar sobre a opinião dos outros escritores, como se ele estivesse fazendo um teste pra pertencer a uma confraria secreta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém com a capacidade narrativa dele nunca, jamais, em tempo algum deveria se preocupar com esse tipo de idiotice. Por isso, foi com um pouco de revolta que comecei a ler no buraco, esperando o autor escorregar na casca de banana dos críticos. Há diversas referências sobre escrever no livro e também sobre tocar, como se fosse finalmente o encontro de dois mundos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é meio irritante, porque o mundo é um só e as pessoas não estão carimbadas com suas profissões. Não era só do Raul Seixas o direito de ser uma metamorfose ambulante. E ninguém tem nada com isso. Passada a irritação e torcendo veementemente que o autor esqueça essa história de voz, a outra história, aquela que Tony conta No buraco só não surpreende porque ele já tinha surpreendido antes no primeiro livro. E essa é exatamente como as outras histórias que ele já escreveu: engraçada, verossímil, imprevisível e perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se engane pensando que não é um suspense, não se engane pensando que não é um deboche, não se engane, como eu, pensando que o Tony Belloto está ouvindo vozes demais. Tem piada, sacanagem, mistério, reflexão, amor, ódio, saudade, arrependimento, vício, alegria e, claro, tem surpresa também. Só pra surpreender quem achou que ia ouvir vozes. Está tudo lá “No Buraco”, no bom sentido..., do Tony Belloto.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-751188955127194587?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/751188955127194587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=751188955127194587' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/751188955127194587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/751188955127194587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/11/no-buraco-tony-belloto.html' title='No buraco – Tony Belloto'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-3408768691258249364</id><published>2010-11-01T07:44:00.001-07:00</published><updated>2010-11-01T07:44:54.736-07:00</updated><title type='text'>Livros de outubro: O vendedor de passados – Agualusa. O mistério das cabeças degoladas – Frei Beto.</title><content type='html'>&lt;strong&gt;O vendedor de Passados –&lt;/strong&gt; Imagino o porquê existem tantas resenhas a respeito desse livro enquanto estou aqui, escrevendo mais meia, porque esse parágrafo não pode ser chamado resenha inteira. Pontos a destacar: linguagem poética, português angolano, narrador animal. Ë isso mesmo, o livro é narrado por uma lagartixa, ou osga, como deve se dizer por lá. Gostaria tanto de um glossário de português de lá pra português de cá, mas tudo bem. A obra é um delírio, com cores vivas, bonitas, passado num canto do mundo que parece até a Bahia de Jorge Amado, um lugar onde o tempo passa diferente, as osgas falam, os sonhos se confundem com a realidade e mentira contada diversas vezes acaba por se tornar verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;O mistério das cabeças degoladas- Frei Beto &lt;/strong&gt;– Tente encaixar um quadrado perfeito num buraco perfeitamente redondo e você verá que nenhum dos dois tem nada de errado, eles simplesmente não se encaixam. Também não há nada de errado com a narrativa de Frei Betto, a história é verossímil, interessante, o texto tem a mistura de erudição e lirismo nas devidas doses . Porém a minha expectativa (só posso falar por mim) era redonda e o livro termina em quadrado. Tento explicar melhor: o nome frei Beto e a palavra suspense na mesma orelha de livro despertam uma esperança que não se satisfaz com o mistério das cabeças degoladas, falta algo ou talvez sobre. O autor nos sugere desvios para o mistério, como o assunto das crianças de rua ou uma possível história de amor, mas esses desvios são ruas sem saída, só nos resta voltar pro mistério depois de dar com a cara no muro. Acontece que, quando voltamos, estamos menos tensos e curiosos do que deveríamos, pois o autor mesmo nos distraiu. Um suspense deve ser inteiro pra ser perfeito, e inteiro é aquele em que tudo que se menciona na história se relaciona com o que se está desvendando. Não acho que isso seja fácil de fazer e se eu mesma soubesse como se faz não estaria aqui escrevendo essa mini-resenha. Porém era isso que eu esperava: perfeição. O mistério das cabeças degoladas é apenas humano, não é divino como seu autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-3408768691258249364?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/3408768691258249364/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=3408768691258249364' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/3408768691258249364'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/3408768691258249364'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/11/livros-de-outubro-o-vendedor-de.html' title='Livros de outubro: O vendedor de passados – Agualusa. O mistério das cabeças degoladas – Frei Beto.'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-251820642563249775</id><published>2010-10-09T10:10:00.001-07:00</published><updated>2010-10-09T10:33:06.639-07:00</updated><title type='text'>O palácio de Inverno – Jonh Boyne</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Georgui, hoje com 82 anos, se lembra bem como as guerras e as mudanças na Europa transformam sua vida sem serem capazes de abalar seus sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Quem vive num palácio de inverno tem pelo menos três certezas. Um dia ele não será mais palácio. Noutro não será mais seu. E, por fim, acabará o inverno.&lt;br /&gt;Escrevi essa declaração enigmática quando terminei de ler o Palácio de Inverno de Jonh Boyne. Sinceramente, minha memória não me permite lembrar se escrevi a resenha de o menino do pijama listrado. Bom, pode-se dizer que ele começou absurdamente bem e não saiu do ritmo.&lt;br /&gt;Mais: ele melhorou.&lt;br /&gt;Ouso dizer que o Palácio de inverno é ainda melhor do que o menino do pijama listrado, simplesmente pelo fato de nos proporcionar mais momentos, de ser mais longo e complexo, demorar mais a terminar.&lt;br /&gt;Normalmente, a complexidade não é algo que me atrai num livro. Prefiro histórias simples e lineares, menos prováveis de se cometerem erros. Porém, nem os nomes russos me afastaram dessa obra de John Boyne. Eu sabia que alguém que foi capaz de transformar o nazismo numa história de amizade não iria falhar diante um monte de nomes cheios de consoantes.&lt;br /&gt;O Palácio de Inverno também fala das guerras e também fala da mesma maneira comovente, com os olhos, os ouvidos e principalmente a boca dos que vivem e não simplesmente emitem uma opinião.&lt;br /&gt;Novamente, John Boyne nos mostra o lado real, onde não há o certo e o errado, os mocinhos e os bandidos, mas simplesmente seres humanos tentando tirar o melhor da posição que o destino lhes concedeu.&lt;br /&gt;A sensibilidade do autor chega a parecer auto-biográfica. Se, no menino do pijama listrado, a historia era de amizade, aqui ela é de amor. Uma história mais forte que a guerra porque trata de um amor mais forte que todos os motivos da guerra. &lt;br /&gt;O menino Georgui começa como um senhor de 82 anos e, sem querer estragar o livro para os que não leram, posso adiantar, ele conta somente uma história, a sua com a sua amada.&lt;br /&gt;Dizer mais iria tirar um dos grandes prazeres de ler Jonh Boyne, saber que o amor é tão inevitável e tão inerente ao ser humano quanto a mais cruel das guerras. A diferença é que as guerras são como o inverno enquanto o amor, pelo menos segundo o autor, pode ser eterno.(rimou sem querer, juro.)&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-251820642563249775?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/251820642563249775/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=251820642563249775' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/251820642563249775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/251820642563249775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/10/o-palacio-de-inverno-jonh-boyne.html' title='O palácio de Inverno – Jonh Boyne'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-5078959611340267651</id><published>2010-08-29T16:45:00.000-07:00</published><updated>2010-08-29T16:48:15.009-07:00</updated><title type='text'>Livros de Julho: O Guerreiro Solitário, Atestado de Óbito e outro que eu não lembro o nome por motivos óbvios.</title><content type='html'>Aviso: Aos meus menos de 17 leitores, aviso sobre a mudança de formato nas resenhas que publico. Agora, em vez de falar sobre o último livro que li, farei um resumo do mês. Claro que, se algum exemplar valer uma resenha só pra ele, escreverei com prazer. Fora isso, pretendo apenas tecer breves comentários sobre cada obra, ficando calada também quando for o caso. É isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julho: Em algumas épocas de nossas vidas, o suspense faz mais sentido que tudo. Pode-se dizer que eu estou em uma dessas épocas. Meu objetivo com as aquisições que fiz foi não pensar nos meus próprios problemas. Para isso, seria preciso que alguém me apresentasse problemas bem mais interessantes e, claro, com uma solução possível. Vamos ver como cada um se saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atestado de Óbito: Jenny, a atormentada personagem principal desse romance, proporciona excelentes momentos nos quais é possível se entregar totalmente ao texto, principalmente para quem se identifica com problemas psicológicos convivendo com problemas de trabalho e problemas de família. Porém, e infelizmente há um porém, nosso exemplar fica na média da maioria dos suspenses, com soluções pouco críveis, beirando o fantástico. Não que isso não seja normal. É. Por isso, o romance bate as asas, mas não decola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Guerreiro Solitário: Não sei por que, ou melhor, sei mas vou fingir que não, esse autor está sendo tão aclamado juntamente com seu nada extraordinário detetive. Wallander, o tal detetive, não tem nada demais e ainda promete o que não cumpre, coisa também não rara em suspenses médios, como esse. Deve ser muito difícil construir um tipo com personalidade como Poirot. O problema com Wallander é o que não acontece, o que ele sugere, como o relacionamento com uma mulher chamada Baiba, a qual não tem uma linha de fala no livro. Por que nos fazer esperar algo quando nada virá? Em termos de história, novamente temos uma solução mágica para algo que parecia, durante algumas páginas, bem real. Leia, se quiser se divertir, mas não espere se apaixonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-5078959611340267651?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/5078959611340267651/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=5078959611340267651' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/5078959611340267651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/5078959611340267651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/08/livros-de-julho-o-guerreiro-solitario.html' title='Livros de Julho: O Guerreiro Solitário, Atestado de Óbito e outro que eu não lembro o nome por motivos óbvios.'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-3410294744917330691</id><published>2010-05-20T10:18:00.000-07:00</published><updated>2010-05-20T10:19:36.053-07:00</updated><title type='text'>Tudo pode dar certo – Woody Allen</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Um velho inteligente e mal humorado conhece uma garota burra e bem humorada. Será que eles podem viver uma história de amor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Tudo pode dar certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um filme começa com uma tradução tão propositalmente errada quanto essa, poucas são as chances de ele dar certo. O filme do Woody Allen se chama o que quer que dê certo ou qualquer coisa que dê certo ou ainda seja lá o que der certo e muitas outras opções de tradução, mas não, ele não se chama tudo pode dar certo.&lt;br /&gt;Dito isso, vamos à crítica, se é que isso é necessário depois dessa introdução. Tudo pode dar certo tem tudo pra dar certo, afinal foi Woody Allen quem escreveu e dirigiu, fora isso, é passado em nova Iorque, tem uma atriz loura e bonita, tem diálogos engraçados. Será que Woody Allen é só isso? Foi o que fiquei pensando ontem depois de assistir ‘whaterver works”.&lt;br /&gt;Talvez o fato que vou contar agora tenha me influenciado. Essa história não é nova.( E qual é???), Bom, ela estava no fundo da gaveta do autor há muitos e muitos anos quando ele resolveu desenterra-la e leva-la para o cinema. Não sei se foi isso que me fez ver o filme como se fosse um rascunho ruim de “noivo neurótico e noiva nervosa”. O que posso dizer do fundo do meu coração é: aquela coisa não é Woody Allen. É alguém que ele foi antes de ser ele ou alguém que ele é hoje em dia, depois de ser ele, entendem? Sei que é complicado, mas se tornar um diretor de sucesso numa Hollywood de cenas de ação, carros amassados e 007s não deve ter sido fácil. Por isso, os primeiros filmes dele são tão extraordinariamente bons, eles tinham que ser, ou não seriam nem filmados. Ser Woody Allen hoje, quase 40 anos depois, é bem diferente. Hoje ele é aquele cara que faz você rir antes de contar a piada.&lt;br /&gt;Pra se ter uma idéia do que eu digo, das 5 pessoas que estavam antes de mim na fila, zero sabiam o nome do filme, só disseram que queriam ver o filme do Woody Allen, tanto que quando eu falei ingenuamente “tudo pode dar certo” pra bilheteira ela ficou me olhando e teve de racionar até ligar o nome à pessoa.&lt;br /&gt;Foi exatamente isso que fez esse roteiro sair da gaveta. Hoje em dia, pouco importa, é dele, será visto, vende. As piadas não são ruins, mas algumas são vergonhosamente velhas. No entanto, a esperança woodyallenana nos faz acreditar que haverá um final ou algo que transforme aquele monte de diálogos e cenas engraçadinhas num filme do nosso diretor. É quando chega a hora de lembrar da frase inicial do filme, como um oráculo, ele prevê: você não vai se sentir melhor depois desse filme. Sabe por quê? Porque esse não é um filme digno dele. Todo mundo se sente melhor depois de um bom filme, não importa se é uma comédia hilariante ou um dramalhão, filme bom é aquele que faz você se sentir melhor, mesmo que isso lhe provoque lágrimas.&lt;br /&gt;Depois de um filme bom, você sente que aquelas duas horas que passou no cinema foram extremamente importantes e, sem elas, você não seria o que é hoje, porque um filme bom te torna uma pessoa melhor.&lt;br /&gt;Esse é ponto, é por isso que ele diz que você não vai se sentir melhor. E talvez essa seja a melhor parte do filme, pelo menos é a única que tem realmente a genialidade do Woody Allen. O resto é infantil, é pré ou pós algo que mereceu nossos aplausos. Normalmente, a velhice chega ridícula, mas pelo menos é mais sábia. Uma velhice com a inexperiência de um adolescente é, no mínimo, um vexame. Tristemente, essa é a minha definição para whatever works. Nothings worked.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-3410294744917330691?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/3410294744917330691/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=3410294744917330691' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/3410294744917330691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/3410294744917330691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/05/tudo-pode-dar-certo-woody-allen.html' title='Tudo pode dar certo – Woody Allen'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-6011728316233307001</id><published>2010-04-09T14:21:00.000-07:00</published><updated>2010-04-09T14:22:28.030-07:00</updated><title type='text'>O Olhar cingindo – Flavio Braga</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o que&lt;/strong&gt;: Um apresentador de um programa de tv sensacionalista luta pela audiência com um rival similar, mas a verdadeira briga parece ser quem atinge o mais baixo nível com atrações bizarras, uma enorme coincidência com a nossa realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Tenho andado preguiçosa para resenhas, se não me engano, já se passam 4 ou 5 livros desde a última, mas esse livro, de edição amarela, e a estranha palavra “cingido” no título me fizeram sentir obrigação de relatar a deliciosa experiência de ler Flavio Braga, autor até então desconhecido pela minha imensa ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ao livro: a proposta de mostrar a disputa entre dois canais de baixo nível é tão promissora que a gente quase sente que a autor vai escorregar e cair de cara num lugar comum ou numa chatice sem fim. Leitores experientes e realistas como eu sabem que nem sempre uma ótima idéia resulta num ótimo livro. Pois nesse caso resultou. O autor não só cumpre sua promessa como nos surpreende criando um personagem tão real que quase esperamos vê-lo ao ligar a tv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fredo Bastos, o tal apresentador-personagem, é um cara que você certamente conhece, você pode até ser um pouco Fredo Bastos. Ele é aquele cara que perdeu a noção, vestiu a camisa e a cueca da empresa, vendeu a alma, a mãe e a alma da mãe, tudo pelo sucesso, não só pelo dinheiro, mas pelo gostinho de se achar um ser de uma raça superior. E que ambiente seria mais adequado para se desenvolver um indivíduo dessa espécie do que a televisão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Olhar cingido” tem gosto do big brother do big brother, ou seja, é a baixaria que está por trás da baixaria que passa na tv, portanto é real e infinitamente mais divertido. Mas o Fredo, como toda caricatura, tem seus momentos angustiados, tristes, até humanos. Momentos esses que dão à história o realismo de dor que toda comédia precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sei que tenho sido muito boazinha com meus autores, é que estou poupando as resenhas de livros ruins...(prometo ser cruel com o próximo), mas preciso dizer que o livro de Flavio Braga merecia um ibope altíssimo se tivesse sido adequadamente promovido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ele próprio nos mostra, muitas vezes, os melhores programas não estão nos maiores canais nem nas prateleiras de mais vendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-6011728316233307001?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/6011728316233307001/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=6011728316233307001' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/6011728316233307001'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/6011728316233307001'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/04/o-olhar-cingindo-flavio-braga.html' title='O Olhar cingindo – Flavio Braga'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-9118960941559692684</id><published>2010-02-24T06:48:00.000-08:00</published><updated>2010-02-24T06:49:17.966-08:00</updated><title type='text'>Amor sem escalas – Walter Kirn</title><content type='html'>Sobre o quê: É a história da vida de um executivo que passa a maior parte do tempo viajando. Sua missão é demitir altos executivos de grandes empresas com o mínimo de estrago possível ( para a empresa, é claro). Sua maior preocupação é alcançar a meta de mil milhas viajadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: O fato de eu ser publicitária não me impede de enxergar o estrago que a propaganda é capaz de fazer quando usada indevidamente. O livro de Walter Kirn rapidamente se transformou em um produto altamente vendável depois de ter virado filme, mas foi o filme o primeiro a estraga-lo, fazendo com que o consumidor esperasse romance onde a história é, literalmente, outra. Não somente o título em português não tem nada a ver com o inglês “up in the air’, como também as imagens que divulgam o filme (o qual não sei se vou ver) passam uma idéia que vamos assistir a uma linda comédia romântica com o charmoso George clonney. Acontece que não há romance em “Amor sem escalas”, veja bem, não estou dizendo que há pouco romance, estou sendo enfática: NÃO existe história de amor no livro. Óbvio que isso jamais teria me incomodado se eu não tivesse visto as propagandas do filme e lido o título em português. Foi o que me fez ficar esperando algum romance ou dar importância a trechos que não tinham importância, prejudicando inclusive o julgamento sobre a qualidade da história.&lt;br /&gt;Como já vi muitos anúncios serem destruídos em reuniões até virarem um lixo completo, imagino que Walter Kirn não teve culpa, não foi ele quem me prometeu tanto amor. Seu “up in the air”, lido sem falsas expectativas, proporciona ótimos momentos.&lt;br /&gt;Ryan, o personagem central, é simplesmente o resultado de tudo que a vaidade do mercado de trabalho faz com todos nós. Ele nos mostra toda a tristeza e a agonia que a felicidade de um ótimo emprego proporciona, como se suavemente removesse o véu de cinismo presente nos discursos de pessoas teoricamente bem sucedidas. É um processo incrivelmente doloroso, mas isso, a dor, somente é percebida no final do livro, quando as observações de Ryan já nos fizeram sorrir bastante, principalmente ao identificar momentos e pessoas conhecidas, que mudam de empresa, de país, mas não de personalidade.&lt;br /&gt;O autor consegue realizar um verdadeiro raio x da alma humana quando o corpo está de terno. As ambições, os limites, os sonhos e, mais do que tudo, a tristeza de fazer parte desse jogo vão sendo lentamente reveladas. E enquanto o leitor vai rindo, vai também sentindo a angústia de vender a alma ao patrão, seja ele quem for. A parte mais engraçada, no entanto, é perceber que o próprio autor também teve seu momento de Ryan, de profissional, de todos os nós, ao permitir que sua linda história desse origem a uma bobagem hollywoodiana. Talvez ele soubesse, em algum lugar profundo da sua perturbada alma executiva, que quem quisesse encontrar a verdade iria procurar na livraria, não no cinema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-9118960941559692684?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/9118960941559692684/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=9118960941559692684' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/9118960941559692684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/9118960941559692684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/02/amor-sem-escalas-walter-kirn.html' title='Amor sem escalas – Walter Kirn'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-5016041787322798739</id><published>2010-01-29T13:00:00.000-08:00</published><updated>2010-01-29T13:01:03.011-08:00</updated><title type='text'>Um homem chamado Jesus – Frei Beto</title><content type='html'>Sobre o quê: Frei Beto conta uma história que todos conhecemos ou já ouvimos falar: o Novo Testamento. A diferença é tom de romance de ficção, onde Jesus é o personagem principal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Me sinto meio idiota fazendo uma crítica da história de Jesus, então vamos deixar claro que o que avalio aqui é o texto do Frei Beto. Agora não me sinto mais ridícula nem idiota, só serei repetitiva em dizer o quanto o autor escreve divinamente. Confesso que nunca, apesar de inúmera tentativas, cheguei a ler a bíblia. Sou católica e tudo que conheço do novo ou do antigo testamento são os trechos que ouço na missa. Imagino que uma grande quantidade de pessoas sofra do mesmo mal: preguiça de entender melhor a história. Cada vez que ouvimos um pedaço do discurso do padre, tentamos juntá-lo a outros pedaços, mas na verdade não sabemos a ordem certa das coisas, pois a leitura dos textos segue o nosso calendário e não a ordem dos acontecimentos na vida de Jesus.&lt;br /&gt;A cronologia é um dos grandes acertos do autor. Uma coisa tão óbvia e me parece que jamais alguém tenha pensado nisso. Ao contar a história de Jesus do início até os dias de hoje, Frei Beto nos espanta com a simplicidade que é reconhecer início, meio e fim numa trajetória que sempre nos pareceu conturbada, cheia de idas e vindas,num misto de narrativas dos apóstolos com ensinamentos de catecismo e homilias confusas. Na verdade, é errado falar em fim quando se trata da história de Jesus e, lamento estar estragando o final do livro, mas o maior acerto do autor é nos fazer entender a dimensão da eternidade da missão divina, ou, se não entender, pelo menos acreditar, já que também nos ensina o livro que a fé não se trata de compreensão e sim de crença. Por mais que eu fale, acho que não conseguirei contar todos os ensinamentos com que o autor nos presenteia, são coisas que todos nós pensamos que já sabemos, mas só descobrimos de verdade ao entender o quanto não sabemos. É como se, ao vislumbrar um enorme horizonte a ser percorrido, conseguíssemos finalmente perceber o quanto do caminho já foi feito. A história de Jesus contada por Frei Beto não é só a história de Jesus, é uma maneira de revelar a história da humanidade por um olhar diferente de tudo, inclusive da bíblia. Ao humanizar Jesus Cristo, Frei Beto repete a intenção divina de nos fazer entender nossa criação segundo Sua imagem e semelhança. Por isso, ler Um homem chamado Jesus promove uma verdadeira transformação do leitor em apóstolo, aprendiz de alguém muito sábio. Um autor chamado Frei Betto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-5016041787322798739?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/5016041787322798739/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=5016041787322798739' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/5016041787322798739'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/5016041787322798739'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2010/01/um-homem-chamado-jesus-frei-beto.html' title='Um homem chamado Jesus – Frei Beto'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-7616672977437992592</id><published>2009-11-14T17:53:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T17:55:34.019-08:00</updated><title type='text'>Uma longa queda - Nick Hornby</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Quatro pessoas com vidas completamente diferentes têm a mesma idéia na noite de reveillon: se suicidar pulando de um famoso prédio de Londres. O encontro, além de evitar suas mortes, muda suas vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Li quase todos os livros desse autor, digo quase porque dois eu parei no meio, e, finalmente, alegremente e sinceramente posso dizer que ele conseguiu de novo o que já tinha conseguido com Alta Fidelidade. Escreveu algo absurdamente fantástico.&lt;br /&gt;São quatro narradores, os quatros suicidas, por isso a história consegue ter aquela alteração necessária de ritmo pra não ficar monótona sem mudar de assunto. Todos eles são incrivelmente egoístas, mesmo vivendo em mundos tão diferentes, por isso o ponto de vista de cada um conta quase a mesma coisa de uma forma totalmente oposta. Vejamos o grupo: um apresentador de TV mal-sucedido, uma adolescente revoltada, uma religiosa casta e mãe de um inválido e um jovem músico desiludido que virou entregador de pizza. Quase impossível pensar em pessoas que tivessem menos em comum. No entanto, um grande, imenso vazio as une, do tamanho de uma queda de muitos andares. É a perspectiva de vida. Os suicidas, opinião minha, além de serem algo egoístas, são também grandes visionários. Eles sabem que nada de bom vai acontecer. Eles sabem que não adianta mais tentar, nem esperar, nem desistir, nem mudar de direção, nem porcaria nenhuma. Eles sabem que já estão mortos, só falta a alma abandonar o corpo. Em suma: eles sabem mais que Deus. Não que eu tenha algo contra quem pensa em pôr fim à vida, quantas vezes já tive a mesma idéia? Quem nunca teve? Todos nós temos nossos momentos de pular do prédio e algo que nos segura (tirando, é claro, aqueles que realmente pulam).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado que só agora que estou escrevendo essa resenha percebo que esse livro me fez lembra de uma música, tema de um filme que esqueci o nome. O filme (calma, não vou mudar de assunto) era sobre um monte de gente ferrada que morava num prédio abandonado e a música começava assim (era em inglês): “Agora que eu pulei, eu vejo que a vida é boa, a vida é tem alegria, magia e televisão e surpresas, a vida é cheia de surpresas.” Acho que é nisso que um suicida não acredita mais. Em surpresas. Se você pensa na mera possibilidade de uma surpresa, você não se mata, nem que seja por curiosidade. Você espera a próxima surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema com as surpresas é que elas às vezes demoram tanto, mas tanto pra acontecer, que o sujeito se convence que sua vida será para sempre aquela sucessão de dias e noites aparentemente sem sentido e, já que não vai acontecer nada de bom mesmo, por que continuar? É como quando você desiste de um filme no meio porque tem certeza que ele não vai melhorar. Diria que em 99% das vezes a gente tem razão, o filme não melhora mesmo, alguns livros também não. Mas claro que não estou falando desse livro. Nosso autor conseguiu de novo fazer personagens que conhecemos tão bem que parecem nós mesmos em algum momento de nossas vidas. Pelo menos adolescentes e mal-sucedidos todos já fomos um dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez ser velho não seja perder a esperança e sim acreditar nas surpresas, saber esperar por elas. Saber que um dia elas acontecem. Um dia alguma coisa pode mudar sua vida pra melhor. E pode até ser um livro.&lt;br /&gt;Gisela Cesário.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-7616672977437992592?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/7616672977437992592/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=7616672977437992592' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7616672977437992592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7616672977437992592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2009/11/uma-longa-queda-nick-hornby.html' title='Uma longa queda - Nick Hornby'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-1204706335408920280</id><published>2009-10-21T08:33:00.000-07:00</published><updated>2009-10-21T08:34:30.750-07:00</updated><title type='text'>Bárbara não quer perdão – Antonio Más</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Num aparente acerto de contas, um travesti que teve, na infância, seus pedidos ignorados pela polícia, volta à cena para complicar a vida do mesmo Delegado que não lhe atendeu. Só que agora o próprio travesti é o criminoso e a tarefa do delegado tornou-se muito mais complicada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Raramente as orelhas têm razão. Se eu fosse uma pessoa que faz piadas idiotas, eu diria que não se deve dar ouvidos às orelhas, mas não sou. Tanto é que a orelha de “Bárbara não quer perdão” fala bem claro que o leitor não será capaz de parar quando começar a ler. Bom, já vi essa frase tantas vezes que perdi a conta, mas dessa vez a orelha fala sério. Li em dois dias, não contínuos obviamente, mas poderia ter lido em um se meus intervalos de leitura fossem maiores que uma hora. E chega de tempo, né? Vamos à crítica, que não existe. É uma crítica tão boa que deve se chamar logo elogio.&lt;br /&gt;Antonio Más, até então um autor desconhecido no meu ignorante mundo, acaba de se tornar um ídolo. Confesso que ajudou o fato de eu ter abandonado pelo meio dois suspenses de autores famosos da companhia das letras por pura falta de paciência de continuar. Claro que isso influiu pra eu escolher um autor que fala minha língua literalmente e que narra um romance passado na minha cidade, o rio de janeiro. Aparentemente, isso é meio caminho andado, mas já vi esse meio caminho ser desandado várias vezes, por isso, creio que o mérito desse autor sobreviveria ainda que ele estivesse escrevendo em finlandês sobre algo acontecido na republica tcheca.&lt;br /&gt;A história se passa com uma agilidade incrível, daquele tipo que faz você virar as páginas tão rapidamente a ponto de quem está a sua volta pensar se você está realmente lendo ou apenas olhando. Só que, além da vontade de devorar, ele desperta ainda a vontade de saborear. Por isso, voltei algumas páginas, principalmente as finais, pra fazer um slow motion das manobras literárias de Antonio Más que mereciam ser apreciadas devagarzinho, estilo degustação.&lt;br /&gt;É um suspense perfeito, onde ninguém é totalmente bonzinho ou totalmente mauzinho, todos os acontecimentos são verossímeis e os personagens, como em toda boa história, não são meros personagens. São gente de verdade. E o final é surpreendente inclusive pra quem, como eu, já espera um final surpreendente. Enfim, pra não dizer que é tudo impecável, a capa da minha edição é meio brega, irrelevante, já que pra mim as orelhas são mais importantes que as capas, apenas um registro para as futuras edições. Afinal, tenho certeza que não sou só eu que vou querer mais ou, pra fechar com um trocadilho tão bobo quanto o do início, todo mundo vai querer Más.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-1204706335408920280?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/1204706335408920280/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=1204706335408920280' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/1204706335408920280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/1204706335408920280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2009/10/barbara-nao-quer-perdao-antonio-mas.html' title='Bárbara não quer perdão – Antonio Más'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-7871393198348657109</id><published>2009-07-15T13:54:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T14:03:09.074-07:00</updated><title type='text'>Um trem noturno para Lisboa</title><content type='html'>Sobre o quê: Mundus, professor de línguas clássicas em um liceu na Suíça, resolve, por causa do encontro com uma portuguesa, mudar completamente de vida. Então,após uma aula, ele simplesmente se levanta e decide ir para Lisboa a fim de fazer uma investigação tão complexa quanto o sentido da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Existem histórias cujas palavras nos acariciam, nos consolam, como um cafuné materno que afasta nossos problemas e nos certifica que está tudo bem. O fato de “Um trem noturno para Lisboa” ser uma dessas histórias não é o mais impressionante. O mais impressionante é que normalmente, histórias assim são “água com açúcar” e essa obra, apesar de doce, não tem nada de molenga, pelo contrário. É uma história principalmente de uma alma inquieta, que não encontra paz nem mesmo nos sonhos.&lt;br /&gt;Mundus, o solitário professor, percebe que, abaixo da calma superficial de sua rotina de aulas, existe um maremoto de emoções a serem vividas, a serem ainda descobertas. E, para alguém absolutamente viciado em linguagem como ele, a percepção não poderia ter vindo de outra maneira a não ser por meio de uma palavra, uma simples palavra: português. Como não se identificar? Nosso personagem vinha passando por uma ponte quando vê uma mulher prestes a se suicidar. Ao iniciar uma conversa com ela, vem a resposta que indica a língua natal da possível suicida: português. Pronto. Ao ouvir o som da palavra com pronúncia lusitana ( muito diferente da nossa, é verdade), Mundus se apaixona perdidamente, não pela mulher, mas pela palavra. Não parece muito louco? Talvez não, todo bom leitor tem suas palavras prediletas, mas acho que poucos resolveram transformar suas vidas por uma delas.&lt;br /&gt;Próximo passo, Mundus vai até uma livraria onde encontra, além de Fernando Pessoa, um livro de uma única edição, cujo autor chama-se Prado. Acostumado a traduções gregas e latinas, um dicionário de português não é nada para esse cara. E lá vai ele para casa, lutar com o texto, tentando entender a vida do português médico e revolucionário. Horas depois, ele está em um trem para Lisboa, a terra do português (sem piadinhas). É impossível não sentir um certo orgulho em ser um dos falantes dessa tão fascinante língua, pelo menos na opinião dele. Mas o autor faz muito mais do que nos mimar. Ao investigar a vida e os textos de Prado, Mundus nos leva por uma incrível aula de filosofia, pois cada escrito descoberto do português traz questionamentos ao mesmo tempo óbvios e surpreendentes, como quando uma criança nos faz perguntas desconcertantes para as quais já esquecemos de procurar as respostas. E é justamente essa inquietude dos questionamentos que pacifica a alma do leitor. Como pensar em nossos idiotas problemas quando as coisas mais importantes de todo universo, como a vida e a morte, estão ali, na nossa frente, descritas em belíssimas e deslizantes linhas, sugando nossa atenção?&lt;br /&gt;Portanto, ler “Um trem noturno para Lisboa” não é somente lazer, é também terapia. Cheguei mesmo a tomar algumas decisões importantes levada pela impetuosidade dos personagens. Claro que não vou dizer como termina a busca de Mundus, simplesmente porque sua história não é daquelas que acabam no fim do livro. Ela fica conosco, nos reconfortando ou desassossegando, quando menos esperamos ou quando mais precisamos, em algum lugar entre o cérebro e coração.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-7871393198348657109?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/7871393198348657109/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=7871393198348657109' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7871393198348657109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7871393198348657109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2009/07/um-trem-noturno-para-lisboa.html' title='Um trem noturno para Lisboa'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-4193546366392130550</id><published>2009-06-15T12:13:00.000-07:00</published><updated>2009-06-15T12:14:15.464-07:00</updated><title type='text'>À caça de Harry Winston – Lauren Weisberg</title><content type='html'>Sobre o quê: Durante um jantar, três amigas fazem uma aposta que envolve mudanças radicais no modo em que cada uma se relaciona com homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Quando você tem excelentes expectativas a respeito de um autor, duas coisas podem acontecer: uma enorme satisfação ou uma enorme decepção. Infelizmente, fiquei com a segunda. Não que a obra anterior da autora não tivesse dado sinais de que ela se tratava de um típico caso de best-seller de primeiro livro, mas também não era uma bobagem absoluta.&lt;br /&gt;Pois bem, “À caça de Harry...” precisaria melhorar muito para se tornar uma bobagem absoluta. As bobagens absolutas são leves e não nos deixam com raiva ou da autora ou de nós mesmos ou de tudo ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Enquanto lia as mal traçadas linhas de Lauren, me perguntei centenas de vezes a razão de ter escolhido um livro com um título tão idiota. A resposta, claro, era que não me dei ao trabalho de avaliar o livro antes de comprar, totalmente seduzida pela possibilidade de ler algo tão bom quanto “O Diabo veste prada”. Lógico que também apaguei do cérebro o quanto foi decepcionante ler o segundo romance de Lauren, “Todo mundo que vale a pena conhecer”. Pensei que, na pior das hipóteses, daria algumas gargalhadas. E olha que a orelha do livro nos dá uma pista a qual jamais deve ser ignorada - há uma personagem brasileira no livro - ninguém desconhece a idéia que a maioria dos americanos faz do Brasil, especialmente das mulheres, mesmo assim me orgulho de não ter preconceito quanto a autores americanos nem quanto à chamada literatura feminina, termo com o qual jamais concordei. Por isso, admito a surpresa quando vi que a personagem brasileira era caricática, pra dizer o mínimo, Uma linda mulher desocupada de 30 anos, filha de um rico empresário paulista e uma ex-modelo, estilo garota de Ipanema. Disse desocupada? Não é bem assim, ela até que se ocupa bastante em seduzir todos os homens que encontra pela frente e em ensinar às inocentes americanas essa irresistível arte que toda brasileira aprende desde pequena. Não se considere enjoado(a) só com isso, falta muito. Outra coisa que, segundo a autora, aprendemos desde pequenos é o espanhol, nossa segunda língua. É de se perguntar onde isso acontece, já que qualquer americano vê mais placas em espanhol numa volta de 15 minutos em Miami, NY ou Los Angeles do que um brasileiro veria se resolvesse atravessar o país inteiro. Lógico que espanhol e português podem ser parecidos para quem fala inglês ou alemão, mas daí a confundir quem fala uma coisa com quem fala outra, vai uma distância do Oiapoque ao Chuí. Páginas adiante, nossa autora mostra mesmo que faltou às aulas de geografia quando chama um cubano de sul americano ( provavelmente porque ele fala espanhol).&lt;br /&gt;Erros crassos e ao mesmo tempo perdoáveis se a história fosse boazinha pelo menos. Acontece que as outras personagens, uma editora e uma chef de cozinha não são menos inverossímeis. Só para ilustrar: a primeira tem um caso com um homem casado, o qual provoca um rompimento por admitir ser casado, mas assim mesmo espera mais de seis meses para dizer à tal editora que casamento dele é irreal, uma farsa para conseguir um visto de trabalho para uma asiática. Sem comentários. Suas vidas passam ao longe pelo engraçado, encaminhando-se somente para o ridículo total. O ritmo da narrativa também não podia ser mais confuso, é um daqueles livros que nasceu querendo ser filme sem adaptações de roteiro, meses passam se atropelando de uma página para outra, fazendo o leitor cair no meio de uma cena que parece ter começado em algum lugar fora do romance. Enquanto isso, em outro capítulo, minutos se arrastam por dez, vinte páginas de descrições, lembranças e ponderações sobre a vida. Para completar, o final consegue ao mesmo tempo ser previsível e chegar de sopetão. De um segundo para o outro, soa a trombeta e todas as personagens encontram seus finais felizes, com ou sem príncipes encantados. E aqueles que acham que essa crítica está muito extensa devem apenas agradecer por eu não mencionar todos os escorregões que transformam esse romance em verdadeiro pastelão.&lt;br /&gt;Como alguém que escreveu um livro tão bom como “O diabo veste prada” pode escrever um livro tão ruim é a pergunta que não quer calar. A resposta, imagino, deve ser o fato de o primeiro ter sido totalmente autobiográfico, enquanto o segundo e o terceiro foram obras de ficção.&lt;br /&gt;Então, das duas uma, ou Lauren Weisberg está vivendo pouco ou está escrevendo demais. Na dúvida, melhor não ler.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-4193546366392130550?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/4193546366392130550/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=4193546366392130550' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/4193546366392130550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/4193546366392130550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2009/06/caca-de-harry-winston-lauren-weisberg.html' title='À caça de Harry Winston – Lauren Weisberg'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-2871158167772147200</id><published>2009-05-29T08:54:00.000-07:00</published><updated>2009-05-29T08:56:03.021-07:00</updated><title type='text'>Lembra de mim? – Sophie Kinsella</title><content type='html'>Sobre o quê: Uma mulher acorda de um acidente sem lembrar coisa alguma dos últimos três anos. Justamente a época em que sua vida mudou por inteiro. Ela se tornou diretora da empresa, casou, reformulou seu visual, ganhou milhões e simplesmente não tem idéia de como isso tudo aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Lembram de Becky? Claro que foi pensando na estrela do consumo criada pela autora que agarrei com todas as forças esse romance e arranquei-o da prateleira da livraria. O último livro de Sophie, sobre a irmã de Becky, apesar de seu toque magistral, não tem o brilho característico que a personagem Becky merece. Pois bem, Becky reencarnou em Lexi, a protagonista de “Lembra de Mim”, e reassumiu seu brilho original.&lt;br /&gt;É certo que falam em diversas fórmulas para o escritor se manter em sucesso, entre elas dar férias a seus personagens de vez em quando, partir pra outra, digamos assim. Parece que foi isso que Sophie fez: apagou aquele conturbado passado de Becky, que, convenhamos, não é um ponto de partida fácil para história alguma, e olhou para uma página em branco. Talvez essa tenha sido exatamente a idéia da autora ao criar uma personagem com amnésia, o branco total, começar do zero mesmo.&lt;br /&gt;O resultado foi que nasceu de novo a personagem brilhante feminina, tenha ela o nome que tiver. Importa mais que essa mulher seja fiel a cada um dos leitores (me recuso a falar em literatura feminina) do que seja fiel a um passado de ficção que nem sempre contribui para um bom desdobramento. Penso que,se forem como eu, os leitores de Sophie não estão apaixonados nem por Becky, nem por Lexi, mas pela pessoa um pouco desastrada, assustadoramente comum e surpreendentemente maravilhosa que surge em todos nós quando rimos, ou melhor, gargalhamos, com as aventuras da personagem.&lt;br /&gt;Em plena forma do desastre, a desajeitada Lexi se depara com uma linda mulher no espelho e um marido primoroso em casa. O que fazer quando tudo parece tão perfeito? Descobrir falhas, claro! Um amante, amigas invejosas, família em crise, colegas de trabalho trapaceiros e um cabelo cada dia mais sem brilho vão lembrando a nossa desmemoriada de que nem tudo é o que parece. Ou que a grama do vizinho só parece mais verde até você se tornar o próprio vizinho ou que pimenta nos olhos dos outros é refresco ou sei lá o que mais. Sei apenas que é frenético e engraçadíssimo, 200 e poucas ( ou teriam sido 300...) que parecem ter sido lidas em 2 minutos. O mesmo texto ágil de sempre com o conteúdo hilário renovado. &lt;br /&gt;Eu já disse o quanto eu ri?&lt;br /&gt;É claro, eu lembrei da personagem anterior, como o título ( suspeito eu) cismava em sugerir, mas muito mais lembrei do quanto é importante rir da própria vida e do quanto são maravilhosas as história de Sophie Kinsella.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-2871158167772147200?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/2871158167772147200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=2871158167772147200' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/2871158167772147200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/2871158167772147200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2009/05/lembra-de-mim-sophie-kinsella.html' title='Lembra de mim? – Sophie Kinsella'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-7877055177566125164</id><published>2009-05-12T08:14:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T08:15:11.229-07:00</updated><title type='text'>Desculpem, sou novo aqui – Carlos Moraes</title><content type='html'>Sobre o quê: Estamos nos anos 70. Um ex-padre, que havia sido preso por razões políticas, sai da cadeia e vai para São Paulo decidido a começar uma vida teoricamente normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Críticas: Vou adiantando de cara que só tenho coisas boas a dizer do livro, então vamos ao único “senão”. Pelo que entendi, o livro foi lançado agora (2009) e o autor, que também é ex-padre e ex-preso, já havia lançado outros com assuntos parecidos, então, não sei se por loucura da minha perturbada cabeça de leitora, cismei que a história era atual até começar a me espantar com algumas referências, principalmente  à facilidade de se arrumar um emprego. Bom, falha minha. O livro trata da época de 70, uma daquelas épocas que a gente sente saudade mesmo sem ter vivido, pelo romantismo dos cigarros que não eram ícones do câncer, da dignidade da profissão do redator (seja de propaganda ou de jornal), essas coisas que o progresso leva embora.&lt;br /&gt;Mas nada disso tem a ver com a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando comecei a ler esse livro, pensei que uma leitura pode nos trazer o esperado, o inesperado ou as duas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desculpem, sou novo aqui” nos traz as duas coisas. O esperado quando se conta que um ex-padre vai começar a viver como uma pessoa mundana ( leia-se pessoa do mundo, sem tom pejorativo) é que ele seja alvo de piadinhas por parte dos colegas de trabalho, seja olhado como um allien por ter feito um voto de castidade, seja alvo de enorme curiosidade por parte de todos, pois padre muitas vezes nos parece alguém entre o ser humano e Deus. O personagem de Carlos Moraes passa por tudo isso, por todos os primeiros alguma coisa de uma vida (de novo) mundana, principalmente os códigos, os quais ele faz questão de repetir que não entende. Então, do alto da nossa experiência comum, sorrimos por dentro para reconhecer com quantos inúmeros e aparentemente indecifráveis códigos convivemos o tempo todo, desde uma buzinada ao motorista da frente, a um sorrisinho com segundas ou terceiras intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, visto o esperado, vêem as surpresas. Todas deliciosas. Talvez a melhor delas seja a matéria onde o ex-padre tem que dizer “jornalisticamente” quem foi Jesus Cristo. Se as declarações de amor a Deus podem ser feitas de muitas formas, o autor certamente nos mostra uma das mais originais e agradáveis. Ele fala ( me arrisco a dizer que há semelhança com a santíssima trindade) de três maneiras de ver Jesus, como se Ele de letra maiúscula pudesse na verdade ser muitas pessoas, pois cada um vê com seus próprios olhos, ou seja, à sua maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Destaquei esse ponto, mas a obra não tem nada de religiosa ou tem tudo pra nos mostrar que não há coisa alguma que não seja religiosa. O próprio autor diz que suas grandes devoções são Jesus Cristo e o Corintians, então espere um pouco de futebol também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sobretudo, espere rir muito, pois o texto de Carlos Moraes é brilhante. Fluindo tranqüilamente nos leva a verdadeiras gargalhadas com suas ironias e metáforas. Quer dizer que você não vai conseguir ler de uma vez só, pois vai ter de parar várias vezes para retomar o fôlego, seja por um aperto no peito, uma intensa risada ou uma gostosa cosquinha na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora que eu já falei do esperado e do inesperado, tenha certeza que ainda sobrou muito pra você descobrir em “Desculpe, eu sou novo aqui”. Há mais coisas entre textos como esse e o leitor do que supõe nossa vã sabedoria. Pois Deus sabe o que faz, Carlos Moraes sabe o que escreve e quem não leu não sabe o que está perdendo.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-7877055177566125164?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/7877055177566125164/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=7877055177566125164' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7877055177566125164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7877055177566125164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2009/05/desculpem-sou-novo-aqui-carlos-moraes.html' title='Desculpem, sou novo aqui – Carlos Moraes'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-7082963483957276758</id><published>2009-04-29T14:23:00.000-07:00</published><updated>2009-05-12T08:13:58.946-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chico buarque leite derramado'/><title type='text'>Leite Derramado - Chico Buarque</title><content type='html'>Sobre o quê: Em seu leito de morte, um ancião de 100 anos e alguma coisa faz uma retrospectiva da sua vida. O passado tem como cenário um rio de janeiro marcado por grandes acontecimentos políticos, intensamente refletidos na vida da sociedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Depois de tanto tempo sem fazer uma resenha, talvez essa seja a mais inútil das voltas. Elogiar o livro do Chico Buarque. Contar a todos a grande novidade: não há novidades. O autor fez o de sempre, foi brilhante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me faz feliz estar aqui, chovendo no molhado, dizendo que o texto de Chico é mais que prosa ou poesia, é musical de tão ritmado. Talvez por isso, da mesma maneira que desejamos ouvir várias vezes uma música boa, dá vontade de ler e reler os livros do Chico Buarque, como se estivéssemos simplesmente apertando o play.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se antes o autor fazia músicas que contavam histórias, agora escreve história que cantam músicas. Palavras que, de tão perfeitas, soam como aquelas melodias que ganham novos sentidos e mais beleza a cada reprodução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo cíclico nos textos do Chico, que sacia uma sede que o próprio texto só faz aumentar. Ou aumenta uma sede que só o próprio texto pode saciar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um artesão de palavras. Assim é o autor que novamente nos presenteia com uma obra de arte. A vida de Eulálio, o velho moribundo que nas páginas vira menino inocente, jovem irresponsável, adulto ganancioso, sem nunca deixar de ser um homem apaixonado. Na história de seu amor perdido, ele perde também o poder, o dinheiro e a juventude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo de melancolia no livro de Chico, uma constatação cabisbaixa que a vida não se satisfaz em nos tirar a forma do corpo, os fios de cabelo, o brilho da pele, a vida faz questão, às vezes, de, antes de ir embora, nos tirar a própria dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A morte é o destino trágico de todas as vidas que, mesmo assim ou por isso mesmo, não precisam ser tão previsíveis e lineares. Podemos começar, terminar, recomeçar, parar no meio, voltar para outro ponto, como a memória caprichosa do velho personagem, como o texto perfeito de Chico Buarque. Cíclico, melancólico e irresistível como o próprio ato de viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-7082963483957276758?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/7082963483957276758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=7082963483957276758' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7082963483957276758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7082963483957276758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2009/04/leite-derramado-chico-buarque.html' title='Leite Derramado - Chico Buarque'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-5743905067593522347</id><published>2008-12-23T05:20:00.000-08:00</published><updated>2008-12-23T05:21:38.757-08:00</updated><title type='text'>A primeira mulher – Miguel Sanches Neto</title><content type='html'>Sobre o quê: Aos 40 anos, um professor de literatura solteirão tenta entender sua vida amorosa e, ao mesmo tempo, desvendar um mistério envolvendo sua primeira namorada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica:&lt;br /&gt;No filme “Três solteirões e um bebê”, que já foi reprisado milhares de vezes em todas os canais, havia uma cena em que o solteirão principal lia um manual técnico para o bebê dormir. Nisso, outro solteirão perguntava o que ele estava fazendo, pois era óbvio que um recém-nascido não iria entender aquilo. Sua explicação era simples e convincente: não importa o que eu diga, contanto que seja no ritmo de uma historinha de dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos ao que isso tem a ver com o livro do Miguel Sanches. Teoricamente, é um suspense, o professor torna-se investigador para descobrir quem está chantageando sua primeira namorada, Solange. Acontece que ela é candidata a deputada, construiu sua popularidade em cima da busca de um filho desaparecido, é a porta-voz das mães e mulheres lutadoras, mas quando a eleição está próxima alguém começa a telefonar, dizendo que seu filho está vivo e vai revelar uma verdade terrível, capaz de destruir a candidatura de Solange. Pronto. Fez-se o fio condutor do mistério, mas será que o escritor quer escrever um mistério? Será que os leitores estão interessados nisso? No fundo, não importa aqui se o filho de Solange está vivo, morto ou virou um vampiro chantagista, o que importa é acompanhar a vida amorosa de Carlos Eduardo, o professor investigador protagonista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja se não é mais interessante: todo ano ele tem um caso com uma ou mais alunas de suas classes de literatura, a atual se chama Líria, é branca como um Lírio ( desculpem, mas é isso mesmo) e , ao contrário das outras que só queriam passar de ano, está realmente apaixonada pelo professor. Por Solange, ele sente um amor eterno que se confunde com a eterna busca pela paixão perdida da juventude, e não faltam chances para sua procura, pois ele se torna guarda-costas ( entre outras partes) da deputada. Tem ainda a empregada de Solange, que ele pega em nome da desigualdade social e da luta de classes; inclua-se também alguma profissional para o trivial sexo pago. Isso sem falar no relacionamento simultaneamente lacônico e amoroso do professor com a mãe dele, leve ou pesadamente edipiano. Óbvio que, com tantos afazeres e acomeres, nosso professor não se interessa em descobrir patavinas nenhumas. O leitor pode ficar tentado, como eu, a fazer suas especulações para solução do mistério, mas logo perceberá que o mistério não faz a menor diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A real viagem que Miguel Sanchez nos oferece é por uma prosa suave, companheira, um bate papo sobre o amor, a juventude, essas coisas gostosas de se conversar com um amigo. E, nessa viagem, o leitor ainda vai encontrar, como pitorescos pontos turísticos, versos poéticos entremeados em capítulos próprios, poesias no estilo de “cantigas dos amigos”, que vai reconhecer quem já estudou algo de literatura, mas isso é um mero detalhe, diante da real beleza dos versos. Poesia que cai como uma luva para uma história de amor e flutua meio bobamente num pretenso suspense.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, melhor esquecer esse lance de filho da deputada, de ameaça, chantagem, o autor quer é que pensemos em amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se há algo a se descobrir no livro é somente a identidade da primeira mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-5743905067593522347?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/5743905067593522347/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=5743905067593522347' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/5743905067593522347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/5743905067593522347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2008/12/primeira-mulher-miguel-sanches-neto.html' title='A primeira mulher – Miguel Sanches Neto'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-7315901855060915906</id><published>2008-07-22T06:47:00.000-07:00</published><updated>2008-07-22T06:48:43.514-07:00</updated><title type='text'>A interpretação do assassinato – Jed Rubenfeld</title><content type='html'>Sobre o quê: No início do século passado, Freud e Jung juntam-se a outros percussores da psicanálise para desvendar uma série de assassinatos em Nova Iorque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Quando um livro parece bom demais para ser verdade, a gente tenta não alimentar expectativas até pelo menos as últimas 5 páginas.&lt;br /&gt;“A interpretação do assassinato”, no entanto, tem texto para derrubar as dúvidas do leitor mais desconfiado antes mesmo de se chegar ao meio.&lt;br /&gt;Pensei que ainda que o final fosse um absurdo total, teria valido a pena. Explico: o autor tem uma qualidade rara: a capacidade absurda de unir forma e conteúdo. Não só a prosa é leve e deliciosa como também traz um enredo intrigante e cheio de curiosidades interessantíssimas do mundo da psicanálise. O assassinato em série, fio condutor da história, é investigado por um atrapalhado detetive e um azarado legista, mas a vítima sobrevivente é tratada pelo discípulo de Freud, o inventado personagem Younger, que também se apaixona pela analisada. Com uma trama dessas, nosso autor esbanja talento indo e vindo sem tropeções da comédia à profundidade de interpretações psicanalíticas e shakespearianas.&lt;br /&gt;Como brinde extra para os leitores, há ainda a intimidade de Freud e Jung, seu conturbado relacionamento com os temas edipianos e a briga de ideologias com uma corrente de neurologistas. E tudo isso não é ficção, ou grande parte disso não é ficção, como descobrimos ao ler a última página, que, aliás, devia ser lido no início, ou todos correm o risco de, como eu, ter vontade de ler o livro de novo, agora dando mais importância às informações verídicas.&lt;br /&gt;Fica a certeza de que, enquanto alguns livros são rabiscados e outros ordinariamente escritos, poucos são verdadeiramente construídos e arquitetados. É esse o caso de a interpretação do assassinato, onde o autor usa os materiais mais nobres do suspense para erguer uma cuidadosamente elevada estrutura textual. Mais do que uma obra literária. É uma obra de arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-7315901855060915906?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/7315901855060915906/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=7315901855060915906' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7315901855060915906'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7315901855060915906'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2008/07/interpretao-do-assassinato-jed.html' title='A interpretação do assassinato – Jed Rubenfeld'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-7266173176533095753</id><published>2007-10-26T16:53:00.000-07:00</published><updated>2007-10-26T16:56:35.865-07:00</updated><title type='text'>Um livro por dia – Jeremy Mercer</title><content type='html'>Sobre o quê: Um repórter policial canadense conta sua história ( acho que verídica) de quando passou cerca de 4 meses abrigado na peculiar livraria Shakespeare and Company em Paris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: O título é, no mínimo, enganador. Ele dá a idéia de que haverá algum obstáculo a ser transposto ou algum prazer a ser deleitado diariamente. Ele dá a idéia de que existe um enredo, sabe aqueles pressupostos de uma história: situação inicial, conflito, resolução, situação final, mais ou menos isso.&lt;br /&gt;Se eu tivesse renomear essa obra, chamaria “Deus, me dê paciência”. Claro, há alguns elogios que devem ser feitos. Vamos a eles que vai ser rápido. O texto é bem escrito, as descrições não são entediantes, o autor consegue despertar nossa curiosidade sobre a livraria, e qualquer leitor gosta de livraria...aí acabou. Viu como foi rápido? Incrivelmente, um bom escritor falando de uma boa livraria não conseguiu escrever uma história.&lt;br /&gt;Vejam bem, não é questão de julgar se a história é boa ou ruim, a história não existe. Nada acontece. No começo, a descrição da livraria e dos dias parisienses é bem agradável. O problema é que essa sensação agradável é justificada não só pelo bom tom do texto, mas pela antecipação da boa história que está por vir, está por vir, está por vir e não vem nunca. Só quando faltavam umas 50 páginas pra terminar foi que me dei conta que nada jamais aconteceria, ou todos os dias aconteceriam coisas banais e  nenhum evento seria o propulsor de algo digno de ser chamado de romance de qualquer tipo.&lt;br /&gt;Claro que tudo deriva da expectativa. Se você compra um livro chamado “diário de viagem” , você não espera um fio da meada que conduza a um gran finale. Justiça seja feita, o subtítulo do livro é “minha temporada parisiense na shakespare and company”. Talvez a culpa tenho sido mesmo minha de esperar algo de mais. Sinceramente nunca imaginei que a temporada parisiense dele pudesse ser tão chata (desculpem, mas essa é a palavra). O livro se resume em contar que o dono da livraria é um intelectual comunista com ideais de liberdade e sociedade louváveis, que a livraria , além de servir de albergue para escritores, é desorganizada e suja, que os moram lá são pessoas perturbadas em busca de algo que não sabem o que é e que o autor é uma dessas pessoas. Como isso não é exatamente muita informação, o autor nos conta esses fatos nas primeira 10 ou 20 páginas. Depois só nos resta ler a mesma coisa pelas outras 250 páginas que sobram. &lt;br /&gt;Há um certo orgulho em conseguir terminar. Não é pra qualquer um. Até porque, não é um livro por dia, mas a mesma história todo dia. Minha recomendação: não tente fazer isso em casa.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-7266173176533095753?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/7266173176533095753/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=7266173176533095753' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7266173176533095753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/7266173176533095753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/10/um-livro-por-dia-jeremy-mercer.html' title='Um livro por dia – Jeremy Mercer'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-2940355409965025464</id><published>2007-10-24T06:19:00.001-07:00</published><updated>2007-10-24T06:19:53.808-07:00</updated><title type='text'>Mente Assassina – P.D. James</title><content type='html'>Sobre o quê: Um assassinato numa clínica psiquiátrica famosa de Londres coloca médicos e outros funcionários sob suspeita. Para desvendar o mistério, é chamado  o inspetor Adam Dalgliesh.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Como dizia aquele nobre filósofo, “de onde menos se espera  é que não sai nada mesmo”. Talvez se eu tivesse esperado menos, claro, minha decepção teria sido menor. Mas como esperar pouco de um enredo desses? Londres, clínica psiquiátrica, médicos e loucos se misturando, assassinos, um inspetor frio, noites frias, neblina. Tenho a impressão que até a mãe do Romário de cadeira de rodas faria um gol desses, né não?&lt;br /&gt;Infelizmente, PD James bateu pra fora e perdeu a chance de usar todos os elementos de um clássico de suspense para fazer um clássico de suspense.&lt;br /&gt;Basicamente, a história é arrastada, apesar, mais uma vez apesar, de todos os elementos necessários para ser dinâmica. Os eventos não são encadeados, os personagens se movem num ambiente aparentemente sem gravidade, seus atos parecem não surtir efeito. O próprio inspetor não diz ao que veio, não assume personalidade alguma, inicia um romance com uma personagem que simplesmente desaparece da história ( bem fez ela).&lt;br /&gt;Não é preciso entender muito de literatura para saber o seguinte: o mínimo que um suspense deve fazer é despertar sua curiosidade para o final. Em Mentes Assassinas, há excesso de brumas, aliado à chata mania de colocar nomes parecidos em personagens que nos confundem, tudo isso numa estrutura média, o livro não chega a ser ruim. Não é um texto que nos faz sentir raiva e vontade de joga-lo na parede. O problema é que ele desperta uma expectativa que jamais é satisfeita. Mas para matar a esperança de um leitor de mistério só no final mesmo, porque a gente sempre espera uma reviravolta de duas páginas pelo menos, algo que vai nos compensar por tanto lenga lenga. Bom, em Mentes Assassinas essa esperança morre também junto com as outras mortes do fim do livro. Nada que surpreenda alguém. Nada que justifique alguma coisa. Ao que tudo indica, PD James é uma escritora competente que, pouco inspirada, usou uma fórmula básica como alternativa à criatividade, por isso gerou uma obra oca, sem o conteúdo que fizesse jus à sua aparência de bom mistério.&lt;br /&gt;Acho que isso pode se chamar de contar o final do livro. Mas tudo bem, nesse caso, não vale a pena nem começar.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-2940355409965025464?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/2940355409965025464/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=2940355409965025464' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/2940355409965025464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/2940355409965025464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/10/mente-assassina-pd-james.html' title='Mente Assassina – P.D. James'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-1871762199148934297</id><published>2007-10-23T04:31:00.000-07:00</published><updated>2007-10-23T04:33:58.952-07:00</updated><title type='text'>Todo mundo que vale a pena conhecer - Lauren Weisberger</title><content type='html'>Sobre o quê – Ela trabalha no UBS, um conhecido banco de investimentos, e tem um função considerada pouco glamourosa no universo feminino: atender a investidores descontentes, garantindo que a melhora dos seus rendimento é só uma questão de tempo. Ela está insatisfeita e, no meio de uma discussão com seu chefe, lhe escapa da boca um pedido de demissão. Pronto. É o início de uma nova vida onde ser fútil não é fútil, é básico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Lauren provou que tem talento ao escrever “O  Diabo veste Prada”, nunca é demais lembrar o quanto o livro é enérgico, hilariante e pertinente. Ao escrever “Todo mundo que vale a pena conhecer”, Lauren provou que é um ser humano, ou seja, está sujeita a falhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última obra da autora está longe de ser tediosa, o ritmo, ainda que tenha se tornado mais lento, continua frenético o suficiente para fazer 300 páginas parecerem 30. As situações engraçadas também estão longe de serem sem-graça, o texto continua fazendo o leitor rir sozinho com cara de pateta para quem está olhando. Porém, contudo, entretanto...O livro também está longe de ser tão bom quanto o primeiro. Errar é fácil. Todo mundo sabe como acontece. Os problemas são solucionados rápido demais, situações inverossímeis assumem ares de gran finalle, a contagem do tempo parece estranha. Finalmente, alguma coisa nos dá a impressão de baboseira. Deixando minhas considerações sobre o termo “literatura feminina” e suas implicações de lado, toda mulher quer um príncipe encantado, porém se ele estiver barbeado demais, se o cavalo for branco demais e se o castelo brilhante de doer, fica tudo meio chato...Filosoficamente, todas queremos ser barbies mas nenhuma de nós quer transar com o idiota do Ken ( ou seria Bob?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que estou tentando dizer com esse festival de metáforas é que a autora começou escrevendo um libelo contra repressão de empregos chatos e terminou num conto de fadas. Sempre gosto de deixar claro que, quando escrevo sobre um alguém de quem já li algo, comparo a pessoa com ela própria. Comparada a qualquer outra autora comum, Lauren teria escrito um ótimo e divertido livro. Comparada a autora de “O Diabo veste Prada”, ela produziu um esboço de piadas boazinhas numa narrativa leve, doce e gostosa. E, talvez no esforço de continuar assim, o final tornou-se doce demais até ficar enjoativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que se admitir, entretanto, que a Weisenberg conhece a alma feminina e sabe lidar com ela. Por isso, e apesar de tudo que escrevi acima, reconheço que somos seres cheios de contradições e recomendo o livro a quem estiver a fim de umas boas risadas.&lt;br /&gt;Gargalhadas mesmo, creio e espero, vão ficar pro próximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-1871762199148934297?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/1871762199148934297/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=1871762199148934297' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/1871762199148934297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/1871762199148934297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/10/todo-mundo-que-vale-pena-conhecer.html' title='Todo mundo que vale a pena conhecer - Lauren Weisberger'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-3531420745768026416</id><published>2007-08-24T08:07:00.000-07:00</published><updated>2007-08-24T08:10:20.009-07:00</updated><title type='text'>Almost Blue – Caco Lucarelli</title><content type='html'>Sobre o quê: De diferente formas, três personagens estão envolvidos numa série de crimes. O assassino, um psicopata que troca de identidade a cada vítima. A detetive, que luta contra a solidão que a persegue e pra ter seu trabalho reconhecido. E um cego que passa os dias ouvindo um tipo de rádio amador. Ele é, por acaso, o único capaz de reconhecer o criminoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Todo leitor acredita que existe uma força superior que o une aos livros. Algo como o destino que rege os encontros amorosos. Às vezes você caça, outras é caçado. Pois algumas vezes os livros escolhem o leitor, e não ao contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almost Blue jamais esteve na banca das novidades, nem dos mais nem dos menos vendidos (devia existir isso). Entretanto, em cerca de 6 meses o escolhi (aleatoriamente?) em estantes de lugares completamente diferentes como a biblioteca de um curso, um sebo e uma livraria. O lagarto na capa verde e azul, o nome em inglês de um autor que eu pensava que era brasileiro...alguma coisa me chamava naquele livro. Um dia entrei numa livraria e fiquei procurando, só de sacanagem foi a única vez que não o vi. Aí decidi que quem mandava no meu destino era eu, fui até o vendedor, pedi o livro, ele demorou a ser encontrado (Caco Lucarelli é italiano – era meio óbvio, né?), finalmente eu comprei. Mas chega de falar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almost Blue. Cheguei a procurar no dicionário uma palavra, que eu não consigo encontrar na minha cabeça, pra adjetivar esse livro. Podia ficar aqui com fantástico, chocante, surpreendente, lancinante, certeiro, sei lá mais o quê. Não sei como descrever nem sei como alguém conseguiu escrever um livro tão cinematográfico ( será que encontrei a palavra?). Pela primeira vez tive a sensação de estar vendo um filme de ação enquanto lia um livro. Não por acaso, o autor é colaborador de Roman Polansky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu seja muito fã de filmes de ação, mas é diferente quando as cenas acontecem dentro da sua cabeça. Claro que a linguagem é frenética, você vira as páginas sem perceber, mas o mais instigante é mudança da pessoa do narrador. Sei que essa expressão parece ter saído de uma aula de teoria literária, mas eu não estou fazendo uma referência gramatical. Acontece que a história é contada por um narrador ausente quando fala da detetive, pelo cego e pelo assassino simultaneamente. E o assassino é um cara doido que não sabe quem é. E você é um leitor doido que não sabe quem está falando, se é o cego ou o doido, porque o cego também não bate muito bem. Como num jogo de videogame, você tem que  ficar atento o tempo todo pra não se perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso poderia ser horrivelmente chato e fazer você desistir de ler se não fosse feito do jeito certo, como uma comédia que tem o tempo exato pra platéia rir, o suspense não chega a deixar você tonto a ponto de perder o interesse. De alguma maneira sobre humana, Caco consegue fazer a revelação na hora certa do suspense máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada descoberta de narrador traz ainda uma novidade pra história, as peças do quebra-cabeça vão se completando até chegar num final poético. Agora o adjetivo é esse mesmo. É como enxergar uma praia paradisíaca após de ter sobrevivido a um naufrágio. Depois de um puta exercício aeróbico, seu cérebro vai relaxar e gozar nas últimas linhas. E linhas é uma palavra tão limitada. Melhor seria dizer últimas cenas. Cenas de um daqueles filme que deixam a gente com cara de babaca fingindo ler os créditos, sem forças pra levantar e ir embora do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-3531420745768026416?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/3531420745768026416/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=3531420745768026416' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/3531420745768026416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/3531420745768026416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/08/almost-blue-caco-lucarelli.html' title='Almost Blue – Caco Lucarelli'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-9014978425181047040</id><published>2007-06-06T07:08:00.000-07:00</published><updated>2007-06-06T07:11:42.994-07:00</updated><title type='text'>Os amigos do crime perfeito – Andrés Trapiello</title><content type='html'>Sobre o quê: Um grupo de amigos aficcionados por romances policiais se reúne para filosofar sobre o crime perfeito. Isso até que um verdadeiro assassinato se encarregue de mostrar as diferenças entre a realidade de um crime e a filosofia das discussões deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Graças a Deus acabou. Sei que isso não é a melhor maneira de começar uma crítica, mas o nome desse livro bem poderia ser “os inimigos do crime perfeito”. Antes de entrar no mérito que me leva a ser tão cruel, vamos dar os créditos justos e necessários ao autor.&lt;br /&gt;Andrés Trapiello tem um ótimo texto, ao mesmo tempo ágil e suave. De outra maneira, sinceramente eu não teria conseguido chegar ao final do livro.&lt;br /&gt;É como colocar um ótimo ator num filme sem roteiro, ele tenta em vão salvar uma história, mas a única emoção que consegue despertar é a pena pelo desperdício do seu talento.&lt;br /&gt;As palavras do nosso autor gritam, choram, sussurram, usam de todos os artíficios, mas não conseguem fazer de “os amigos do crime perfeito” um livro bom. A história não existe, o foco muda constantemente, o leitor fica perdido sem saber em que acontecimentos prestar atenção. Há muita informação, e nenhuma delas parece ter alguma relação uma com a outra.&lt;br /&gt;Paco Cortez, o personagem principal, é um escritor, ele resolve deixar de escrever e voltar pra sua mulher. E daí? Isso é relevante? Não se sabe. Sua mulher é filha de um policial corrupto e alcoolátra. Tá...Um dos participantes dos ACP ( Amigos do Crime Perfeito) é apaixonado por uma viciada em heroína cujo ex-marido vive aparecendo., E o tal do crime, fator, diria eu fundamental, a um romance policial, só acontece depois de umas 250, isso mesmo 250 páginas de nem sei o quê.&lt;br /&gt;Mesmo após o crime, vemos que uma série de lebres foi levantada e permaneceu lá no alto, esquecidas lebres coitadinhas.&lt;br /&gt;Ainda ajuda o leitor insone a evitar tranquilizantes, o fato de cada um dos participantes do ACP ter um pseudônimo. Paco por exemplo é Sam Spade, tem o sherlock hommes, o Nero Wolfe. Quer dizer que além de decorar um monte de histórias soltas e complexas, o pobre leitor ainda tem que lembrar de cerca de 10 nomes para 5 pessoas. Haja memória.&lt;br /&gt;Claro que as coisas melhroram quando, por volta da página 300, alguma campainha toca e faz lembrar que aquilo é um romance policial, gente tem que morrer, gente tem ser investigada, motivos, assassinos, essas coisinhas básicos. Como aí faltam só umas 50 páginas para o fim do suplício, nosso autor sai correndo e consegue juntar algumas pontas daquelas histórias que estavam perdidas por aí. Pessolmente, minha vontade de ler a última linha e fazer outra coisa qualquer era tão grande que nem liguei muito.&lt;br /&gt;Só um último aviso: se você deseja recomendar esse livro a alguém, não o faça a quem, como eu, é amiga de um crime perfeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-9014978425181047040?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/9014978425181047040/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=9014978425181047040' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/9014978425181047040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/9014978425181047040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/06/os-amigos-do-crime-perfeito-andrs.html' title='Os amigos do crime perfeito – Andrés Trapiello'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-117017559388723122</id><published>2007-01-30T08:43:00.000-08:00</published><updated>2007-01-30T08:46:33.906-08:00</updated><title type='text'>A décima Segunda noite – Luis Fernando Veríssimo</title><content type='html'>Sobre o quê: A adaptação da obra de Shakespare tem como narrador o papagaio Henri. Ele vive num salão em Paris e precisa relatar a um gravador a história que presenciou. Uma complicada trama de contrabando em imagem de santos onde todo mundo se apaixona, inclusive o papagaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Veríssimo é, desde sempre, um escritor genial. O mínimo que se pode dizer sobre seu romance é que faz juz à genialidade e à fama do autor. Como se fosse um ginasta consagrado que, mais uma vez, nos deixa fascinados com um salto perfeito.&lt;br /&gt;É um livro para ser lido numa tarde se você não for como eu. Tenho muita pena de devorar um texto desses de uma vez só, porque sei que não existem muitos veríssimos por aí pra eu ler depois.&lt;br /&gt;Assim, tentei ir o mais devagar possível, porém “A décima Segunda Noite” exige uma certa agilidade. São muitos personagens, a história é frenética, o rimto da narração é intenso e o papagaio está nervoso.&lt;br /&gt;Quando terminei a leitura lenta, decidi ler tudo novamente, mas de um fôlego só. E foi ainda melhor. Veríssimo escreveu um filme, daqueles que não se deve parar no meio.&lt;br /&gt;Henri não é só o único papagaio que conversa, ele também se apaixona. E, sofre, do seu poleiro, com as aventuras de sua amada. Mas a delicada alma de Henri não só está aprisionado em um corpo de papagaio, como também padece pelo fato de suas penas serem cinzas. Por isso, sua dona o cobre constantemente com camadas de tinta verde e amarela que ressaltem sua origem brasileira e o façam ser atração do salão. O problema é essa tinta também sufoca nosso narrador, que, por medo de não sobreviver a essa intoxicação, tem pressa de contar tudo. Claro que todos os leitores do Veríssimo gostariam que o papagaio continuasse falando por muitas páginas e páginas. Afinal, uma ave assim é coisa rara. Rara como um Veríssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-117017559388723122?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/117017559388723122/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=117017559388723122' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/117017559388723122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/117017559388723122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/01/dcima-segunda-noite-luis-fernando.html' title='A décima Segunda noite – Luis Fernando Veríssimo'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-116897112843941740</id><published>2007-01-16T10:09:00.000-08:00</published><updated>2007-01-16T10:12:08.453-08:00</updated><title type='text'>Cassino Hotel – André Takeda</title><content type='html'>Sobre o quê: João Pedro é um guitarrista que namora uma cantora adolescente, líder de banda em que ele toca. Justamente no seu aniversário de 30 anos, a imprensa descobre o passado dele com álcool e drogas. Sob a ameaça de destruir a carreira da namorada, ele é obrigado a abandoná-la e reencontrar personagens do seu passado numa remota praia do Rio Grande do Sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Tudo ia bem até que...Essa frase interminada bem poderia resumir tudo que vou dizer nessa crítica. A verdade é que não dá pra perceber direito quando o autor decide parar de escrever um romance e começar a escrever tudo que lhe der na telha, encontrando espaço inclusive pra conversar com o leitor, que, falo por mim, não estava a fim de papo e sim de saber o que ia acontecer.&lt;br /&gt;Explico: O texto começa legalzinho, se dá pra lembrar que o autor é iniciante,essa lembrança se dissipa quando ele consegue voltar nossa atenção exclusivamente para a história de Jõao Pedro que reencontra a ex-namorada numa volta forçada ao sul do Brasil. Ela está casada com o melhor amigo dele e, para sua surpresa, ele descobre que seu rival ficou cego. Interessante, não é? Você quer saber o que vem depois? Desista. Depois não vem nada, o autor se perde e a gente fica tentando encontrá-lo até o fim do livro.&lt;br /&gt;Com todos os personagens na praia de Cassino, a ex-namorada,o melhor amigo cego,o pai de João Pedro e até  a namorada adolescente, o clima é daqueles filmes americanos de grandes revelações no natal da família mac gregor. Isso, todos sabemos, pode resultar em uma imensa xaropada ou numa história emocionante. Aqui não acontece nem uma coisa nem outra. Num certo momento do livro a gente se sente no meio de uma liquidação “o patrão ficou maluco”.&lt;br /&gt;Faço questão de transcrever um pequenino trecho: “Então, largue esse livro de uma vez e cale sua boca no beijo de alguém..” Isso foi na página 143, eu não segui o conselho do autor e continuei até a 192 que onde o livro acaba. Veja bem, o livro, não a história. Essa, se é que alguma história foi contada, acaba algumas páginas antes. O que vem depois são dois apêndices. Por favor, não estou brincado. Nesses apêndices, temos reveladas as fontes de inspiração do autor, como diabos ele fez para escrever essa maravilha, inclusive qual música foi a trilha sonora do último páragrafo.&lt;br /&gt;Realmente, é um livro inesquecível, pode-se acusar esse André de tudo, menos de modéstia. Além do trecho que transcrevi, muitos outros têm simplesmente a função de nos provocar, dizer que você caiu numa armadilha e vai ter que conversar com alguém que você não tem a menor idéia de quem seja.  Mas se você vir Cassino Hotel numa livraria, faça o que eu devia ter feito e dê ouvidos ao que esse alguém diz: “largue esse livro de uma vez”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-116897112843941740?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/116897112843941740/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=116897112843941740' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116897112843941740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116897112843941740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/01/cassino-hotel-andr-takeda.html' title='Cassino Hotel – André Takeda'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-116887701791916656</id><published>2007-01-15T08:00:00.000-08:00</published><updated>2007-01-15T08:03:37.933-08:00</updated><title type='text'>A última sessão de cinema – Larry Mc Murtry</title><content type='html'>Sobre o quê – Sonny passa de adolescente a adulto em uma pequena cidade do Texas. Um lugar onde parentes, amigos e vizinhos se confundem. Assistir a filmes no único cinema da cidade é uma das poucas opções de lazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica – Todo mundo já ouviu falar desse filme, tanto que talvez nem precise ver pra saber como é. Uma espécie de cine paradiso americano. Mas, como as palavras tem sempre algo a mais a nos dizer do que as imagens, achei que deveria buscar minha avaliação de a última sessão de cinema no livro que deu origem ao filme.&lt;br /&gt;É uma daquelas obras que, pela linguagem cinematográfica, parece predestinada a virar filme. Mesmo sem ser excessivamente descritivo, as paisagens tornam-se claras e vivas a cada página. É possível sentir o vento seco no rosto, o ar irrespirável, mistura de deserto e solidão, que atinge os personagens.&lt;br /&gt;Envolvente como uma novela, não é daqueles livros que a gente não consegue largar porque precisa saber o final. Na verdade, seria até bom se o final não chegasse. Se a adolescência de Sonny, os seus casos amorosos, os porres com os amigos, tudo isso durasse para sempre.&lt;br /&gt;Claro, a última sessão de cinema é o fim do sonho e o ínicio da realidade que a vida adulta representa. A história de Sonny não é diferente da de qualquer jovem, viva ele em Talia, Nova Iorque ou Bangadlesh. Ele é apaixonado pela namorada do melhor amigo, que só é apaixonada pela própria beleza, que tem uma mãe alcoolátra, que já foi namorada de um cara legal, que hoje é um velho triste, dono do único salão de sinuca, que é onde todos se encontram. Sonny também tem um caso com a mulher do treinador de futebol, que é um homossexual enrustido, cuja esposa insatisfeita se satisfaz pela primeira vez com a traição. Enfim, a cidade de Sonny poderia ser a cidade de qualquer um.&lt;br /&gt;Vista pelos olhos do adolescente, Talia é o mundo inteiro, sábado à noite é o único momento que importa, a cerveja que ele está bebendo jamais vai terminar, o filme nunca terá um the end e o beijo da garota que está com ele vai continuar até que o universo se dissolva.&lt;br /&gt;Talvez por isso, o livro dá a impressão de não acabar. Não há um final como um destino reservado para cada personagem. É como se a câmera fosse se afastando e depois da útlima página a gente simplesmente não conseguisse mais ver a cidadezinha nem o que está acontecendo com o Sonny.&lt;br /&gt;Quando estamos num lugar que parece parado no tempo, a ilusão da eternidade toma ares de realidade. O texto de Larry McMurty faz a gente sentir esse gostinho novamente, o gosto daquela bala de hortelã que ficou perdido em algum filme da adolescência. Uma sessão de um cinema que a gente não lembra o nome porque ninguém nos avisou que seria a última.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-116887701791916656?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/116887701791916656/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=116887701791916656' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116887701791916656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116887701791916656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2007/01/ltima-sesso-de-cinema-larry-mc-murtry.html' title='A última sessão de cinema – Larry Mc Murtry'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-116233158278775834</id><published>2006-10-31T13:51:00.000-08:00</published><updated>2006-10-31T13:53:02.800-08:00</updated><title type='text'>Sequestro em Copacabana – Oliver Dell’Anno</title><content type='html'>Sobre o quê: Uma família carioca acostumada com a vida no subúrbio muda-se pra zona sul. Na primeira noite, a filha de 16 anos não aparece em casa e todos começam a viver a possibilidade de um seqüestro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Estranho. Engraçado e estranho também. Podia resumir tudo que tenho pra dizer com esses dois adjetivos, mas serei um pouco mais prolixa. O que me levou a escolher um livro de suspense com personagens cariocas e autor americano? Só pode ter sido porque eu gosto de coisas estranhas. Ou melhor. Gosto de coisas diferentes. Não dá pra negar que a gente não espera que um americano escreva um livro onde o personagem principal é o delegado Biguá, não é? Claro, na orelha estava escrito que o autor viveu muitos anos no Brasil, etc e tal. Senti que minha curiosidade seria substituída pela decepção ( sempre espero que o diferente seja melhor) ao ler as primeiras páginas. Não sei se é o primeiro livro do autor, mas a gente nota que o texto nos pede licença antes de falar, pensei que podia ser por educação, costume de escrever em outra língua ou puro amadorismo mesmo. Amadorismo pode ser ruim ou bom, o amador faz por amor, mas aqui o amor do autor pelas palavras não teve um final muito feliz.&lt;br /&gt;Esquecendo o fato de que alguns diálogos soam estranhos, a própria história tem falhas que começam no título do livro. O seqüestro não é em Copacabana, sim em Ipanema. Se algum revisor não reparou nisso, imagine se ia reparar em várias comidas de mosca do livro.&lt;br /&gt;Há um personagem que mora na barra num capítulo e depois aparece morando no Grajaú sem nunca ter se mudado. Outro chama um colega de trabalho, do mesmo nível e mesma idade, de senhor. O patrão é mais pobre que os empregados. Ah, um festival de moscas.&lt;br /&gt;Agora que já expliquei mais ou menos o estranho vou pro engraçado, que também não deixa de ser esquisito. Tudo isso não faz de “seqüestro em Copacabana” um livro ruim. Ri-se e muito com as falas do delegado biguá e as situações inverossímeis. O ritmo do texto é intenso, obriga a gente a segurar nos trancos e barrancos lingüísticos e seguir em frente. O final é legal. Isso aí. Legal.&lt;br /&gt;Pena que o sinal parece que tocou antes do autor acabar a prova e ele foi obrigado a entregar assim mesmo. O delegado biguá, pelo menos, merecia uma segunda chance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-116233158278775834?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/116233158278775834/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=116233158278775834' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116233158278775834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116233158278775834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/10/sequestro-em-copacabana-oliver.html' title='Sequestro em Copacabana – Oliver Dell’Anno'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-116017075544318806</id><published>2006-10-06T14:34:00.000-07:00</published><updated>2006-10-06T14:39:15.453-07:00</updated><title type='text'>O homem que colecionava manhãs – Liberato Vieira da Cunha</title><content type='html'>Sobre o quê: Alberto é um funcionário público que ganha um extra escrevendo cartas para quem é analfabeto ou precisa de ajuda com as palavras. Descedente de família rica, mas vivendo humildemente numa pensão, ele tenta fazer as pazes com o passado que tanto o transformou. Escrever é também seu passatempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Se eu fosse uma pessoa justa, ia usar esse espaço para agradecer e não somente para elogiar. Eu começaria assim:&lt;br /&gt;Prezado Sr Liberato;&lt;br /&gt;Obrigada por ter escrito “O Homem que colecionava manhãs.” Eu o encontrei na livraria que tem o critério de organização mais caótico do universo. Seu romance estava entre um livro de direito internacional e outro de culinária. Não pretendia comprar nada. Estava apenas divagando sobre o caos daquela livraria e da minha própria vida quando vi seu livro. Comprei porque gostei do resumo da orelha, das primeiras linhas e do fato de ter uma personagem chamda Gisa, meu apelido de infância.&lt;br /&gt;Já pelas páginas iniciais percebi que seria um daqueles que leio com pena. Cada página é uma a menos, quando percebo que li muito me obrigo a parar, se quiser uma metafóra pra essa maluquice pode chamar sexo tântrico literário. Adia-se ao máximo o final, mas não para intensificar o prazer e sim para prorrogá-lo. Queria poder ficar lendo “ O homem que colecionava manhãs” pra sempre.&lt;br /&gt;Amoral como um Rubem Fonseca, delicado como um Drummond, informal como um Marcelo Rubens Paiva, Alberto é um escritor fascinante. Escritor de cartas pros outros e para ele mesmo, seu hábito de relatar suas experiências e pensamentos a cada dia me recordou como era bom fazer isso, por que parei? Parei por quê? Não importa. Recomecei. Também por isso, agradeço, tanto ao Alberto quanto ao Liberato.&lt;br /&gt;Sua obra tem o ritmo certo, calmo, mas longe de ser monotóno. Para me conquistar de vez, ainda teve crime, assassino, delegado, suspense .&lt;br /&gt;Para os meus eventualíssimos leitores, acho que não precisa dizer se gostei.&lt;br /&gt;Ah, obrigada Liberato, por misturar tudo que eu adoro num livro e ainda fazer dar tão incrivelmente certo.&lt;br /&gt;Sei que não foi pra mim.&lt;br /&gt;Mas não será tudo que é escrito sempre para alguém que não se conhece?&lt;br /&gt;Mesmo que esse alguém seja uma parte de nós mesmos? &lt;br /&gt;Um Alberto de Liberato, uma Gisa de Gisela.&lt;br /&gt;Obrigada por esse lado seu, que também é meu e de todos nós. Que torna escrever mais hábito e menos vício.&lt;br /&gt;Que nos torna todos menos responsáveis por nossas desgraças e mais personagens de um grande projeto de Deus.&lt;br /&gt;Obrigada pela esperança de que esse projeto talvez dê certo.&lt;br /&gt;Se não essa noite, talvez em uma das muitas manhãs que, todos nós, escritores/sonhadores, insistimos em colecionar.&lt;br /&gt;Obrigada finalmente por me dar coragem para escrever essa crítica exatamente como ela devia ser: em forma de agradecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-116017075544318806?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/116017075544318806/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=116017075544318806' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116017075544318806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/116017075544318806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/10/o-homem-que-colecionava-manhs-liberato.html' title='O homem que colecionava manhãs – Liberato Vieira da Cunha'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-115868663416430825</id><published>2006-09-19T10:21:00.000-07:00</published><updated>2006-09-19T10:23:54.183-07:00</updated><title type='text'>O homem dos círculos azuis - Fred Vargas</title><content type='html'>Sobre o quê: Uma série de objetos começa a aparecer dentro de círculos azuis nas calçadas de Paris. Junto com cada círculo, uma frase: “O bento, seu azarento, na rua com esse vento?”. Isso deixa de parecer brincadeira quando cadáveres passam a substituir os objetos dentro dos círculos. Desvendar esse mistério é o trabalho de um peculiar delegado e seu inspetor alcoólatra que serão ainda ajudados, ou atrapalhados, por uma oceonográfa metida a detetive e um cego mal-humorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Como diria o cego personagem do livro, há muito não vejo com bons olhos essa coleção de mistério da Companhia das Letras. Pode-se dizer que é terrivelmente heterogênea, tem grandes porcarias e grandes mistérios. Ainda bem, esse se encaixa no segundo caso. E foi justamente o cego, mal humorado e engraçado, que me guiou pelo livro adentro.&lt;br /&gt;Primeiro são apresentados ele e a oceanógrafa, num diálogo tão bem trabalhado que fica difícil não continuar lendo e se surpreender ao descobrir que eles não são as personagens principais. Não. Ainda falta conhecer o delegado Adamsberg, seu assistente Danglard e mais algumas pessoas. Surpresa novamente, eles são ainda mais fascinantes que as personagens iniciais. E a trama é digna de todos. Um mistério bem delineado, com o lápis azul do homem dos círculos e a incrível mente de Fred Vargas, autora que eu não conhecia.&lt;br /&gt;Além de adorar suspense, tenho uma queda por metáforas. E pra esse romance, vai a do avião. Você ouve o aviso de apertar o cinto, sente a aeronave deslizar suavemente, fica esperando o baque, mas ele não vem, quando você percebe, está voando, olha pela janela e lá estão as nuvens abrindo caminho pra esse avião que você nem sentiu decolar. Aí você espera o momento de ficar entediada, de pensar no serviço de bordo, de folear aquela revista chata da poltrona, mas por algum motivo você não conseguiu ainda desgrudar da janela. As nuvens podem ser interessantes? Você não sabia que eram tantos formatos, nunca tinha reparado nos buracos que a luz do sol faz, e as cores, é desconcertante ver como as cores ficam difusas e bonitas. Mas o que? Você não acredita no que está ouvindo? Outro aviso de apertar os cintos? Já? Você não percebeu novamente, o avião pousou devargarzinho, as nuvens estão lá em cima, você desliza no chão. A viagem ficou pra trás e deixou aquela saudade imensa mesmo antes de ter terminado. O consolo pra essa saudade é o mesmo de sempre. A próxima viagem.&lt;br /&gt;Um livro primoroso, como esse de Fred Vargas, merece ser pensado assim. Logo, logo, em outra prateleira, em outra livraria, talvez pela mesma Companhia de Letras, Fred Vargas vai me encontrar de novo com um cartão de embarque, porque a esperança é de que seu texto me leve não somente a outra viagem, mas a outro vôo absolutamente perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-115868663416430825?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/115868663416430825/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=115868663416430825' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115868663416430825'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115868663416430825'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/09/o-homem-dos-crculos-azuis-fred-vargas.html' title='O homem dos círculos azuis - Fred Vargas'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-115645701870031664</id><published>2006-08-24T14:59:00.000-07:00</published><updated>2006-08-24T15:03:38.716-07:00</updated><title type='text'>Amanhã numa boa - Faiza Guène</title><content type='html'>Sobre o quê – O diário  de uma adolescente marroquina que vive com a mãe num bairro pobre de Paris. Os protestos políticos com o tema da imigração são apenas o cenário desse relato que fala do cotidiano da menina, com idas a escola, supermercado e festas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica – Quando eu era criança, achava o máximo alguém ter lido o diário de Anne Frank, mais máximo ainda era ser a Anne Frank, escrever um relato pessoal da Guerra e fazer com que a sua visão pessoal interessasse a  alguém. Acho que existem duas explicações para isso: a primeira é que algumas pessoas ficam tão obcecadas com o assunto que querem saber mais do que o que está no noticiário e em todos os editorais do mundo. A segunda é que algumas pessoas não acreditam no noticiário e querem ouvir ou ler o depoimento de alguém que não está sendo pago pra falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como não me encaixo em nenhum dos dois grupos, fiquei meio em dúvida se estava diante de outra anne frank e se valia a pena ler “amanhã, numa boa”. Fiz o meu teste de ler as primeiras páginas e Faiza passou com louvor. É um texto gostoso e leve. Se ela leva a gente a uma periferia na França, parece que estamos indo de bicicleta num dia de sol ameno e sentindo uma brisa fresca no rosto. Achei também que não faria mal a minha ignorância saber um pouco sobre a realidade desses imigrantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso garantir que a minha ignorância só melhorou um pouquinho, em compensação meu humor melhorou muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu tinha esquecido que o mundo de uma adolescente é tudo menos o mundo real. A gente vive a vida da TV, a vida do vizinho, do sonho, das músicas que tocam no rádio, tudo menos a realidade. Se alguém me perguntar o que eu fazia no plano collor, não terei nenhuma recordação profundamente política, provavelmente vou me lembrar que faltei à aula e fui ao shopping gastar o que sobrou da poupança do meu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mais ou menos isso que a adolescente do livro fez durante os fervorosos acontecimentos parisienses, não foi ao shopping, mas permaneceu do impenetrável e encantado universo no qual só os menores habitam. Só de vez em quando a realidade entra por aquele buraquinho entre o primeiro beijo e a novela. Quando isso acontece, a autora nos mostra um olhar puro, apolítico, de alguém tão imparcial que não toma partido nem de si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se isso se chama inocência, magia ou adolescência. Mas nesse caso, podemos chamar de ótima literatura. Ou, como diria a personagem, literatura numa boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-115645701870031664?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/115645701870031664/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=115645701870031664' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115645701870031664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115645701870031664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/08/amanh-numa-boa-faiza-gune.html' title='Amanhã numa boa - Faiza Guène'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-115455932092099596</id><published>2006-08-02T15:41:00.000-07:00</published><updated>2006-08-02T15:55:20.933-07:00</updated><title type='text'>A morte é um número par - Alan Luxardo</title><content type='html'>Sobre o quê – Barone é um delegado gostosão que, entre um mergulho na piscina e outro, investiga um crime, entre uma namorada e outra, desvenda um mistério e, entre um filme de ação de outro, lê Agatha Christie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Uma vez escrevi um artigo sobre a incapacidade de os clientes acreditarem que um anúncio bonito vende, calma, não fiquei louca, vou chegar lá. Isso tem a ver com a incapacidade humana de acreditar que no que parece “bom demais pra ser verdade”. Um anúncio bonito e inteligente não pode ser vendedor. Assim como o gatão italiano delegado solteiro com um sorriso lindo na orelha do livro não pode ter escrito um bom suspense. Mas a vida, como eu vivo comprovando, não é equilibrada. As piores coisas desse mundo acontecem com quem já está na maior pindaíba. Enquanto isso, dinheiro chama dinheiro, rico ri à toa e Alan Luxardo não só é um escritor muito bom, mas também é muito, mas muito bom escritor.&lt;br /&gt;Se eu fosse uma centopéia, teria começado a ler com 99 pés atrás, era o primeiro livro dele, era um policial escrito por um policial e o título era esquisito. O texto não é poético, como diriam coleguinhas críticos, não é uma prosa elaborada, às vezes é até meio cru, ouve-se o barulho do motor acelerando antes de o carro esquentar, mas depois que ele esquenta, dane-se a prosa, dane-se a poesia, o que a gente quer saber é quem foi o assassino.&lt;br /&gt;E o que, nesse mundo desequilibrado de Meu Deus, pode ser melhor do que um livro de suspense que deixa a gente morrendo de curiosidade? Cheguei a pensar nisso várias vezes durante o dia, pensei dirigindo, pensei tomando banho, era como se fosse um problema de verdade. Desde Agatha Christie não ficava tão curiosa. ( Ah, claro que também sou fã.)&lt;br /&gt;É um suspense conciso, perfeitamente amarrado e energicamente narrado. Como se fosse um filme de ação mas com o cuidado que os bons mistérios devem ter, fatos logicamente desencadeados, como uma equação matemática, você faz a prova dos nove e tudo bate.&lt;br /&gt;Além disso, Barone, cuja descrição faz a gente pensar num cara ridículo pelo simples fato de ser brasileiro, está longe de ser ridículo. Barone poderia entrar num filme de 007 e deixar o Bond morrendo de inveja.  Ele tem aquela mágica de conseguir ser tudo, inclusive verossímil. Acho que vai virar filme, mas eu espero mesmo é a próxima aventura do delegado Barone. Só não sei se esse Barone é páreo pra um outro delegado, um tal de Alan Luxardo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-115455932092099596?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/115455932092099596/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=115455932092099596' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115455932092099596'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115455932092099596'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/08/morte-um-nmero-par-alan-luxardo.html' title='A morte é um número par - Alan Luxardo'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-115394572339436955</id><published>2006-07-26T13:25:00.000-07:00</published><updated>2006-07-26T13:28:43.420-07:00</updated><title type='text'>Pergunte ao pó - Jonh Fante</title><content type='html'>Sobre o quê: Sonhando em ser escritor, Arturo Bandini, americano do Colorado e descendente de italianos, vive num hotel decadente de Los Angeles. Enquanto tenta escrever um conto que lhe garanta pagar o aluguel ou o grande livro que lhe tornará famoso, se apaixona por uma garconete mexicana e faz tudo que pode, inclusive escrever, para conquistá-la. ( O pó tem a ver com a poeira do deserto de los angeles, não é sobre cocaína).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Bukosvky já escreveu sobre esse livro. Artur Dapieve já escreveu sobre esse livro. Tenho certeza que milhares de outras pessoas importantes também. Agora chegou a minha humilde vez. Como não tenho leitores, posso dizer o que quiser e não me sinto nem um pouco na obrigação de concordar com gente inteligente e conhecida. Até torci secretamente pra achar o livro uma porcaria e acabar com essa ditadura de Jonh Fante. Mas vou ter que repetir aqui as mesmas coisas que já li em todas as críticas como uma simples maria vai com as outras.&lt;br /&gt;Talvez a única grande diferença é que todos os outros críticos se apaixonaram pela garconete mexicana e eu me apaixonei mesmo pelo Arturo Bandini. Como não se apaixonar? Como não ter vontade de ser garçonete e mexicana?&lt;br /&gt;De início, o personagem de Jonh Fante faz com que todos os escritores se identifiquem com ele, quem já é famoso e quem já pensou em ser (isso, claro, inclui todos). Depois, faz com que todos que já sonharam desperamente conseguir alguma coisa se identifiquem com ele. Finalmente faz com que todos que se apaixonaram por alguém, só de olhar pra essa pessoa, se identifiquem com ele. Portanto, se você não se identificar com ele não significa que você não é parecido com o Bukovisky, significa que não é desse planeta. E só pra dar a impressão que ele está falando diretamente com quem nasceu aqui ou outro lugar diferente de Los Angeles, ele ainda faz com que todos que já imaginaram uma vida em holywood se idenfiquem com ele. Desde nós, rélis tupiniquins, até os caipiras dos EUA.&lt;br /&gt;Claro, ainda tem a história de amor dele com a mexicana. Uma história que, como a maioria das histórias de amor, acontece mais na cabeça de quem ama do que na realidade mesmo.&lt;br /&gt;Ler John Fante é passar um tempo nessa cabeça que ama sem retorno, que quer ser escritor, que gasta todo dinheiro que ganha e se imagina muito famoso e passa situações de fazer rir e chorar ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;Um mundo fascinante, no qual todos nós vivemos todos os dias, mas parece que só descobrimos depois de ler “Pergunte ao pó”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-115394572339436955?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/115394572339436955/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=115394572339436955' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115394572339436955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115394572339436955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/07/pergunte-ao-p-jonh-fante.html' title='Pergunte ao pó - Jonh Fante'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-115143853869821434</id><published>2006-06-27T12:59:00.000-07:00</published><updated>2006-06-27T13:02:18.713-07:00</updated><title type='text'>Mémorias de Minhas Putas Tristes – Gabriel Garcia Marques</title><content type='html'>Sobre o quê: Um dia antes de completar 90 anos, um jornalista solteirão decide que seu presente de aniversário deverá ser uma virgem e, para isso, recorre a uma velha amiga cafetina. E o que parecia ser o final de uma vida se torna o início de um grande amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Como diria Odorico Paraguaçu, é com a alma lavada e enxaguada que confesso: nunca havia lido Gabriel Garcia Marques. E, no entanto, suas palavras me soaram como se estivesse conversando com um velho amigo. E não um amigo qualquer, um amigo estilo Rubem Fonseca. Não é à toa que dizem que os livros são os melhores amigos. Pois esse me mostrou uns pedacinhos da Colômbia, falou de uns lugares que só vejo nos anúncios de roteiros turísticos.Como sempre, a gente fica impressionada como o Brasil se parece com outros países do terceiro mundo, acho que os Brasileiros imaginam que seu país é único. Mas, deixando de lado os entrementes e indo direto aos finalmentes para continuar no estilo do Odorico, o livro é uma linda história de amor. Um romance disfarçado de pseudo-biografia. Usando o flashback, o velho personagem fala de sua loucura ao completar 90 anos, querer uma virgem. As coisas não acontecem como deveriam ( ou nesse caso, acontecem exatamente como deveriam) e a relação não se consuma, os dois somente dormem juntos. E aí sim vem o inesperado: o primeiro amor de um senhor de 90 anos. Uma paixão que se resume em dormir ao lado da amada, ele não quer ouvir sua voz, não quer saber sobre a vida dela, seu fetiche é ouvir a respiração da menina, vê-la ressonar, imagina-la um anjo talvez. Não são todos os que amam meio loucos? Não preferem sempre a ilusão à realidade? Ao contar a história desse primeiro amor, ele relembra todos os seus casos, as mulheres que sempre teve e nunca amou, comparando com aquela que nunca teve e ama desesperadamente. As outras, as putas, são tristes. A virgem é a que traz felicidade, angústia, ciúme e todos os sentimentos misturados que o sentimento do amor provoca. E o autor vai contando tudo isso tão rápido que a gente nem vê as páginas passando e com uma prosa tão bonita que parece até poesia. Não vou contar o fim do livro. Só posso dizer uma coisa sobre o fim: ele chega muito rápido.  Não vejo a hora de me reencontrar com esse novo amigo, Gabriel Garcia Marques, em outro livro. Com certeza, tive imenso prazer em lhe conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-115143853869821434?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/115143853869821434/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=115143853869821434' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115143853869821434'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/115143853869821434'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/06/mmorias-de-minhas-putas-tristes.html' title='Mémorias de Minhas Putas Tristes – Gabriel Garcia Marques'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-114925805514082382</id><published>2006-06-02T07:18:00.000-07:00</published><updated>2006-06-02T07:20:55.156-07:00</updated><title type='text'>O intocável - Jonh Banville</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Victor Maskell era um homem respeitado na Inglaterra, tinha até um título de cavaleiro das artes, concedido pela rainha. Ele perde tudo isso quando sua identidade de espião é revelada. Durante mais de 20 anos, Victor levou uma vida dupla, de agente russo e homossexual. Publicamente humilhado, ele resolve nos contar suas memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Empatia não se dá só entre pessoas. Cada vez acredito mais que exista essa força, essa troca de energias também entre pessoas e objetos, mais especificamente os livros. Isso deve explicar porque o meu fascínio inicial por esse livro, O intocável. Porém, cada vez que constatava sobre o quê era a história, desistia de ler. Imaginei que fosse um relato político, chatíssimo. Finalmente, decidi que ia tentar de qualquer jeito. E mais uma vez vi que nossa intuição sabe muito mais do que a razão.&lt;br /&gt;A vida de Victor Maskell tem muitos ingredientes para ser fascinante. Um irlandês extremamente sensível e inteligente consegue ocupar altos cargos em meios fechados da Inglaterra, trabalhando com arte, com história da arte e, claro, com espiões russos. Esse irlandês também gosta de homens, não de um modo caricático ou politicamente correto ( acho que andaram inventando um modo politicamente correto de ser homossexual, já repararam?), mas ele gosta de um modo natural, como você gosta do quer que você goste. Ele tem relações promíscuas, tira vidas inocentes ou não com atos de espionagem, faz enfim, muitas coisas condenáveis, mas é impossível não se apaixonar por esse irlandês, inglês, russo, que tem tantas faces que parece até brasileiro.&lt;br /&gt;Não sei se é o momento de usar a palavra amoral, a realidade, vista sem filtros cor de rosa também parece bem amoral. Guerra e miséria não são menos indecentes que muitos atos comumente condenados.&lt;br /&gt;Mas, apesar de jogar nas duas (com trocadilho, por favor, o livro é muito bem humorado), nosso personagem demonstra uma incrível linearidade de caráter. É, ao mesmo tempo, um marxista e um monarquista, um real cavaleiro inglês e um leviano espião russo, um marido atormentado e um promíscuo inveterado.E tudo isso sem deixar de ser sempre o mesmo: apaixonado, emotivo, introspectivo, sábio, fiel àquilo que vale a pena ser fiel, segundo ele mesmo.&lt;br /&gt;A guerra, quase ia esquecendo, a segunda guerra está lá, tudo se passa em tempos de guerra, não há maior contradição que matar pela paz. Só que esse não é um livro sobre guerra, nem sobre contradições, porque tudo isso é muito natural. Esse seja talvez um livro sobre filosofia, sobre o estoicismo, que, conforme eu aprendi com o autor, é o seguinte: uma corrente que acredita que o mundo nunca progride, porque o equilíbrio entre o bem e o mal permanece constante e os fatos podem diferir um pouco, mas sempre se repetem. Quem esperaria aprender isso num livro de espionagem?&lt;br /&gt;Assim, John Banville desequilibra um pouco esse mundo estóico, surpreende com um texto macio, leve, capaz de nos fazer flanar sobre as matanças de uma bomba. E, na balança final, com mais peso que todas as atitudes politicamente corretas, está a arte do personagem, o amor pela pintura. Com mais peso que todos os assuntos do livro, está a arte do autor, essa habilidade e essa paixão na hora de ordenar as palavras, aquilo que nos confirma amantes da boa literatura.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-114925805514082382?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/114925805514082382/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=114925805514082382' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/114925805514082382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/114925805514082382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/06/o-intocvel-jonh-banville.html' title='O intocável - Jonh Banville'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-114495215113414874</id><published>2006-04-13T11:13:00.000-07:00</published><updated>2006-04-13T11:16:46.146-07:00</updated><title type='text'>A irmã de Becky Bloom - Sophie Kinsela</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; A consagrada consumista Becky descobre que não é filha única. Ela tem uma meia-irmã. Mas isso não é o que mais surpreende nossa personagem, o mais incrível para ela é descobrir que sua própria irmã simplesmente odeia fazer compras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Não sei a Sophie Kinsela tem um fã clube, se tiver, certamente eu poderia ser a presidente, ou pelo menos ter um cargo de diretoria. Li todos os seus livros e adorei cada página deles, todos são surpreendentes. Com exceção deste. Vejam bem, não estou dizendo que o livro não é bom. Estou dizendo que não é surpreendente. Bom, o que a gente espera quando lê uma continuação de um livro ou vê a continuação de um filme? Claro, que não seja tão bom quanto o primeiro, aquele que deu origem à série. Esse é o motivo pelo qual todos os livros de Sophie ( um não é sobre Becky, mas é parecido) foram surpreendentes. Eles são simplesmente tão bons quanto o primeiro, coisa que ninguém podia esperar. O que todo mundo podia esperar era que um dia, a autora fosse escrever um livro que não fosse assim tão surpreendente. Um livro legal que seguisse a mesma receita sucesso, mas não tivesse aquele brilho do primeiro. Não é isso que todo mundo faz? Pois é. Por isso “A irmã de Becky Bloom” não surpreende. A idéia de confrontar Becky com uma pessoa totalmente pão-dura é genial, mas há uma voz politicamente correta que tanto grita que consegue desviar nossa atenção da história. Sim, a irmã de Becky reutiliza pó de café porque teve uma infância pobre, ela nem se sente corajosa suficiente para se olhar no espelho sem se achar fútil e mimada. E claro que, colocadas numa situação limite, onde a própria vida está em risco, as duas descobrem que têm em comum o senso de humor,a compulsão(uma em gastar pouco, a outra, muito) e o grande coração. Será que a irmã fica menos pão dura e Becky menos gastadeira? Não é um dilema digno dos sempre divertidos, hilariantes livros de Sophie.&lt;br /&gt;Nas suas aventuras anteriores, Becky não passava mais de dez páginas sem encarar uma situação que parecia sem saída, não por ser dramática, mas por ser absurdamente engraçada, como ter que pagar duas festas de casamento em dois lugares diferentes. Depois, milagrosamente, ou melhor, genialmente, ela resolvia o problema para entrar numa calmaria que duraria no máximo outras dez páginas.&lt;br /&gt;Foram 3 livros (Repito, em um deles a personagem não é Becky mas o ritmo é igualmente intenso), três pequenos tijolos de cerca de 300 páginas sem perder o fôlego. Agora parece que a autora parou para descansar. A gente entende. Fazer o quê? Só torcer para que a energia volte logo no próximo livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-114495215113414874?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/114495215113414874/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=114495215113414874' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/114495215113414874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/114495215113414874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/04/irm-de-becky-bloom-sophie-kinsela.html' title='A irmã de Becky Bloom - Sophie Kinsela'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-114009491882947339</id><published>2006-02-16T05:00:00.000-08:00</published><updated>2006-02-17T15:08:30.713-08:00</updated><title type='text'>No sufoco – Chuck Palahniuk</title><content type='html'>Sobre o quê: Victor Mancini tem muitos problemas. É sexólatra, sua mãe está esclerosada e doente numa clínica que custa uma fortuna por mês, seu emprego é esquisito, mal remunerado e ele vive de aplicar o golpe do sufoco em restaurantes. Finge que está sufocando para ser salvo por alguém e depois pedir dinheiro. Como, por que se chega a isso é o assunto do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Percebi que Chuck tinha um texto bom pelas primeiras três linhas do livro, o velho truque do “não leia”, velho e eficiente, quem sabe escrever sabe disso.&lt;br /&gt;Chuck começa bem, continua melhor, vai ficando incrível e quando você tem certeza que vai acontecer alguma coisa pra tornar aquele romance algo banal e ridículo, porque está prometendo demais pra ser verdade, ele surpreende, dando ao leitor ainda mais do que foi prometido. Além de emoção, realismo, humor, nosso autor ainda escreveu um belíssimo suspense.&lt;br /&gt;Não sou louca de contar mais nenhuma palavra além disso, mas o livro é de uma inteligência admirável. Pra mim, admirável é exatamente a palavra, admiro como alguém consegue criar uma história complexa sem deixar nenhuma ponta solta, fazendo com que todos os pequenos diálogos, fatos e detalhes tenham sentido. Num romance perfeito, as coincidências não existem. Criei essa definição agora, mas quando se diz que “o acaso não existe” é apenas o desejo humano de que a vida seja perfeita, onde tudo está perfeitamente planejado não há espaço pra imprevistos. Queremos uma vida tão bem planejada quanto aquele filme do Spielberg onde o menino fala “eu vejo gente morta”. “No sufoco” é assim. Mais do que perfeito, porque perfeito seria somente o que satisfaz plenamente nossas expectativas e o livro vai muito além.&lt;br /&gt;As palavras que me faltam estão todas lá, no texto do romance. No início, o estilo me soou meio confuso, mas depois, pareceu que aquele período de estranhamento havia sido necessário. Afinal, o leitor vai mergulhar num universo nada comum. Ser viciado em sexo não é comum, assim como não é comum ter sido criado por uma mãe louca que vivia sendo presa, e muito menos pode ser comum trabalhar numa aldeia que imita o ano de 1700 como se a pessoa estivesse parada no tempo enquanto turistas tiram foto, os amigos fumam maconha, o patrão é um insensível e enganar os outros parece ser a única maneira de sobreviver. Ora, até que isso tudo não é tão incomum assim. Quanto de absurdo existe no nosso dia a dia e já deixou de ser absurdo simplesmente por não ser novidade? Impossível não se identificar com alguma parte desse mundo sem sentido.&lt;br /&gt;Mas quando você já tiver se acostumado a todas às loucuras do livro assim como já se acostumou com as loucuras da sua vida, quando você achar que chegou no ponto do nada mais te surpreende, essa história ainda vai te surpreender. Uma grande surpresa. O que mais a gente pode esperar da vida?&lt;br /&gt;Como diz tão bem a mãe do menino no livro: "A única fronteira que ainda existe é o mundo dos intangíveis...idéias, histórias, música e arte."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-114009491882947339?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/114009491882947339/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=114009491882947339' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/114009491882947339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/114009491882947339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/02/no-sufoco-chuck-palahniuk.html' title='No sufoco – Chuck Palahniuk'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113948902594554297</id><published>2006-02-09T04:29:00.000-08:00</published><updated>2006-02-09T04:43:45.960-08:00</updated><title type='text'>CSI - Investigação da cena do crime ( Criminal Scene Investigation)</title><content type='html'>Sobre o quê: A eletrizante equipe do CSI se divide para desvendar dois crimes: os homens investigam o desaparecimento de uma dona de casa provavelmente esquartejada pelo marido. As mulheres investigam o estrangulamento de uma dançarina de boate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Muito bem, Sucker, mexa esse traseiro gordo... Quem já esqueceu de quando Caceta e Planeta debochavam da dupla de policiais americanos ( “fucker and sucker – uma dupla de dois tiras”) certamente poderá lembrar deles ao ler CSI. Tudo bem, essa era a proposta, não posso reclamar. É como alguém ir assistir a Máquina Mortífera e ficar revoltado com a violência.  Por que eu fui ler esse livro? Talvez aquele mistério português do céu azul tenha me deixado tão poética que eu queria um pouco da simplicidade de um seriado americano, crime, pistas, assassino, final. Só que nada é tão simples assim. Pra começar, eu me recusava a acreditar que esse não era o livro que tinha dado origem à série da TV. Não sejam teimosos como eu. Acreditem. Não é. Todo mundo já viu um livro bom dar origem a um filme mais ou menos e a uma série mixuruca. Como nunca tive paciência para assisitir a um CSI inteiro na TV, achei que fosse isso, uma série mixuruca saída de uma boa idéia que estaria ali, naquele livro que eu tinha acabado de adquirir. Não. É o contrário. Literalmente. A série mixuruca deu origem a esse livro.&lt;br /&gt;Ora, livros dão origem a filmes, filmes dão origem a seriados, não dá pra ir no sentido inverso.É como querer nascer velho e morrer bebê.&lt;br /&gt;O autor fez seu dever de casa, escreveu um livro que nos dá a impressão de estar vendo cenas na tv, isso normalmente é um elogio, talvez literariamente seja um elogio, a forma é essa mesmo, o problema é o conteúdo. Policiais fanáticos por seu trabalho, que jamais querem ir para casar comer, dormir ou pegar alguém, brigas inversossímeis ( três policiais armadas contra um dançarina de biquini...), aquele retrato da justiça que faz a média do americano suburbano e com uma inteligência abaixo da média ir dormir tranquilo e se sentindo protegido. Bom, eu só consegui me sentir idiota. E o pior era que eu queria ter gostado. Queria ter adorado, até vi na revistinha da net quando passavam os episódios do CSI, eu ia adorar o livro e ia virar fã da série, mesmo ela sendo mais ou menos. Talvez um dia eu assista a um episódio inteiro só pra saber como é. Novamente, acreditem. Não pode ser pior que o livro.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113948902594554297?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113948902594554297/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113948902594554297' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113948902594554297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113948902594554297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/02/csi-investigao-da-cena-do-crime.html' title='CSI - Investigação da cena do crime ( Criminal Scene Investigation)'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113923257825188894</id><published>2006-02-06T05:28:00.000-08:00</published><updated>2006-02-06T05:29:38.266-08:00</updated><title type='text'>Um céu demasiado azul - Viegas</title><content type='html'>Sobre o quê: Desvendar o assassinato do filho de um importante membro do ministério. Com esse desafio, dois detetives amigos se reúnem e acabam fazendo um balanço das próprias vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Bom, no sobre o que me deu vontade de escrever “boa pergunta”.&lt;br /&gt;Eu mesma me fiz essa pergunta várias vezes durante o romance. Com uma prosa bem envolvente, Viegas vai nos envolvendo pra não dizer nos enrolando e mistério que é bom, necas. Por ter um texto tão agradável, não chega a ser nenhum sacríficio ler as bem traçadas linhas desse autor, mas sobre o quê era mesmo que estávamos falando? É isso que acontece. A gente esquece o objetivo do livro se é que existe algum objetivo, se é que precisa existir algum objetivo num livro além do prazer de ler. Ou não. Um Céu Demasiado Azul é assim,ofuscante. O céu é tão azul que a beleza dessas descrições, das histórias paralelas ofusca o mal iluminado mistério. Sabe quando você entra num ônibus que dá tanta volta que te faz esquecer aonde estava indo? Dizer isso pode parecer meio vago, mas aí vai um dado concreto: os dois personagens principais somente se reencontram na página duzentos. Pelo amor de Deus, a história se baseia no reencontro deles ( leiam a orelha e comprovem!), é um pouco demais esperar até a página duzentos pra começar o que devia ter começado lá onde se começa um livro, nas primeiras páginas. A partir daí, o romance pára de entrar em todas as ruas que encontra e finalmente segue uma linha razoavelmente reta. Até senti algum interesse de saber o desfecho do suspense, quem era o assassino, porquê, esses detalhes que diferenciam um livro de mistério de outro. Só que já era tarde demais, várias vezes voltei as páginas para me lembrar o nome de um personagem, que era ele, por que estavam falando dele. Os nomes parecidos e o português de Portugal não ajudam muito. Alguns autores estrangeiros, normalmente os americanos, têm uma mania muito chata de colocar personagens com dois nomes como, por exemplo, Jack Smith, até aí tudo bem, mas tem horas que se diz Jack saiu, depois vem Smith voltou. Vaí aí um parentêse da minha opinião sobre esse hábito ( Repetir nome não é falta de vocabulário, é demonstração de clareza, o leitor deve ficar ansioso pra saber o final do livro e não de quem o  autor está falando) Pronto, parêntese feito, volto ao céu azul de Viegas, onde a gente se perde e não se importa muito em se encontrar de volta, pois o caminho está tão bonito...Não é um romance empolgante, não é um suspense intrigante, mas mesmo assim, a gente tem vontade de continuar lendo, talvez por não acreditar que um texto tão bom simplesmente não vai dar em nada. Apesar dessa decepção, Viegas nos deixa um pouco poéticos e não posso deixar de lembrar daquele música: “Se eu quiser falar com Deus tenho que dar às costas, caminhar, decidido, pela estrada que ao findar vai dar em nada, nada, nada, nada do que eu pensava encontrar.”&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113923257825188894?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113923257825188894/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113923257825188894' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113923257825188894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113923257825188894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/02/um-cu-demasiado-azul-viegas.html' title='Um céu demasiado azul - Viegas'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113837795986340530</id><published>2006-01-27T07:39:00.000-08:00</published><updated>2006-01-27T08:06:02.456-08:00</updated><title type='text'>Berenice procura - Luiz Alfredo Garcia Rosa</title><content type='html'>Sobre o quê: O assassinato de um travesti em Copacabana desperta o interesse de Berenice, taxista da área, quando um sem-teto parece estar sendo envolvido injustamente no caso. Ela, mesmo com a total desaprovação do ex-marido, que é jornalista policial, resolve investigar o caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Não gosto de falar mal de gente, falar mal de livro então é pior ainda.&lt;br /&gt;“Berenice Procura” começa bem (já adivinhou que aí vem bomba, né? E vem mesmo), começa tão bem que a gente desconfia. Com um ritmo incrivelmente intenso, a primeira metade do livro faz uma grande promessa que a segunda não consegue, nem de longe, cumprir. Vamos então falar da primeira parte que ela merece. Luiz Alfredo nos apresenta um personagem chamado Russo, um sem-teto que passou a vida toda nas ruas de Copacabana e, hoje, com 30 e poucos anos, conhece como ninguém não só as esquinas mas os bueiros e subterrâneos do bairro. Tanto que dorme nas galerias inacabadas do metrô. As ruas existem mesmo, as galerias também, meninos e adultos como Russo certamente existem, a gente pode vê-los a todo instante em Copacabana. Isso, pra quem mora no Rio e sabe do que o autor está falando, é certamente fascinante, não sei pra quem não conhece, mas eu, quando estava no meio do livro, quase subi a pedra onde termina a Rua Constante Ramos pra ver se tinha uma entrada para uma galeria do metrô ali. Essa é a primeira metade e um pouco mais do livro. Instigante, irresistível, pulsante e todos os adjetivos cabíveis àqueles mistérios que talvez só a Agatha Christie tenha escrito. Ou o Luiz Alfredo tinha escrito o melhor policial brasileiro que eu conhecia ou eu ia me decepcionar. Infelizmente foi a segunda opção. Perto do final, o que era um ritmo intenso se torna um atropelamento de fatos, como se diz, coisas estranhas começam a acontecer. Acho que o ponto de inflexão é quando a Berenice resolve começar a seguir o Russo e depois resolve falar com ele, ainda explicando ao rapaz seu grande medo que uma injustiça seja cometida. Isso não tem cabimento. Não vou esmiuçar os motivos, mas quem ler vai, possivelmente, concordar comigo, não tem cabimento um personagem solitário que vive na sua tomar ares de justiceiro de repente e ainda mais porque não há ameaça real alguma pairando sobre nosso anti-herói. Depois que ela tem uma noite tórrida de amor com ele no túnel inacabado do metrô, aí tudo vai pro buraco mesmo, com o perdão do trocadilho, eu não devia dizer mais nada, mas se eu disser, você acredita que o ex-marido ciumento corta com os dois lados e, talvez, tenha tido um caso com o travesti assassinado?  Isso até poderia ser interessante, não fosse a aparente pressa ou desespero de terminar o livro que começa a ficar sem pé nem cabeça e termina tão abruptamente que a gente vira a página procurando o resto da história.&lt;br /&gt;O autor não colocou Espinosa, seu personagem policial de outros livros, nesse romance. Ainda bem. Ele não merecia. Não acho que o autor está numa fase ruim, não acho que ele perdeu a inspiração nem nada disso. Só acho que não dá pra acertar sempre. E dessa vez, ele errou feio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113837795986340530?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113837795986340530/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113837795986340530' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113837795986340530'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113837795986340530'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2006/01/berenice-procura-luiz-alfredo-garcia.html' title='Berenice procura - Luiz Alfredo Garcia Rosa'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113577876717385886</id><published>2005-12-28T06:05:00.000-08:00</published><updated>2005-12-28T06:06:07.186-08:00</updated><title type='text'>Gostos Adquiridos - Peter Mayle</title><content type='html'>Sobre o quê: Peter Mayle é um redator publicitário londrino que abandou a vida dura das agências para se dedicar a descobrir as delícias de morar na Provence, interior da França. Desde então, ele nos presenteia com histórias dessa nova vida. Em Gostos Adquiridos, a dura missão do autor é revelar aos pobres mortais os hábitos e manias dos milionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Sem querer puxar a sardinha para a minha brasinha, redatores publicitários podem não ser os melhores escritores do mundo, mas ninguém melhor para fazer um texto falando bem, ou seja, vendendo alguma coisa. E que texto delicioso tem Peter Mayle! Não sei que gosto têm trufas nem 99% dos alimentos e bebidas que ele descreve nos seus livros, mas acho que não quero saber, quero pensar que tudo é tão suculento, suculento mesmo, quanto esse texto tão gostoso.&lt;br /&gt;Se o autor já era ótimo falando de coisas que a gente não sabe se são boas ou não, dá pra imaginar o que acontece quando ele resolve falar de coisas que a gente sabe que são maravilhosas apesar de nunca ter experimentado. Exemplo: passear de limusine em Nova Iorque, sair de jato pela Europa para escolher em que restaurante vai almoçar, fazer sapatos sob medida escolhendo todos os detalhes. Até quem nunca sonhou em ser milionário, se é que essa alma existe, tem vontade de sair correndo para fazer uma fezinha na loto depois de alguns capítulos. Mas não pense que Peter Mayle faz uma ode ao dinheiro e ao materialismo, ele mostra muito bem que nem tudo são flores na vida de um milionário. Pode acontecer, como ele relata, de um milionário pegar seu jornal matinal para ler e descobrir que ele não foi passado corretamente. Está enrugado! E pode acontecer de ser na página favorita dele! Que horror!Usando esse tipo de ironia, na verdade o autor nos mostra a tendência de todo milionário, e de todo mundo que tem mais do que precisa, de fazer imensas tempestades em pequenos copos de água. Atire a primeira colherzinha de prata quem nunca se revoltou com um cafezinho previamente açurado no qual se pretendia colocar adoçante ou nada mesmo. Somos todos uns fúteis bobocas. Só que uns tem mais dinheiro, muito mais dinheiro e por isso podem ser ainda mais fúteis e mais bobocas. Além disso, Peter nos mostra, que esse dinheiro, contrariando o dito popular, pode sim trazer felicidade, basta saber usar. Por isso, Gostos Adquiridos também poderia se chamar Manual do Milionário, para pessoa saber o que fazer com seu dinheiro em vez de ficar só reclamando dos jornais enrugados.&lt;br /&gt;É uma leitura fascinante. Leve. Acompanha um drink na praia ou na piscina ou no sofá mesmo do mesmo jeito que um prato de petiscos, você vai consumindo e quando vê já acabou. Passou saborosamente e você nem sentiu. Assim como seria fácil devorar vários pratos de petiscos com vários drinks, seria fácil fazer o mesmo com vários livros como esse. Que tratam de assuntos tão pulsantes quanto a escolha de uma camisa na alfaitaria mais luxuosa de Londres. O livro tem cada sugestão maravilhosa para um rico indeciso passar seus dias. Provavelmente, você não terá dinheiro pra experimentar nenhuma delas, mas com certeza vai usar sua imaginação pra isso, viu? Ë a literatura fazendo seu cérebro trabalhar, pelo menos até seu cérebro ganhar tanto dinheiro que possa tirar férias.&lt;br /&gt;Claro que se Peter Mayle fosse mulher, como a crítica que vos fala, ele ainda encontraria uma incrível gama de opções nos salões de beleza e spas de relaxamento ( os meus preferidos): maassagens indianas, pedras quentes, scrubs, banhos de cleóprata...ah se eu começar a falar não páro mais. Daria um livro. Quem sabe o editor do Peter Mayle não se interessa? É um trabalho duro, mas, se alguém tem que fazer, eu faço. O pobre Peter já deve estar cansado dessa vida de vinhos raros e paparicos. Urge que ele arrume uma ajudante. Já. E para finalizar a crítica, resta a nos mortais saber que um dos grandes prazeres da vida não custa tão caro. Ler um bom livro. Exatamente como esse.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113577876717385886?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113577876717385886/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113577876717385886' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113577876717385886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113577876717385886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/12/gostos-adquiridos-peter-mayle.html' title='Gostos Adquiridos - Peter Mayle'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113577641396360950</id><published>2005-12-28T05:26:00.000-08:00</published><updated>2005-12-28T05:29:59.003-08:00</updated><title type='text'>A guerra dos vegetais - FILME</title><content type='html'>Sobre o quê: Numa cidade cuja principal atividade é o cultivo de vegetais, acontece todo ano a grande competição para eleger o maior vegetal de todos. Este ano, porém, a competição está ameaçada por um predador desconhecido que destrói as plantanções. Somente o exterminador de predadores e seu fiel cão podem salvar a cidade e a competição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Calma, você não enlouqueceu. Pode também ser que o nome do filme seja a guerra dos legumes, não lembro mais. Mas isso não importa. Legumes, vegetais, resolvi botar críticas, ou melhor, resenhas de filmes, aqui também. Vou estrear com a Guerra dos Legumes, dos Vegetais ou a Revolta, sei lá. Tá achando rídiculo? Então vai assisitir o horário político para ver se você vota sim ou não pelo desarmamento. Pronto, continuando, a Guerra dos Vegetais, vamos chamá-lo assim para não fazer mais confusão, é um filme bem adulto. Darei exemplos ao longo da resenha, mas posso adiantar que fui a pessoa que mais riu no filme. Tudo bem que a platéia do cinema era formada por mim, duas babás e cinco crianças. As crianças não entendiam as piadas, nem era possível, não eram piadas infantis, eram para um adulto bobo ou bem humorado, meu caso. Vou chegar no exemplo: tem uma hora que o cachorro está dirigindo (vejam bem, é um desenho, o cachorro dirige, mas não fala, claro, cachorro não fala!) e, dirigindo, passa por um monte de obstáculos típicos de desenho animado, derruba muros, bate em postes etc, mas, qando o carro pára, o cão está puto ( desculpem mas se eu dissesse com raiva podiam entender que ele estava doente), bom, está puto e dá um soco no volante, aí, só aí, depois de tanto acidente, o air bag explode na cara dele. Nem precisa dizer que só eu ri, as babás não tinham carro e as crianças não sabiam o que era air bag. Tem outros exemplos. Mas não vou entregar de bandeja. Tá bom: só mais um, outra hora o cachorro pega um carrinho de brinquedo, desses que a criança sobe e fica botando moedas para o carrinho funcionar, comum em shoppings. O cachorro pega um carro desses e sai voando, perseguido pelo cachorro adversário, aí a luzinha acende, o carro precisa de mais moedas, os dois cachorros se olham, o adversário procura, procura, procura e finalmente acha uma moeda no bolso (bolso, isso mesmo), dá ao cachorro que está dirigindo e eles continuam a perseguição. Fala aí...Não é um filme adulto?&lt;br /&gt;Antigamente as pessoas adultas iam ao cinema assitir ao novo filme do pato Donald ou tom e jerry, hoje se acha que desenho é coisa de criança. Quem inventou essa imbecilidade? Então quer dizer que Jim Carrey é adulto? Eu acho o pato Donald mais sério. Peraí, eu adoro o Jim Carrey, só que acho mais fácil ele ser infantil que a guerra dos vegetais ou procurando nemo.&lt;br /&gt;Nesses desenhos, há situações que só são engraçadas para adultos mesmo, sátiras de um cotiadiano que não é o cotidiando de uma criança, até porque criança não tem cotidiano, cada dia uma aventura.&lt;br /&gt;Não me incomodei com o barulho que as cinco crianças fizeram na sessao de 15 horas do cinema, achei bonitinho que elas também estivessem gostando do filme. Eles gostavam de uma outra forma, como gostariam de um desenho do he-man. E talvez isso seja o maior encanto. Nem tão adulto como um south park, nem tão criança como um power rangers. Apenas muito do cacete. Muito engraçado.&lt;br /&gt;Não tenha vergonha. Funde um fã cluble, defenda essa idéia. Mas se não der, arraste seu sobrinho e cole um silver tape na boca da gracinha. Ele vai adorar. E você, com certeza, vai adorar mais ainda.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113577641396360950?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113577641396360950/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113577641396360950' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113577641396360950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113577641396360950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/12/guerra-dos-vegetais-filme.html' title='A guerra dos vegetais - FILME'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113534505753189297</id><published>2005-12-23T05:30:00.000-08:00</published><updated>2005-12-25T07:22:17.446-08:00</updated><title type='text'>Cuba e a Noite - Pico Iyer</title><content type='html'>Sobre o quê: Em uma de suas muitas visitas a Cuba, um fotógrafo americano se apaixona por uma cubana, mas a situação política do país não permite que eles tenham um romance normal. Isso faz com que ele fique sempre em dúvida se a cubana quer realmente casar com ele ou apenas fugir de Cuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica: Existem coisas às quais a gente só dá valor quando perde. Pessoas de quem a gente só percebe que gosta depois que vão embora. E livros que a gente sente mais vontade de ler depois do final. Talvez porque só o final, só as últimas palavras revelem a beleza do que passou e você não viu. E agora, com essa beleza nos olhos, o leitor se sente pronto a ler tudo de novo, dessa vez imbuído do espírito do final. Foi isso que fiz com Cuba e a Noite. Só que talvez tenha esperado tempo demais. Foram anos entre o final e o recomeço. O espírito se perdeu. Comecei a reler desinteressada, desconfiada de mim mesmo e do livro.&lt;br /&gt;Não vou negar que, nas primeiras páginas, a história parece pegar no tranco. A visão do autor parece americana demais, a visão da cubana parece americana demais, tudo parece americano demais, cheguei a pensar que eu não entendia nada de política quando era mais nova e gostei desse livro. Mas, vencendo os buracos do caminho, descobri que esse negócio de americano demais estava mais na minha cabeça que na história. Estamos todos com um pé atrás com os USA desde a guerra do Iraque, mas não vamos punir Cuba e a Noite por isso. Enquanto Richard, o fotógrafo, vai se deixando conquistar pela cubana e pelas contradições desse país que nos lembra o nosso Brasil, a gente vai se deixando conquistar pela história, pelos personagens que já não parecem nem cubanos nem americanos e começam a lembrar nossos conhecidos. Mães preocupadas, gente que sempre dá um jeitinho em tudo, policiais não muito honestos e aquelas pessoas incríveis que sempre conseguem transformar a pior das situações em uma festa. É impossível não ficar deliciosamente embriagado, não só com rum, mas com os desejos revolucionários, as praias, as poesias de Martí...&lt;br /&gt;E é aí, justamente quando tudo começa a ficar quase estranhamente perfeito, aí é que vem o momento: o livro acaba e eu fico do mesmo jeito que da primeira vez. Com vontade de ler de novo. Agora já sabendo o quanto de sensibilidade, pureza e beleza existe nesse romance. Mas eu tenho outras coisas a fazer na vida. Não posso passar a existência relendo Cuba e a Noite. Só que tenho certeza, algum dia no futuro vou passar por uma prateleira, que pode ser até a minha aqui de casa e ele vai me chamar outra vez. E outra vez eu vou reler pra me lembrar do que eu tinha gostado tanto. E outra vez só vou descobrir no final. E outra vez vou querer reler. Cuba e a noite é a vida. Feita de encontros importantes que a gente só dá importância quando se tornam despedidas.&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113534505753189297?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113534505753189297/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113534505753189297' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113534505753189297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113534505753189297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/12/cuba-e-noite-pico-iyer.html' title='Cuba e a Noite - Pico Iyer'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113372431226813441</id><published>2005-12-04T11:24:00.000-08:00</published><updated>2005-12-04T11:25:12.283-08:00</updated><title type='text'>O segredo de Emma Corrignan - Sophie Kinsella</title><content type='html'>Sobre o quê – Emma é uma garota inglesa comum, pesa mais do que as pessoas imaginam, sabe menos do que o patrão imagina etc. Um dia, numa viagem de avião onde ela pensa que vai morrer, resolve contar todos os seus segredos ao cara sentado ao seu lado, o que ela não sabe é que esse cara é o dono da empresa em que ela trabalha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crítica – Escrever por inspiração e escrever sob encomenda sempre foram tidos como coisas opostas, um é o ápice da nobreza, a autêntica manifestação da arte nas pontas dos dedos de um ser abençoado chamado escritor. Outro é uma necessidade financeira, olhado com desdém e que jamais deveria ser comparado com arte. Por que estou dizendo isso? Porque Sophie Kinsella não conhece essa barreira. Ela simplesmente ignora essas definições. Por isso, seu primeiro livro, provável fruto de simples inspiração, é simplesmente tão genial quanto o segundo que é tão genial quanto o terceiro que é, PASMEM, tão absolutamente genial quanto “O segredo de Emma Corrignan”. Como ela faz isso? Não sei. Isso deve ser o segredo de Sophie Kinsela. Depois do sucesso de “Os delírios de consumo de Becky bloom” ninguém esperava uma coisa igual da autora, nem eu. O segundo me surpreendeu, o terceiro idem, mas o quarto, no qual ela abandona a sua personagem consumista e parte para outra, o quarto me deixou aterrorizada. Sophie tem poderes sobrenaturais. As palavras dessa autora nos enfeitiçam de uma forma que 300 ou 400 páginas de repente parecem um bilhete. De repente, nada mais importa, nem a sua própria vida, só faz diferença saber qual será a próxima confusão do romance. É incrível como ela consegue manter um suspense permanente, mais concreto e perene que a maioria dos livros policiais, uma situação totalmente inusitada vai se sucedendo a outra até o final da história. E o leitor se pega querendo saber só como vai terminar determinada confusão e depois vai tratar da sua própria vida, mas quando vê, a confusão não termina nunca e quando mais confusão, mais a gente gosta, mais páginas a gente quer o livro tenha. Vou confessar. Nas últimas 50 páginas dos livros de Sophie, eu tento diminuir o ritmo, como um praticante de sexo tântrico literário, tento aumentar a distância entre eu e o final. Sei que a última linha vai me provocar um enorme vazio, uma solidão gigantesca, uma sensação de abandono completo. Terminar um livro dela é como ser expulsa do útero materno, passa-se de um mundo de sonho a nossa realidade inóspita. Só uma coisa nos consola. Sophie é muito, muito jovem. Se Deus quiser e nos rezarmos bastante, ela ainda há de escrever muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113372431226813441?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113372431226813441/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113372431226813441' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113372431226813441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113372431226813441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/12/o-segredo-de-emma-corrignan-sophie.html' title='O segredo de Emma Corrignan - Sophie Kinsella'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113204288533022361</id><published>2005-11-15T00:19:00.000-08:00</published><updated>2005-11-15T00:21:25.340-08:00</updated><title type='text'>O espião que saiu do frio - John Le Carré</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Tendo como cenário a Alemanha dividida pelo muro de Berlim, um espião inglês desempenha uma complicada missão em vários países da europa. Seu nome é Alec Leamas e um dos maiores desafios de sua missão é viver diferentes personagens sem se transformar em um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Primeiro de tudo, há que se dizer que é um livro complicado. Claro, toda história que tem como pano de fundo a Alemanha, Rússia ou qualquer outro país onde mais de três consoantes juntas podem ser usadas numa palavra, exige, no mínimo, uma dose de atenção maior do leitor. As organizações têm nomes impronunciáveis, as cidades idem, mas a genialidade e o sentimento de Jonh Lê Carré nos dão forças. É tão importante saber o que se passa na confusa mente do nosso agente secreto que encaramos os nomes dos lugares mais estapafúrdios como se fossem souzas e silvas. E tome Abteilung...Na verdade, tanta complicação esconde a história mais simples da humanidade. Um cara durão, capaz de beber até não cair, capaz de apanhar até não desmaiar, capaz de mentir até não se contradizer é pego numa grande armadilha. Não pela organização rival, mas pelo seu próprio coração. Toda sua força e experiência como agente secreto não são suficientes para evitar que ele se apaixone por um bibliotecária carinhosa e pura e dócil, como todas as mulheres merecedoras de um grande amor devem ser, que, só para não perder o rumo complicado da história, é participante do partido comunista. Uma presa fácil para as organizações criminosas que se digladiam pelo poder através de seus agentes secretos. Parece cansativo e é. O livro é uma maratona com obstáculos, mas atravessei todos eles com a esperança de ser a leitora também de uma linda história de amor. O final não é feliz. É cinza como imaginamos que a vida entre as duas alemanhas num dia frio deve ser. É escuro como a noite que esconde os espiões. É amargo como a vida de quem nunca pode assumir uma identidade normal. E, talvez por tudo isso, mereça ainda mais ser uma história de amor. Não daquelas com finais felizes. Mas daquelas com finais reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;P. S. – Coincidências&lt;/strong&gt; - Uma: No mesmo período, assisti ao “Jardineiro Fiel” , e descobri que era também de Jonh Lê Carré, Outra: No dia seguinte, assisti “Das coisas belas e sujas” e re-assisti “Alta Fidelidade”, e descobri que os dois são do mesmo diretor, Stephen Frears. A vida vem realmente aos pares, e não é só de havaiana...entendam isso como quiserem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113204288533022361?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113204288533022361/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113204288533022361' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113204288533022361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113204288533022361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/11/o-espio-que-saiu-do-frio-john-le-carr.html' title='O espião que saiu do frio - John Le Carré'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-113155653436947692</id><published>2005-11-09T09:14:00.000-08:00</published><updated>2005-11-09T09:15:34.383-08:00</updated><title type='text'>Mandrake - a bíblia e a bengala – Rubem Fonseca</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê&lt;/strong&gt;: Mandrake é um advogado criminal que já apareceu em dois livros: “E do meio do mundo prostituto só amores guardei ao meu charuto” e “A grande arte”. Agora o autor nos aproxima da vida pessoal e profissional e de Mandrake, contando suas diversas aventuras de detetive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Me perdoem se eu estiver errada (perdoem também esse começo ), continuo, mas esse livro não era para ser um romance, quer dizer, uma história só? Li na contracapa: “nova aventura de mistério e suspense”. Uma relação tão estreita quanto a de um livro com o leitor não pode começar com uma mentira. Senão a primeira coisa que o leitor sente é decepção. Sou fã de carteirinha do Rubem Fonseca, mas foi isso que senti quando percebi que o livro é quase um livro de contos, como as aventuras de Ed Mort. Claro que isso não desmerece em nada o livro, mas quem compra uma banana quer uma banana, por mais que goste de maçãs. Fruta por fruta, o livro também não é um abacaxi, mas precisava registrar esse fato que teria mudado minhas expectativas e conseqüentemente minhas opiniões, que é melhor eu dizer logo quais são. Vamos lá. Ninguém abre um livro do Rubem Fonseca sem um grande tesão. Como também sou fã de romances policiais, estava maravilhada com o fato de um de meus autores preferidos ter escrito um e mais maravilhada porque ele estava nas minhas mãos, pronto para ser devorado. Fui devorando até o meio quando percebi que havia uma grande divisão entre a bíblia e a bengala. São duas histórias distintas que tem o personagem principal, Mandrake, e alguns outros em comum, mas são duas e não uma como se induz o leitor a pensar. Se você compra um livro cujo nome é Romeu e Julieta, você não acha que primeiro vai ler a história do Romeu, depois a da Julieta, e, no meio da última, algumas outras. Isso doeu. E doeu mais porque é o Rubem Fonseca. Respirei fundo e me conformei. Não foi difícil porque o Mandrake é o personagem mais Rubem Fonseca de Rubem Fonseca, engraçado, cínico, amoral, o detetive por quem se apaixona todo aquele que ama histórias policiais. As do Mandrake são divertidas, mas (infelizmente) não têm a estrutura que um policial classe “A” deve ter. Principalmente a da bengala, onde há falhas que bons detetives de história de detetives certamente vão encontrar. Quer um conselho? Fique com a vida do Mandrake e esqueça os mistérios. Ele é o lado Rubem Fonseca do livro. Quer outro? Espere o próximo livro do autor e torça para que esse seja inteiramente Rubem Fonseca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-113155653436947692?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/113155653436947692/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=113155653436947692' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113155653436947692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/113155653436947692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/11/mandrake-bblia-e-bengala-rubem-fonseca.html' title='Mandrake - a bíblia e a bengala – Rubem Fonseca'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-112567633765615549</id><published>2005-09-02T08:45:00.000-07:00</published><updated>2005-09-02T08:53:09.160-07:00</updated><title type='text'>Júlio Sumiu - Beto Silva</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Um adolescente de classe média alta desaparece de sua casa. A mãe e o pai entram em desespero imaginando os horrores de um sequestro. O irmão está mais precocupado em se aproveitar da situação e toda a família acaba envolvida com traficantes e com a polícia de forma absolutamente hilária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Seu casseta escreveu um livro do casseta. Até Júlio Sumiu só Chico Buarque (com Budapeste) tinha me feito ter vontade de reler um livro que eu acabei de ler. Sério. Tive que me segurar para não passar mais uma semana relendo Júlio Sumiu. Um suspense onde todas as peças se encaixam direitinho e mesmo usando a minha super peneira não vi ficar nada que não tivesse uma boa e verossímel explicação. Mas o melhor é o riso. Na capa do livro, está escrito suspense com humor. Devia ser suspense hilário. Passei por maluca várias vezes lendo Júlio Sumiu e rindo sozinha. Beto Silva mostra, que além de um corpinho sarado, tem uma mente mais brilhante que talher em comercial de bombril. Observador atento de todas as manias da nossa sociedade, o autor reconstrói, com requinte de perfeição, a vida de uma familia de classe media da zona sul carioca, o ambiente de uma delegacia, a rotina do tráfico de drogas, a impunidade. E o mais interessante é ver que o humor não atrapalha nada disso. Muito pelo contrário. O humor faz parte do nosso caos, sem humor essa realidade não poderia ser tao bem retratada. É triste fugir de bala perdida, morar na favela, conviver com práticas ilegais, mas é isso que a gente faz no Rio de Janeiro ou em qualquer grande cidade do Brasil. E faz rindo, como no livro do Beto Silva. Se eu fosse um sociólogo, diria que esse livro poderia ser uma tese do comportamento do cidadão diante do caos, olhando-se com frieza, não há situação alguma na história que seja engracada. Um possível sequestro, um envolvimento com traficantes, a dor de uma mãe que pensa ter perdido o filho, a corrupção da polícia. São fatos tristíssimos, podia ser uma novela mexicana. Mas é o texto mais engracado que eu li nos ultimos tempos. Talvez seja isso que a gente faça todos os dias. Focando na graça da desgraça. Afinal, se a vida te deu um limão, arrume mais dois e faca malabarismo no sinal. Felicidade está aí mesmo, para quem assiste menos Jornal Nacional e mais Casseta e Planeta. É possível ser alegre, feliz e sambar no meio de tanta loucura. Se você duvida, faça esse favor a você mesmo. Leia Júlio Sumiu. E como eu não podia terminar de outra forma, vou ter que dizer isso. É do casseta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-112567633765615549?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/112567633765615549/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=112567633765615549' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112567633765615549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112567633765615549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/09/jlio-sumiu-beto-silva.html' title='Júlio Sumiu - Beto Silva'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-112394850983038688</id><published>2005-08-13T08:51:00.000-07:00</published><updated>2005-08-13T08:55:09.836-07:00</updated><title type='text'>Um bom ano - Peter Mayle</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê&lt;/strong&gt;- Um executivo do mercado financeiro é subitamente demitido e, no mesmo dia, descobre que ganhou uma herança do tio. Uma propriedade na França, onde ele costumava passar as férias. O lugar é enorme, fica no charmoso interior francês e tem até uma produção independente de vinhos. Ele viaja sonhando em mudar de vida, conhece várias pessoas e descobre um segredo muito importante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica&lt;/strong&gt; – Desculpem o “sobre o quê” tão bobão, mas a história é essa mesma, e o segredo é mesmo importante para a história. A história é que não é  importante para o fato de gostar ou não do livro. Ex- redator publicitário, Peter Mayle se especializou em escrever livros falando da boa vida dos franceses do interior. Começou com “ Um ano na Provence”, que realmente era incrível. Mas talvez fosse assim porque eu nunca tinha ouvido falar na Provence e tudo era novidade naquele livro. Os cenários eram maravilhosas, as descrições não eram chatas, todas milagrosamente feitas na hora certa, e havia alguma coisa naquela literatura que realmente fazia a gente se sentir na Provence. Venho buscando essa sensação em todos os outros livros de Peter Mayle, se não me engano esse é o quarto que leio. Até agora não descobri se é não acho nada demais porque comparo todos ao primeiro ou se não são nada demais mesmo. Em seu último romance, o autor nos leva a um passeio por uma pequenina cidade no interior da França, mostra os peculiares hábitos de seus habitantes, descreve com louvor o apetite deles, obviamente motivado pela comida e a bebida e  também faz um misteriozinho. Esse ingrediente final ( com tanta comida no livro, ingrediente é palavra certa) é a única diferença desse livro para os demais. E é um mistério tão pequeno que nem o próprio autor parece dar valor a ele. Faz muito bem. Leitores de Peter Mayle gostam mesmo é de passear por vinícolas francesas, ler um texto bem humorado e de tão bom gosto quanto a comida descrita. Não é um livro que você não consegue largar, mas é um livro que você tem vontade de pegar para relaxar, meio como se faz com a sessão de quadrinhos do jornal, sem pretensão de seriedade mas com um certeza de qualidade. Muita gente chamaria de literatura fácil, mas quem não quer uma vida fácil e regada a vinho de vez em quando? Só faltava vir com o aviso “leia com moderação”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesário&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-112394850983038688?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/112394850983038688/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=112394850983038688' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112394850983038688'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112394850983038688'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/08/um-bom-ano-peter-mayle.html' title='Um bom ano - Peter Mayle'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-112231967307515832</id><published>2005-07-25T12:26:00.000-07:00</published><updated>2005-07-25T12:27:53.080-07:00</updated><title type='text'>Assassinato na ABL</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Uma mórbida coincidência dá início a uma história de assassinatos: um senador que acabara de escrever um livro sobre o envenenamento de todos os imortais é envenenado e morre no dia de sua posse na academia. Essa é a apenas a primeira da série de mortes que terá que ser desvendada pelo comissário Machado Machado, cujo pai era fã de Machado de Assis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; É ótimo. Todo mundo devia ler. Pronto. Podia acabar a crítica por aqui mesmo, mas preciso chover no molhado. Bom, Jô Soares é engraçado. Alguém sabia disso? Mesmo quem já esqueceu aquele gordo do viva o gordo, se é que isso é possível, vai reencontra-lo lá nas páginas do seu assassinato na ABL. Alguns diálogos parecem ter saído de dentro do programa, você pode chegar a imaginar o cenário e os personagens fantasiados. Pero, sin perder la seriedad Del mysterio...Sim. Mais uma vez Jô nos mostrar que joga nas onze e ainda faz gol de cabeça. Sem a comédia, seria um ótimo livro de mistério, pois todos os ingredientes do policial perfeito estão lá: envolvimentos amorosos, noites mal dormidas, pistas indecifráveis, suspeitos prováveis, suspeitos possíveis e, claro, um final surpreendente e totalmente lógico. Agora, sem o mistério, seria um ótimo livro de humor, porque nosso detetive é o Jô, nosso suspeito é o Jô, os membros da ABL, as mulheres fatais, os motoristas, os mordomos, todos são o Jô, com o mesmo humor impagável. Mas mesmo sem o mistério e sem o humor, seria um ótimo livro de literatura porque nos faz viajar no tempo até 1920 com todos os detalhes. Se fosse um filme, seria um daqueles em que você fica procurando um erro no cenário e se surpreende com o cuidado da produção. Não faltam nem os anúncios de remédio para tosse no bonde. E como as palavras são o cenário de um livro, Jô nos cerca de termos charmosos e rebuscados, de um português que, apesar de pedir um Aurélio de vez em quando, nos envolve num encantamento histórico tão grande a ponto de lá pelo meio do livro estarmos passeando bem à vontade pelas ruas do início do século passado. Li uma crítica ruim a este livro e confesso que fiquei torcendo para que o autor da crítica estivesse errado, para  que fosse inveja, sei lá. Comecei a ler com o pé atrás ( leio bem nessa posição) e fui até o fim assim, mas valeu a pena porque pude confirmar com todas as letras das belas e perfeitas palavras de Jô. Se alguém falou mal era inveja. Ou sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesário&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-112231967307515832?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/112231967307515832/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=112231967307515832' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112231967307515832'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112231967307515832'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/07/assassinato-na-abl.html' title='Assassinato na ABL'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-14627016.post-112178593637425109</id><published>2005-07-19T08:08:00.000-07:00</published><updated>2005-07-19T08:12:16.376-07:00</updated><title type='text'>Coleção Primavera-Verão – Judith Kant</title><content type='html'>&lt;strong&gt; Sobre o quê:&lt;/strong&gt; Para o Lançamento da coleção Primavera -Verão de um novo estilista francês, foi criado um concurso entre as agências de modelos de NY, O que quase todos desconhecem é o fato de tudo ser  um estratagema do patrocinador para entrar em contato com a filha que ele nunca conheceu, a dona da agência escolhida. Os preparativos para o grande desfile vão provocar uma reviravolta na vida das modelos, jornalistas e fotógrafos envolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Crítica:&lt;/strong&gt; Quem nunca leu um livrinho da Sabrina comprado no jornaleiro atire o primeiro lenço de tafetá (logicamente, úmido de emoção). Coleção Primavera Verão nos traz de volta essa atmosfera sabrinesca. Para quem desconhece o gênero, eram uns romances bem água com açúcar que tinham passagens picantes onde se usavam expressões como “membro duro e intumescido”. No livro de Judith Kant ( escritora de Lúxuria – não li mas já dá pra advinhar), podem se encontrar uma série de membros duros, mamilos rosados, pernas bambas, etceteras molhados e por aí vai. Mas não é um livro pornográfico, ou é o que se chamaria de livro pornográfico para mulheres. Bom, pela capa eu percebi que se tratava da cada vez mais famosa “literatura feminina”, detesto o termo, mas explicarei minhas convicções ideológicas em outra oportunidade. As primeiras páginas me convenceram que se tratava de uma história bem humorada e cheia de frescuras que só as mulheres entendem, até aí ótimo, ia tudo muito brigdet Jones quando os personagens começaram repentinamente a respirar um ar de novela mexicano. Pessoas que mal se conheciam trocavam declarações apaixonadas, envoltas pela realidade que se dissolvia num limbo cor de rosa. Enfim, de uma hora para outra você tem a certeza que a trama da história deixa de ter importância e não se deve perder tempo levando alguma coisa a sério. O negócio é se divertir com os diálogos piegas e improváveis, se deixar levar pelo tesão do membro intumescido e quando não der mesmo, simplesmente ter um ataque de risos. Se fosse uma novela, seria Malhação. As modelos não fazem nada a não ser vestir coisas lindas, beber e se apaixonar. Tudo isso em Paris. Declarações de amor à beira do Rio Sena, noites de festas, sexo tórrido ( claro, tórrido), um intenso clima de vale tudo ( mulher com mulher, velho com moça, pobre com rico) e mucha, mucha fofoca. Por que gostamos de coisas assim? Não sei, mas mesmo sem nenhuma pretensão literária, Judith consegue nos divertir mais do que muita comédia bem escrita. Acho que todos nós temos, se não um lado negro, um  lado roxo, com bolinhas cor de rosa cintilantes. Ah, e muitas purpurinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gisela Cesario&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/14627016-112178593637425109?l=euleiopravoce.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/feeds/112178593637425109/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=14627016&amp;postID=112178593637425109' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112178593637425109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/14627016/posts/default/112178593637425109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://euleiopravoce.blogspot.com/2005/07/coleo-primavera-vero-judith-kant.html' title='Coleção Primavera-Verão – Judith Kant'/><author><name>gigi cesario</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07664940545434355968</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
