Sobre o quê: Sonhando em ser escritor, Arturo Bandini, americano do Colorado e descendente de italianos, vive num hotel decadente de Los Angeles. Enquanto tenta escrever um conto que lhe garanta pagar o aluguel ou o grande livro que lhe tornará famoso, se apaixona por uma garconete mexicana e faz tudo que pode, inclusive escrever, para conquistá-la. ( O pó tem a ver com a poeira do deserto de los angeles, não é sobre cocaína).
Crítica: Bukosvky já escreveu sobre esse livro. Artur Dapieve já escreveu sobre esse livro. Tenho certeza que milhares de outras pessoas importantes também. Agora chegou a minha humilde vez. Como não tenho leitores, posso dizer o que quiser e não me sinto nem um pouco na obrigação de concordar com gente inteligente e conhecida. Até torci secretamente pra achar o livro uma porcaria e acabar com essa ditadura de Jonh Fante. Mas vou ter que repetir aqui as mesmas coisas que já li em todas as críticas como uma simples maria vai com as outras.
Talvez a única grande diferença é que todos os outros críticos se apaixonaram pela garconete mexicana e eu me apaixonei mesmo pelo Arturo Bandini. Como não se apaixonar? Como não ter vontade de ser garçonete e mexicana?
De início, o personagem de Jonh Fante faz com que todos os escritores se identifiquem com ele, quem já é famoso e quem já pensou em ser (isso, claro, inclui todos). Depois, faz com que todos que já sonharam desperamente conseguir alguma coisa se identifiquem com ele. Finalmente faz com que todos que se apaixonaram por alguém, só de olhar pra essa pessoa, se identifiquem com ele. Portanto, se você não se identificar com ele não significa que você não é parecido com o Bukovisky, significa que não é desse planeta. E só pra dar a impressão que ele está falando diretamente com quem nasceu aqui ou outro lugar diferente de Los Angeles, ele ainda faz com que todos que já imaginaram uma vida em holywood se idenfiquem com ele. Desde nós, rélis tupiniquins, até os caipiras dos EUA.
Claro, ainda tem a história de amor dele com a mexicana. Uma história que, como a maioria das histórias de amor, acontece mais na cabeça de quem ama do que na realidade mesmo.
Ler John Fante é passar um tempo nessa cabeça que ama sem retorno, que quer ser escritor, que gasta todo dinheiro que ganha e se imagina muito famoso e passa situações de fazer rir e chorar ao mesmo tempo.
Um mundo fascinante, no qual todos nós vivemos todos os dias, mas parece que só descobrimos depois de ler “Pergunte ao pó”.
Gisela Cesario
Este é um blog de crítica literária. O objetivo é puramente entretenimento. Todas as críticas refletem apenas a opinião e o gosto pessoal da autora do blog. Não há, em momento algum, pretensão de julgar a obra exposta. Se qualquer autor(a) se sentir ofendido por essas palavras, pedimos desculpas por nosso erro, pois certamente não escrevemos com esse intuito. PS - Eventualmente, você também poderá encontrar aqui resenhas de filmes
quarta-feira, julho 26, 2006
terça-feira, junho 27, 2006
Mémorias de Minhas Putas Tristes – Gabriel Garcia Marques
Sobre o quê: Um dia antes de completar 90 anos, um jornalista solteirão decide que seu presente de aniversário deverá ser uma virgem e, para isso, recorre a uma velha amiga cafetina. E o que parecia ser o final de uma vida se torna o início de um grande amor.
Crítica: Como diria Odorico Paraguaçu, é com a alma lavada e enxaguada que confesso: nunca havia lido Gabriel Garcia Marques. E, no entanto, suas palavras me soaram como se estivesse conversando com um velho amigo. E não um amigo qualquer, um amigo estilo Rubem Fonseca. Não é à toa que dizem que os livros são os melhores amigos. Pois esse me mostrou uns pedacinhos da Colômbia, falou de uns lugares que só vejo nos anúncios de roteiros turísticos.Como sempre, a gente fica impressionada como o Brasil se parece com outros países do terceiro mundo, acho que os Brasileiros imaginam que seu país é único. Mas, deixando de lado os entrementes e indo direto aos finalmentes para continuar no estilo do Odorico, o livro é uma linda história de amor. Um romance disfarçado de pseudo-biografia. Usando o flashback, o velho personagem fala de sua loucura ao completar 90 anos, querer uma virgem. As coisas não acontecem como deveriam ( ou nesse caso, acontecem exatamente como deveriam) e a relação não se consuma, os dois somente dormem juntos. E aí sim vem o inesperado: o primeiro amor de um senhor de 90 anos. Uma paixão que se resume em dormir ao lado da amada, ele não quer ouvir sua voz, não quer saber sobre a vida dela, seu fetiche é ouvir a respiração da menina, vê-la ressonar, imagina-la um anjo talvez. Não são todos os que amam meio loucos? Não preferem sempre a ilusão à realidade? Ao contar a história desse primeiro amor, ele relembra todos os seus casos, as mulheres que sempre teve e nunca amou, comparando com aquela que nunca teve e ama desesperadamente. As outras, as putas, são tristes. A virgem é a que traz felicidade, angústia, ciúme e todos os sentimentos misturados que o sentimento do amor provoca. E o autor vai contando tudo isso tão rápido que a gente nem vê as páginas passando e com uma prosa tão bonita que parece até poesia. Não vou contar o fim do livro. Só posso dizer uma coisa sobre o fim: ele chega muito rápido. Não vejo a hora de me reencontrar com esse novo amigo, Gabriel Garcia Marques, em outro livro. Com certeza, tive imenso prazer em lhe conhecer.
Gisela Cesario
Crítica: Como diria Odorico Paraguaçu, é com a alma lavada e enxaguada que confesso: nunca havia lido Gabriel Garcia Marques. E, no entanto, suas palavras me soaram como se estivesse conversando com um velho amigo. E não um amigo qualquer, um amigo estilo Rubem Fonseca. Não é à toa que dizem que os livros são os melhores amigos. Pois esse me mostrou uns pedacinhos da Colômbia, falou de uns lugares que só vejo nos anúncios de roteiros turísticos.Como sempre, a gente fica impressionada como o Brasil se parece com outros países do terceiro mundo, acho que os Brasileiros imaginam que seu país é único. Mas, deixando de lado os entrementes e indo direto aos finalmentes para continuar no estilo do Odorico, o livro é uma linda história de amor. Um romance disfarçado de pseudo-biografia. Usando o flashback, o velho personagem fala de sua loucura ao completar 90 anos, querer uma virgem. As coisas não acontecem como deveriam ( ou nesse caso, acontecem exatamente como deveriam) e a relação não se consuma, os dois somente dormem juntos. E aí sim vem o inesperado: o primeiro amor de um senhor de 90 anos. Uma paixão que se resume em dormir ao lado da amada, ele não quer ouvir sua voz, não quer saber sobre a vida dela, seu fetiche é ouvir a respiração da menina, vê-la ressonar, imagina-la um anjo talvez. Não são todos os que amam meio loucos? Não preferem sempre a ilusão à realidade? Ao contar a história desse primeiro amor, ele relembra todos os seus casos, as mulheres que sempre teve e nunca amou, comparando com aquela que nunca teve e ama desesperadamente. As outras, as putas, são tristes. A virgem é a que traz felicidade, angústia, ciúme e todos os sentimentos misturados que o sentimento do amor provoca. E o autor vai contando tudo isso tão rápido que a gente nem vê as páginas passando e com uma prosa tão bonita que parece até poesia. Não vou contar o fim do livro. Só posso dizer uma coisa sobre o fim: ele chega muito rápido. Não vejo a hora de me reencontrar com esse novo amigo, Gabriel Garcia Marques, em outro livro. Com certeza, tive imenso prazer em lhe conhecer.
Gisela Cesario
sexta-feira, junho 02, 2006
O intocável - Jonh Banville
Sobre o quê: Victor Maskell era um homem respeitado na Inglaterra, tinha até um título de cavaleiro das artes, concedido pela rainha. Ele perde tudo isso quando sua identidade de espião é revelada. Durante mais de 20 anos, Victor levou uma vida dupla, de agente russo e homossexual. Publicamente humilhado, ele resolve nos contar suas memórias.
Crítica: Empatia não se dá só entre pessoas. Cada vez acredito mais que exista essa força, essa troca de energias também entre pessoas e objetos, mais especificamente os livros. Isso deve explicar porque o meu fascínio inicial por esse livro, O intocável. Porém, cada vez que constatava sobre o quê era a história, desistia de ler. Imaginei que fosse um relato político, chatíssimo. Finalmente, decidi que ia tentar de qualquer jeito. E mais uma vez vi que nossa intuição sabe muito mais do que a razão.
A vida de Victor Maskell tem muitos ingredientes para ser fascinante. Um irlandês extremamente sensível e inteligente consegue ocupar altos cargos em meios fechados da Inglaterra, trabalhando com arte, com história da arte e, claro, com espiões russos. Esse irlandês também gosta de homens, não de um modo caricático ou politicamente correto ( acho que andaram inventando um modo politicamente correto de ser homossexual, já repararam?), mas ele gosta de um modo natural, como você gosta do quer que você goste. Ele tem relações promíscuas, tira vidas inocentes ou não com atos de espionagem, faz enfim, muitas coisas condenáveis, mas é impossível não se apaixonar por esse irlandês, inglês, russo, que tem tantas faces que parece até brasileiro.
Não sei se é o momento de usar a palavra amoral, a realidade, vista sem filtros cor de rosa também parece bem amoral. Guerra e miséria não são menos indecentes que muitos atos comumente condenados.
Mas, apesar de jogar nas duas (com trocadilho, por favor, o livro é muito bem humorado), nosso personagem demonstra uma incrível linearidade de caráter. É, ao mesmo tempo, um marxista e um monarquista, um real cavaleiro inglês e um leviano espião russo, um marido atormentado e um promíscuo inveterado.E tudo isso sem deixar de ser sempre o mesmo: apaixonado, emotivo, introspectivo, sábio, fiel àquilo que vale a pena ser fiel, segundo ele mesmo.
A guerra, quase ia esquecendo, a segunda guerra está lá, tudo se passa em tempos de guerra, não há maior contradição que matar pela paz. Só que esse não é um livro sobre guerra, nem sobre contradições, porque tudo isso é muito natural. Esse seja talvez um livro sobre filosofia, sobre o estoicismo, que, conforme eu aprendi com o autor, é o seguinte: uma corrente que acredita que o mundo nunca progride, porque o equilíbrio entre o bem e o mal permanece constante e os fatos podem diferir um pouco, mas sempre se repetem. Quem esperaria aprender isso num livro de espionagem?
Assim, John Banville desequilibra um pouco esse mundo estóico, surpreende com um texto macio, leve, capaz de nos fazer flanar sobre as matanças de uma bomba. E, na balança final, com mais peso que todas as atitudes politicamente corretas, está a arte do personagem, o amor pela pintura. Com mais peso que todos os assuntos do livro, está a arte do autor, essa habilidade e essa paixão na hora de ordenar as palavras, aquilo que nos confirma amantes da boa literatura.
Gisela Cesario
Crítica: Empatia não se dá só entre pessoas. Cada vez acredito mais que exista essa força, essa troca de energias também entre pessoas e objetos, mais especificamente os livros. Isso deve explicar porque o meu fascínio inicial por esse livro, O intocável. Porém, cada vez que constatava sobre o quê era a história, desistia de ler. Imaginei que fosse um relato político, chatíssimo. Finalmente, decidi que ia tentar de qualquer jeito. E mais uma vez vi que nossa intuição sabe muito mais do que a razão.
A vida de Victor Maskell tem muitos ingredientes para ser fascinante. Um irlandês extremamente sensível e inteligente consegue ocupar altos cargos em meios fechados da Inglaterra, trabalhando com arte, com história da arte e, claro, com espiões russos. Esse irlandês também gosta de homens, não de um modo caricático ou politicamente correto ( acho que andaram inventando um modo politicamente correto de ser homossexual, já repararam?), mas ele gosta de um modo natural, como você gosta do quer que você goste. Ele tem relações promíscuas, tira vidas inocentes ou não com atos de espionagem, faz enfim, muitas coisas condenáveis, mas é impossível não se apaixonar por esse irlandês, inglês, russo, que tem tantas faces que parece até brasileiro.
Não sei se é o momento de usar a palavra amoral, a realidade, vista sem filtros cor de rosa também parece bem amoral. Guerra e miséria não são menos indecentes que muitos atos comumente condenados.
Mas, apesar de jogar nas duas (com trocadilho, por favor, o livro é muito bem humorado), nosso personagem demonstra uma incrível linearidade de caráter. É, ao mesmo tempo, um marxista e um monarquista, um real cavaleiro inglês e um leviano espião russo, um marido atormentado e um promíscuo inveterado.E tudo isso sem deixar de ser sempre o mesmo: apaixonado, emotivo, introspectivo, sábio, fiel àquilo que vale a pena ser fiel, segundo ele mesmo.
A guerra, quase ia esquecendo, a segunda guerra está lá, tudo se passa em tempos de guerra, não há maior contradição que matar pela paz. Só que esse não é um livro sobre guerra, nem sobre contradições, porque tudo isso é muito natural. Esse seja talvez um livro sobre filosofia, sobre o estoicismo, que, conforme eu aprendi com o autor, é o seguinte: uma corrente que acredita que o mundo nunca progride, porque o equilíbrio entre o bem e o mal permanece constante e os fatos podem diferir um pouco, mas sempre se repetem. Quem esperaria aprender isso num livro de espionagem?
Assim, John Banville desequilibra um pouco esse mundo estóico, surpreende com um texto macio, leve, capaz de nos fazer flanar sobre as matanças de uma bomba. E, na balança final, com mais peso que todas as atitudes politicamente corretas, está a arte do personagem, o amor pela pintura. Com mais peso que todos os assuntos do livro, está a arte do autor, essa habilidade e essa paixão na hora de ordenar as palavras, aquilo que nos confirma amantes da boa literatura.
Gisela Cesario
quinta-feira, abril 13, 2006
A irmã de Becky Bloom - Sophie Kinsela
Sobre o quê: A consagrada consumista Becky descobre que não é filha única. Ela tem uma meia-irmã. Mas isso não é o que mais surpreende nossa personagem, o mais incrível para ela é descobrir que sua própria irmã simplesmente odeia fazer compras.
Crítica: Não sei a Sophie Kinsela tem um fã clube, se tiver, certamente eu poderia ser a presidente, ou pelo menos ter um cargo de diretoria. Li todos os seus livros e adorei cada página deles, todos são surpreendentes. Com exceção deste. Vejam bem, não estou dizendo que o livro não é bom. Estou dizendo que não é surpreendente. Bom, o que a gente espera quando lê uma continuação de um livro ou vê a continuação de um filme? Claro, que não seja tão bom quanto o primeiro, aquele que deu origem à série. Esse é o motivo pelo qual todos os livros de Sophie ( um não é sobre Becky, mas é parecido) foram surpreendentes. Eles são simplesmente tão bons quanto o primeiro, coisa que ninguém podia esperar. O que todo mundo podia esperar era que um dia, a autora fosse escrever um livro que não fosse assim tão surpreendente. Um livro legal que seguisse a mesma receita sucesso, mas não tivesse aquele brilho do primeiro. Não é isso que todo mundo faz? Pois é. Por isso “A irmã de Becky Bloom” não surpreende. A idéia de confrontar Becky com uma pessoa totalmente pão-dura é genial, mas há uma voz politicamente correta que tanto grita que consegue desviar nossa atenção da história. Sim, a irmã de Becky reutiliza pó de café porque teve uma infância pobre, ela nem se sente corajosa suficiente para se olhar no espelho sem se achar fútil e mimada. E claro que, colocadas numa situação limite, onde a própria vida está em risco, as duas descobrem que têm em comum o senso de humor,a compulsão(uma em gastar pouco, a outra, muito) e o grande coração. Será que a irmã fica menos pão dura e Becky menos gastadeira? Não é um dilema digno dos sempre divertidos, hilariantes livros de Sophie.
Nas suas aventuras anteriores, Becky não passava mais de dez páginas sem encarar uma situação que parecia sem saída, não por ser dramática, mas por ser absurdamente engraçada, como ter que pagar duas festas de casamento em dois lugares diferentes. Depois, milagrosamente, ou melhor, genialmente, ela resolvia o problema para entrar numa calmaria que duraria no máximo outras dez páginas.
Foram 3 livros (Repito, em um deles a personagem não é Becky mas o ritmo é igualmente intenso), três pequenos tijolos de cerca de 300 páginas sem perder o fôlego. Agora parece que a autora parou para descansar. A gente entende. Fazer o quê? Só torcer para que a energia volte logo no próximo livro.
Gisela Cesario
Crítica: Não sei a Sophie Kinsela tem um fã clube, se tiver, certamente eu poderia ser a presidente, ou pelo menos ter um cargo de diretoria. Li todos os seus livros e adorei cada página deles, todos são surpreendentes. Com exceção deste. Vejam bem, não estou dizendo que o livro não é bom. Estou dizendo que não é surpreendente. Bom, o que a gente espera quando lê uma continuação de um livro ou vê a continuação de um filme? Claro, que não seja tão bom quanto o primeiro, aquele que deu origem à série. Esse é o motivo pelo qual todos os livros de Sophie ( um não é sobre Becky, mas é parecido) foram surpreendentes. Eles são simplesmente tão bons quanto o primeiro, coisa que ninguém podia esperar. O que todo mundo podia esperar era que um dia, a autora fosse escrever um livro que não fosse assim tão surpreendente. Um livro legal que seguisse a mesma receita sucesso, mas não tivesse aquele brilho do primeiro. Não é isso que todo mundo faz? Pois é. Por isso “A irmã de Becky Bloom” não surpreende. A idéia de confrontar Becky com uma pessoa totalmente pão-dura é genial, mas há uma voz politicamente correta que tanto grita que consegue desviar nossa atenção da história. Sim, a irmã de Becky reutiliza pó de café porque teve uma infância pobre, ela nem se sente corajosa suficiente para se olhar no espelho sem se achar fútil e mimada. E claro que, colocadas numa situação limite, onde a própria vida está em risco, as duas descobrem que têm em comum o senso de humor,a compulsão(uma em gastar pouco, a outra, muito) e o grande coração. Será que a irmã fica menos pão dura e Becky menos gastadeira? Não é um dilema digno dos sempre divertidos, hilariantes livros de Sophie.
Nas suas aventuras anteriores, Becky não passava mais de dez páginas sem encarar uma situação que parecia sem saída, não por ser dramática, mas por ser absurdamente engraçada, como ter que pagar duas festas de casamento em dois lugares diferentes. Depois, milagrosamente, ou melhor, genialmente, ela resolvia o problema para entrar numa calmaria que duraria no máximo outras dez páginas.
Foram 3 livros (Repito, em um deles a personagem não é Becky mas o ritmo é igualmente intenso), três pequenos tijolos de cerca de 300 páginas sem perder o fôlego. Agora parece que a autora parou para descansar. A gente entende. Fazer o quê? Só torcer para que a energia volte logo no próximo livro.
Gisela Cesario
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
No sufoco – Chuck Palahniuk
Sobre o quê: Victor Mancini tem muitos problemas. É sexólatra, sua mãe está esclerosada e doente numa clínica que custa uma fortuna por mês, seu emprego é esquisito, mal remunerado e ele vive de aplicar o golpe do sufoco em restaurantes. Finge que está sufocando para ser salvo por alguém e depois pedir dinheiro. Como, por que se chega a isso é o assunto do livro.
Crítica: Percebi que Chuck tinha um texto bom pelas primeiras três linhas do livro, o velho truque do “não leia”, velho e eficiente, quem sabe escrever sabe disso.
Chuck começa bem, continua melhor, vai ficando incrível e quando você tem certeza que vai acontecer alguma coisa pra tornar aquele romance algo banal e ridículo, porque está prometendo demais pra ser verdade, ele surpreende, dando ao leitor ainda mais do que foi prometido. Além de emoção, realismo, humor, nosso autor ainda escreveu um belíssimo suspense.
Não sou louca de contar mais nenhuma palavra além disso, mas o livro é de uma inteligência admirável. Pra mim, admirável é exatamente a palavra, admiro como alguém consegue criar uma história complexa sem deixar nenhuma ponta solta, fazendo com que todos os pequenos diálogos, fatos e detalhes tenham sentido. Num romance perfeito, as coincidências não existem. Criei essa definição agora, mas quando se diz que “o acaso não existe” é apenas o desejo humano de que a vida seja perfeita, onde tudo está perfeitamente planejado não há espaço pra imprevistos. Queremos uma vida tão bem planejada quanto aquele filme do Spielberg onde o menino fala “eu vejo gente morta”. “No sufoco” é assim. Mais do que perfeito, porque perfeito seria somente o que satisfaz plenamente nossas expectativas e o livro vai muito além.
As palavras que me faltam estão todas lá, no texto do romance. No início, o estilo me soou meio confuso, mas depois, pareceu que aquele período de estranhamento havia sido necessário. Afinal, o leitor vai mergulhar num universo nada comum. Ser viciado em sexo não é comum, assim como não é comum ter sido criado por uma mãe louca que vivia sendo presa, e muito menos pode ser comum trabalhar numa aldeia que imita o ano de 1700 como se a pessoa estivesse parada no tempo enquanto turistas tiram foto, os amigos fumam maconha, o patrão é um insensível e enganar os outros parece ser a única maneira de sobreviver. Ora, até que isso tudo não é tão incomum assim. Quanto de absurdo existe no nosso dia a dia e já deixou de ser absurdo simplesmente por não ser novidade? Impossível não se identificar com alguma parte desse mundo sem sentido.
Mas quando você já tiver se acostumado a todas às loucuras do livro assim como já se acostumou com as loucuras da sua vida, quando você achar que chegou no ponto do nada mais te surpreende, essa história ainda vai te surpreender. Uma grande surpresa. O que mais a gente pode esperar da vida?
Como diz tão bem a mãe do menino no livro: "A única fronteira que ainda existe é o mundo dos intangíveis...idéias, histórias, música e arte."
Gisela Cesario
Crítica: Percebi que Chuck tinha um texto bom pelas primeiras três linhas do livro, o velho truque do “não leia”, velho e eficiente, quem sabe escrever sabe disso.
Chuck começa bem, continua melhor, vai ficando incrível e quando você tem certeza que vai acontecer alguma coisa pra tornar aquele romance algo banal e ridículo, porque está prometendo demais pra ser verdade, ele surpreende, dando ao leitor ainda mais do que foi prometido. Além de emoção, realismo, humor, nosso autor ainda escreveu um belíssimo suspense.
Não sou louca de contar mais nenhuma palavra além disso, mas o livro é de uma inteligência admirável. Pra mim, admirável é exatamente a palavra, admiro como alguém consegue criar uma história complexa sem deixar nenhuma ponta solta, fazendo com que todos os pequenos diálogos, fatos e detalhes tenham sentido. Num romance perfeito, as coincidências não existem. Criei essa definição agora, mas quando se diz que “o acaso não existe” é apenas o desejo humano de que a vida seja perfeita, onde tudo está perfeitamente planejado não há espaço pra imprevistos. Queremos uma vida tão bem planejada quanto aquele filme do Spielberg onde o menino fala “eu vejo gente morta”. “No sufoco” é assim. Mais do que perfeito, porque perfeito seria somente o que satisfaz plenamente nossas expectativas e o livro vai muito além.
As palavras que me faltam estão todas lá, no texto do romance. No início, o estilo me soou meio confuso, mas depois, pareceu que aquele período de estranhamento havia sido necessário. Afinal, o leitor vai mergulhar num universo nada comum. Ser viciado em sexo não é comum, assim como não é comum ter sido criado por uma mãe louca que vivia sendo presa, e muito menos pode ser comum trabalhar numa aldeia que imita o ano de 1700 como se a pessoa estivesse parada no tempo enquanto turistas tiram foto, os amigos fumam maconha, o patrão é um insensível e enganar os outros parece ser a única maneira de sobreviver. Ora, até que isso tudo não é tão incomum assim. Quanto de absurdo existe no nosso dia a dia e já deixou de ser absurdo simplesmente por não ser novidade? Impossível não se identificar com alguma parte desse mundo sem sentido.
Mas quando você já tiver se acostumado a todas às loucuras do livro assim como já se acostumou com as loucuras da sua vida, quando você achar que chegou no ponto do nada mais te surpreende, essa história ainda vai te surpreender. Uma grande surpresa. O que mais a gente pode esperar da vida?
Como diz tão bem a mãe do menino no livro: "A única fronteira que ainda existe é o mundo dos intangíveis...idéias, histórias, música e arte."
Gisela Cesario
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
CSI - Investigação da cena do crime ( Criminal Scene Investigation)
Sobre o quê: A eletrizante equipe do CSI se divide para desvendar dois crimes: os homens investigam o desaparecimento de uma dona de casa provavelmente esquartejada pelo marido. As mulheres investigam o estrangulamento de uma dançarina de boate.
Crítica: Muito bem, Sucker, mexa esse traseiro gordo... Quem já esqueceu de quando Caceta e Planeta debochavam da dupla de policiais americanos ( “fucker and sucker – uma dupla de dois tiras”) certamente poderá lembrar deles ao ler CSI. Tudo bem, essa era a proposta, não posso reclamar. É como alguém ir assistir a Máquina Mortífera e ficar revoltado com a violência. Por que eu fui ler esse livro? Talvez aquele mistério português do céu azul tenha me deixado tão poética que eu queria um pouco da simplicidade de um seriado americano, crime, pistas, assassino, final. Só que nada é tão simples assim. Pra começar, eu me recusava a acreditar que esse não era o livro que tinha dado origem à série da TV. Não sejam teimosos como eu. Acreditem. Não é. Todo mundo já viu um livro bom dar origem a um filme mais ou menos e a uma série mixuruca. Como nunca tive paciência para assisitir a um CSI inteiro na TV, achei que fosse isso, uma série mixuruca saída de uma boa idéia que estaria ali, naquele livro que eu tinha acabado de adquirir. Não. É o contrário. Literalmente. A série mixuruca deu origem a esse livro.
Ora, livros dão origem a filmes, filmes dão origem a seriados, não dá pra ir no sentido inverso.É como querer nascer velho e morrer bebê.
O autor fez seu dever de casa, escreveu um livro que nos dá a impressão de estar vendo cenas na tv, isso normalmente é um elogio, talvez literariamente seja um elogio, a forma é essa mesmo, o problema é o conteúdo. Policiais fanáticos por seu trabalho, que jamais querem ir para casar comer, dormir ou pegar alguém, brigas inversossímeis ( três policiais armadas contra um dançarina de biquini...), aquele retrato da justiça que faz a média do americano suburbano e com uma inteligência abaixo da média ir dormir tranquilo e se sentindo protegido. Bom, eu só consegui me sentir idiota. E o pior era que eu queria ter gostado. Queria ter adorado, até vi na revistinha da net quando passavam os episódios do CSI, eu ia adorar o livro e ia virar fã da série, mesmo ela sendo mais ou menos. Talvez um dia eu assista a um episódio inteiro só pra saber como é. Novamente, acreditem. Não pode ser pior que o livro.
Gisela Cesario
Crítica: Muito bem, Sucker, mexa esse traseiro gordo... Quem já esqueceu de quando Caceta e Planeta debochavam da dupla de policiais americanos ( “fucker and sucker – uma dupla de dois tiras”) certamente poderá lembrar deles ao ler CSI. Tudo bem, essa era a proposta, não posso reclamar. É como alguém ir assistir a Máquina Mortífera e ficar revoltado com a violência. Por que eu fui ler esse livro? Talvez aquele mistério português do céu azul tenha me deixado tão poética que eu queria um pouco da simplicidade de um seriado americano, crime, pistas, assassino, final. Só que nada é tão simples assim. Pra começar, eu me recusava a acreditar que esse não era o livro que tinha dado origem à série da TV. Não sejam teimosos como eu. Acreditem. Não é. Todo mundo já viu um livro bom dar origem a um filme mais ou menos e a uma série mixuruca. Como nunca tive paciência para assisitir a um CSI inteiro na TV, achei que fosse isso, uma série mixuruca saída de uma boa idéia que estaria ali, naquele livro que eu tinha acabado de adquirir. Não. É o contrário. Literalmente. A série mixuruca deu origem a esse livro.
Ora, livros dão origem a filmes, filmes dão origem a seriados, não dá pra ir no sentido inverso.É como querer nascer velho e morrer bebê.
O autor fez seu dever de casa, escreveu um livro que nos dá a impressão de estar vendo cenas na tv, isso normalmente é um elogio, talvez literariamente seja um elogio, a forma é essa mesmo, o problema é o conteúdo. Policiais fanáticos por seu trabalho, que jamais querem ir para casar comer, dormir ou pegar alguém, brigas inversossímeis ( três policiais armadas contra um dançarina de biquini...), aquele retrato da justiça que faz a média do americano suburbano e com uma inteligência abaixo da média ir dormir tranquilo e se sentindo protegido. Bom, eu só consegui me sentir idiota. E o pior era que eu queria ter gostado. Queria ter adorado, até vi na revistinha da net quando passavam os episódios do CSI, eu ia adorar o livro e ia virar fã da série, mesmo ela sendo mais ou menos. Talvez um dia eu assista a um episódio inteiro só pra saber como é. Novamente, acreditem. Não pode ser pior que o livro.
Gisela Cesario
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Um céu demasiado azul - Viegas
Sobre o quê: Desvendar o assassinato do filho de um importante membro do ministério. Com esse desafio, dois detetives amigos se reúnem e acabam fazendo um balanço das próprias vidas.
Crítica: Bom, no sobre o que me deu vontade de escrever “boa pergunta”.
Eu mesma me fiz essa pergunta várias vezes durante o romance. Com uma prosa bem envolvente, Viegas vai nos envolvendo pra não dizer nos enrolando e mistério que é bom, necas. Por ter um texto tão agradável, não chega a ser nenhum sacríficio ler as bem traçadas linhas desse autor, mas sobre o quê era mesmo que estávamos falando? É isso que acontece. A gente esquece o objetivo do livro se é que existe algum objetivo, se é que precisa existir algum objetivo num livro além do prazer de ler. Ou não. Um Céu Demasiado Azul é assim,ofuscante. O céu é tão azul que a beleza dessas descrições, das histórias paralelas ofusca o mal iluminado mistério. Sabe quando você entra num ônibus que dá tanta volta que te faz esquecer aonde estava indo? Dizer isso pode parecer meio vago, mas aí vai um dado concreto: os dois personagens principais somente se reencontram na página duzentos. Pelo amor de Deus, a história se baseia no reencontro deles ( leiam a orelha e comprovem!), é um pouco demais esperar até a página duzentos pra começar o que devia ter começado lá onde se começa um livro, nas primeiras páginas. A partir daí, o romance pára de entrar em todas as ruas que encontra e finalmente segue uma linha razoavelmente reta. Até senti algum interesse de saber o desfecho do suspense, quem era o assassino, porquê, esses detalhes que diferenciam um livro de mistério de outro. Só que já era tarde demais, várias vezes voltei as páginas para me lembrar o nome de um personagem, que era ele, por que estavam falando dele. Os nomes parecidos e o português de Portugal não ajudam muito. Alguns autores estrangeiros, normalmente os americanos, têm uma mania muito chata de colocar personagens com dois nomes como, por exemplo, Jack Smith, até aí tudo bem, mas tem horas que se diz Jack saiu, depois vem Smith voltou. Vaí aí um parentêse da minha opinião sobre esse hábito ( Repetir nome não é falta de vocabulário, é demonstração de clareza, o leitor deve ficar ansioso pra saber o final do livro e não de quem o autor está falando) Pronto, parêntese feito, volto ao céu azul de Viegas, onde a gente se perde e não se importa muito em se encontrar de volta, pois o caminho está tão bonito...Não é um romance empolgante, não é um suspense intrigante, mas mesmo assim, a gente tem vontade de continuar lendo, talvez por não acreditar que um texto tão bom simplesmente não vai dar em nada. Apesar dessa decepção, Viegas nos deixa um pouco poéticos e não posso deixar de lembrar daquele música: “Se eu quiser falar com Deus tenho que dar às costas, caminhar, decidido, pela estrada que ao findar vai dar em nada, nada, nada, nada do que eu pensava encontrar.”
Gisela Cesario
Crítica: Bom, no sobre o que me deu vontade de escrever “boa pergunta”.
Eu mesma me fiz essa pergunta várias vezes durante o romance. Com uma prosa bem envolvente, Viegas vai nos envolvendo pra não dizer nos enrolando e mistério que é bom, necas. Por ter um texto tão agradável, não chega a ser nenhum sacríficio ler as bem traçadas linhas desse autor, mas sobre o quê era mesmo que estávamos falando? É isso que acontece. A gente esquece o objetivo do livro se é que existe algum objetivo, se é que precisa existir algum objetivo num livro além do prazer de ler. Ou não. Um Céu Demasiado Azul é assim,ofuscante. O céu é tão azul que a beleza dessas descrições, das histórias paralelas ofusca o mal iluminado mistério. Sabe quando você entra num ônibus que dá tanta volta que te faz esquecer aonde estava indo? Dizer isso pode parecer meio vago, mas aí vai um dado concreto: os dois personagens principais somente se reencontram na página duzentos. Pelo amor de Deus, a história se baseia no reencontro deles ( leiam a orelha e comprovem!), é um pouco demais esperar até a página duzentos pra começar o que devia ter começado lá onde se começa um livro, nas primeiras páginas. A partir daí, o romance pára de entrar em todas as ruas que encontra e finalmente segue uma linha razoavelmente reta. Até senti algum interesse de saber o desfecho do suspense, quem era o assassino, porquê, esses detalhes que diferenciam um livro de mistério de outro. Só que já era tarde demais, várias vezes voltei as páginas para me lembrar o nome de um personagem, que era ele, por que estavam falando dele. Os nomes parecidos e o português de Portugal não ajudam muito. Alguns autores estrangeiros, normalmente os americanos, têm uma mania muito chata de colocar personagens com dois nomes como, por exemplo, Jack Smith, até aí tudo bem, mas tem horas que se diz Jack saiu, depois vem Smith voltou. Vaí aí um parentêse da minha opinião sobre esse hábito ( Repetir nome não é falta de vocabulário, é demonstração de clareza, o leitor deve ficar ansioso pra saber o final do livro e não de quem o autor está falando) Pronto, parêntese feito, volto ao céu azul de Viegas, onde a gente se perde e não se importa muito em se encontrar de volta, pois o caminho está tão bonito...Não é um romance empolgante, não é um suspense intrigante, mas mesmo assim, a gente tem vontade de continuar lendo, talvez por não acreditar que um texto tão bom simplesmente não vai dar em nada. Apesar dessa decepção, Viegas nos deixa um pouco poéticos e não posso deixar de lembrar daquele música: “Se eu quiser falar com Deus tenho que dar às costas, caminhar, decidido, pela estrada que ao findar vai dar em nada, nada, nada, nada do que eu pensava encontrar.”
Gisela Cesario
sexta-feira, janeiro 27, 2006
Berenice procura - Luiz Alfredo Garcia Rosa
Sobre o quê: O assassinato de um travesti em Copacabana desperta o interesse de Berenice, taxista da área, quando um sem-teto parece estar sendo envolvido injustamente no caso. Ela, mesmo com a total desaprovação do ex-marido, que é jornalista policial, resolve investigar o caso.
Crítica: Não gosto de falar mal de gente, falar mal de livro então é pior ainda.
“Berenice Procura” começa bem (já adivinhou que aí vem bomba, né? E vem mesmo), começa tão bem que a gente desconfia. Com um ritmo incrivelmente intenso, a primeira metade do livro faz uma grande promessa que a segunda não consegue, nem de longe, cumprir. Vamos então falar da primeira parte que ela merece. Luiz Alfredo nos apresenta um personagem chamado Russo, um sem-teto que passou a vida toda nas ruas de Copacabana e, hoje, com 30 e poucos anos, conhece como ninguém não só as esquinas mas os bueiros e subterrâneos do bairro. Tanto que dorme nas galerias inacabadas do metrô. As ruas existem mesmo, as galerias também, meninos e adultos como Russo certamente existem, a gente pode vê-los a todo instante em Copacabana. Isso, pra quem mora no Rio e sabe do que o autor está falando, é certamente fascinante, não sei pra quem não conhece, mas eu, quando estava no meio do livro, quase subi a pedra onde termina a Rua Constante Ramos pra ver se tinha uma entrada para uma galeria do metrô ali. Essa é a primeira metade e um pouco mais do livro. Instigante, irresistível, pulsante e todos os adjetivos cabíveis àqueles mistérios que talvez só a Agatha Christie tenha escrito. Ou o Luiz Alfredo tinha escrito o melhor policial brasileiro que eu conhecia ou eu ia me decepcionar. Infelizmente foi a segunda opção. Perto do final, o que era um ritmo intenso se torna um atropelamento de fatos, como se diz, coisas estranhas começam a acontecer. Acho que o ponto de inflexão é quando a Berenice resolve começar a seguir o Russo e depois resolve falar com ele, ainda explicando ao rapaz seu grande medo que uma injustiça seja cometida. Isso não tem cabimento. Não vou esmiuçar os motivos, mas quem ler vai, possivelmente, concordar comigo, não tem cabimento um personagem solitário que vive na sua tomar ares de justiceiro de repente e ainda mais porque não há ameaça real alguma pairando sobre nosso anti-herói. Depois que ela tem uma noite tórrida de amor com ele no túnel inacabado do metrô, aí tudo vai pro buraco mesmo, com o perdão do trocadilho, eu não devia dizer mais nada, mas se eu disser, você acredita que o ex-marido ciumento corta com os dois lados e, talvez, tenha tido um caso com o travesti assassinado? Isso até poderia ser interessante, não fosse a aparente pressa ou desespero de terminar o livro que começa a ficar sem pé nem cabeça e termina tão abruptamente que a gente vira a página procurando o resto da história.
O autor não colocou Espinosa, seu personagem policial de outros livros, nesse romance. Ainda bem. Ele não merecia. Não acho que o autor está numa fase ruim, não acho que ele perdeu a inspiração nem nada disso. Só acho que não dá pra acertar sempre. E dessa vez, ele errou feio.
Gisela Cesario
Crítica: Não gosto de falar mal de gente, falar mal de livro então é pior ainda.
“Berenice Procura” começa bem (já adivinhou que aí vem bomba, né? E vem mesmo), começa tão bem que a gente desconfia. Com um ritmo incrivelmente intenso, a primeira metade do livro faz uma grande promessa que a segunda não consegue, nem de longe, cumprir. Vamos então falar da primeira parte que ela merece. Luiz Alfredo nos apresenta um personagem chamado Russo, um sem-teto que passou a vida toda nas ruas de Copacabana e, hoje, com 30 e poucos anos, conhece como ninguém não só as esquinas mas os bueiros e subterrâneos do bairro. Tanto que dorme nas galerias inacabadas do metrô. As ruas existem mesmo, as galerias também, meninos e adultos como Russo certamente existem, a gente pode vê-los a todo instante em Copacabana. Isso, pra quem mora no Rio e sabe do que o autor está falando, é certamente fascinante, não sei pra quem não conhece, mas eu, quando estava no meio do livro, quase subi a pedra onde termina a Rua Constante Ramos pra ver se tinha uma entrada para uma galeria do metrô ali. Essa é a primeira metade e um pouco mais do livro. Instigante, irresistível, pulsante e todos os adjetivos cabíveis àqueles mistérios que talvez só a Agatha Christie tenha escrito. Ou o Luiz Alfredo tinha escrito o melhor policial brasileiro que eu conhecia ou eu ia me decepcionar. Infelizmente foi a segunda opção. Perto do final, o que era um ritmo intenso se torna um atropelamento de fatos, como se diz, coisas estranhas começam a acontecer. Acho que o ponto de inflexão é quando a Berenice resolve começar a seguir o Russo e depois resolve falar com ele, ainda explicando ao rapaz seu grande medo que uma injustiça seja cometida. Isso não tem cabimento. Não vou esmiuçar os motivos, mas quem ler vai, possivelmente, concordar comigo, não tem cabimento um personagem solitário que vive na sua tomar ares de justiceiro de repente e ainda mais porque não há ameaça real alguma pairando sobre nosso anti-herói. Depois que ela tem uma noite tórrida de amor com ele no túnel inacabado do metrô, aí tudo vai pro buraco mesmo, com o perdão do trocadilho, eu não devia dizer mais nada, mas se eu disser, você acredita que o ex-marido ciumento corta com os dois lados e, talvez, tenha tido um caso com o travesti assassinado? Isso até poderia ser interessante, não fosse a aparente pressa ou desespero de terminar o livro que começa a ficar sem pé nem cabeça e termina tão abruptamente que a gente vira a página procurando o resto da história.
O autor não colocou Espinosa, seu personagem policial de outros livros, nesse romance. Ainda bem. Ele não merecia. Não acho que o autor está numa fase ruim, não acho que ele perdeu a inspiração nem nada disso. Só acho que não dá pra acertar sempre. E dessa vez, ele errou feio.
Gisela Cesario
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Gostos Adquiridos - Peter Mayle
Sobre o quê: Peter Mayle é um redator publicitário londrino que abandou a vida dura das agências para se dedicar a descobrir as delícias de morar na Provence, interior da França. Desde então, ele nos presenteia com histórias dessa nova vida. Em Gostos Adquiridos, a dura missão do autor é revelar aos pobres mortais os hábitos e manias dos milionários.
Crítica: Sem querer puxar a sardinha para a minha brasinha, redatores publicitários podem não ser os melhores escritores do mundo, mas ninguém melhor para fazer um texto falando bem, ou seja, vendendo alguma coisa. E que texto delicioso tem Peter Mayle! Não sei que gosto têm trufas nem 99% dos alimentos e bebidas que ele descreve nos seus livros, mas acho que não quero saber, quero pensar que tudo é tão suculento, suculento mesmo, quanto esse texto tão gostoso.
Se o autor já era ótimo falando de coisas que a gente não sabe se são boas ou não, dá pra imaginar o que acontece quando ele resolve falar de coisas que a gente sabe que são maravilhosas apesar de nunca ter experimentado. Exemplo: passear de limusine em Nova Iorque, sair de jato pela Europa para escolher em que restaurante vai almoçar, fazer sapatos sob medida escolhendo todos os detalhes. Até quem nunca sonhou em ser milionário, se é que essa alma existe, tem vontade de sair correndo para fazer uma fezinha na loto depois de alguns capítulos. Mas não pense que Peter Mayle faz uma ode ao dinheiro e ao materialismo, ele mostra muito bem que nem tudo são flores na vida de um milionário. Pode acontecer, como ele relata, de um milionário pegar seu jornal matinal para ler e descobrir que ele não foi passado corretamente. Está enrugado! E pode acontecer de ser na página favorita dele! Que horror!Usando esse tipo de ironia, na verdade o autor nos mostra a tendência de todo milionário, e de todo mundo que tem mais do que precisa, de fazer imensas tempestades em pequenos copos de água. Atire a primeira colherzinha de prata quem nunca se revoltou com um cafezinho previamente açurado no qual se pretendia colocar adoçante ou nada mesmo. Somos todos uns fúteis bobocas. Só que uns tem mais dinheiro, muito mais dinheiro e por isso podem ser ainda mais fúteis e mais bobocas. Além disso, Peter nos mostra, que esse dinheiro, contrariando o dito popular, pode sim trazer felicidade, basta saber usar. Por isso, Gostos Adquiridos também poderia se chamar Manual do Milionário, para pessoa saber o que fazer com seu dinheiro em vez de ficar só reclamando dos jornais enrugados.
É uma leitura fascinante. Leve. Acompanha um drink na praia ou na piscina ou no sofá mesmo do mesmo jeito que um prato de petiscos, você vai consumindo e quando vê já acabou. Passou saborosamente e você nem sentiu. Assim como seria fácil devorar vários pratos de petiscos com vários drinks, seria fácil fazer o mesmo com vários livros como esse. Que tratam de assuntos tão pulsantes quanto a escolha de uma camisa na alfaitaria mais luxuosa de Londres. O livro tem cada sugestão maravilhosa para um rico indeciso passar seus dias. Provavelmente, você não terá dinheiro pra experimentar nenhuma delas, mas com certeza vai usar sua imaginação pra isso, viu? Ë a literatura fazendo seu cérebro trabalhar, pelo menos até seu cérebro ganhar tanto dinheiro que possa tirar férias.
Claro que se Peter Mayle fosse mulher, como a crítica que vos fala, ele ainda encontraria uma incrível gama de opções nos salões de beleza e spas de relaxamento ( os meus preferidos): maassagens indianas, pedras quentes, scrubs, banhos de cleóprata...ah se eu começar a falar não páro mais. Daria um livro. Quem sabe o editor do Peter Mayle não se interessa? É um trabalho duro, mas, se alguém tem que fazer, eu faço. O pobre Peter já deve estar cansado dessa vida de vinhos raros e paparicos. Urge que ele arrume uma ajudante. Já. E para finalizar a crítica, resta a nos mortais saber que um dos grandes prazeres da vida não custa tão caro. Ler um bom livro. Exatamente como esse.
Gisela Cesario
Crítica: Sem querer puxar a sardinha para a minha brasinha, redatores publicitários podem não ser os melhores escritores do mundo, mas ninguém melhor para fazer um texto falando bem, ou seja, vendendo alguma coisa. E que texto delicioso tem Peter Mayle! Não sei que gosto têm trufas nem 99% dos alimentos e bebidas que ele descreve nos seus livros, mas acho que não quero saber, quero pensar que tudo é tão suculento, suculento mesmo, quanto esse texto tão gostoso.
Se o autor já era ótimo falando de coisas que a gente não sabe se são boas ou não, dá pra imaginar o que acontece quando ele resolve falar de coisas que a gente sabe que são maravilhosas apesar de nunca ter experimentado. Exemplo: passear de limusine em Nova Iorque, sair de jato pela Europa para escolher em que restaurante vai almoçar, fazer sapatos sob medida escolhendo todos os detalhes. Até quem nunca sonhou em ser milionário, se é que essa alma existe, tem vontade de sair correndo para fazer uma fezinha na loto depois de alguns capítulos. Mas não pense que Peter Mayle faz uma ode ao dinheiro e ao materialismo, ele mostra muito bem que nem tudo são flores na vida de um milionário. Pode acontecer, como ele relata, de um milionário pegar seu jornal matinal para ler e descobrir que ele não foi passado corretamente. Está enrugado! E pode acontecer de ser na página favorita dele! Que horror!Usando esse tipo de ironia, na verdade o autor nos mostra a tendência de todo milionário, e de todo mundo que tem mais do que precisa, de fazer imensas tempestades em pequenos copos de água. Atire a primeira colherzinha de prata quem nunca se revoltou com um cafezinho previamente açurado no qual se pretendia colocar adoçante ou nada mesmo. Somos todos uns fúteis bobocas. Só que uns tem mais dinheiro, muito mais dinheiro e por isso podem ser ainda mais fúteis e mais bobocas. Além disso, Peter nos mostra, que esse dinheiro, contrariando o dito popular, pode sim trazer felicidade, basta saber usar. Por isso, Gostos Adquiridos também poderia se chamar Manual do Milionário, para pessoa saber o que fazer com seu dinheiro em vez de ficar só reclamando dos jornais enrugados.
É uma leitura fascinante. Leve. Acompanha um drink na praia ou na piscina ou no sofá mesmo do mesmo jeito que um prato de petiscos, você vai consumindo e quando vê já acabou. Passou saborosamente e você nem sentiu. Assim como seria fácil devorar vários pratos de petiscos com vários drinks, seria fácil fazer o mesmo com vários livros como esse. Que tratam de assuntos tão pulsantes quanto a escolha de uma camisa na alfaitaria mais luxuosa de Londres. O livro tem cada sugestão maravilhosa para um rico indeciso passar seus dias. Provavelmente, você não terá dinheiro pra experimentar nenhuma delas, mas com certeza vai usar sua imaginação pra isso, viu? Ë a literatura fazendo seu cérebro trabalhar, pelo menos até seu cérebro ganhar tanto dinheiro que possa tirar férias.
Claro que se Peter Mayle fosse mulher, como a crítica que vos fala, ele ainda encontraria uma incrível gama de opções nos salões de beleza e spas de relaxamento ( os meus preferidos): maassagens indianas, pedras quentes, scrubs, banhos de cleóprata...ah se eu começar a falar não páro mais. Daria um livro. Quem sabe o editor do Peter Mayle não se interessa? É um trabalho duro, mas, se alguém tem que fazer, eu faço. O pobre Peter já deve estar cansado dessa vida de vinhos raros e paparicos. Urge que ele arrume uma ajudante. Já. E para finalizar a crítica, resta a nos mortais saber que um dos grandes prazeres da vida não custa tão caro. Ler um bom livro. Exatamente como esse.
Gisela Cesario
A guerra dos vegetais - FILME
Sobre o quê: Numa cidade cuja principal atividade é o cultivo de vegetais, acontece todo ano a grande competição para eleger o maior vegetal de todos. Este ano, porém, a competição está ameaçada por um predador desconhecido que destrói as plantanções. Somente o exterminador de predadores e seu fiel cão podem salvar a cidade e a competição.
Crítica: Calma, você não enlouqueceu. Pode também ser que o nome do filme seja a guerra dos legumes, não lembro mais. Mas isso não importa. Legumes, vegetais, resolvi botar críticas, ou melhor, resenhas de filmes, aqui também. Vou estrear com a Guerra dos Legumes, dos Vegetais ou a Revolta, sei lá. Tá achando rídiculo? Então vai assisitir o horário político para ver se você vota sim ou não pelo desarmamento. Pronto, continuando, a Guerra dos Vegetais, vamos chamá-lo assim para não fazer mais confusão, é um filme bem adulto. Darei exemplos ao longo da resenha, mas posso adiantar que fui a pessoa que mais riu no filme. Tudo bem que a platéia do cinema era formada por mim, duas babás e cinco crianças. As crianças não entendiam as piadas, nem era possível, não eram piadas infantis, eram para um adulto bobo ou bem humorado, meu caso. Vou chegar no exemplo: tem uma hora que o cachorro está dirigindo (vejam bem, é um desenho, o cachorro dirige, mas não fala, claro, cachorro não fala!) e, dirigindo, passa por um monte de obstáculos típicos de desenho animado, derruba muros, bate em postes etc, mas, qando o carro pára, o cão está puto ( desculpem mas se eu dissesse com raiva podiam entender que ele estava doente), bom, está puto e dá um soco no volante, aí, só aí, depois de tanto acidente, o air bag explode na cara dele. Nem precisa dizer que só eu ri, as babás não tinham carro e as crianças não sabiam o que era air bag. Tem outros exemplos. Mas não vou entregar de bandeja. Tá bom: só mais um, outra hora o cachorro pega um carrinho de brinquedo, desses que a criança sobe e fica botando moedas para o carrinho funcionar, comum em shoppings. O cachorro pega um carro desses e sai voando, perseguido pelo cachorro adversário, aí a luzinha acende, o carro precisa de mais moedas, os dois cachorros se olham, o adversário procura, procura, procura e finalmente acha uma moeda no bolso (bolso, isso mesmo), dá ao cachorro que está dirigindo e eles continuam a perseguição. Fala aí...Não é um filme adulto?
Antigamente as pessoas adultas iam ao cinema assitir ao novo filme do pato Donald ou tom e jerry, hoje se acha que desenho é coisa de criança. Quem inventou essa imbecilidade? Então quer dizer que Jim Carrey é adulto? Eu acho o pato Donald mais sério. Peraí, eu adoro o Jim Carrey, só que acho mais fácil ele ser infantil que a guerra dos vegetais ou procurando nemo.
Nesses desenhos, há situações que só são engraçadas para adultos mesmo, sátiras de um cotiadiano que não é o cotidiando de uma criança, até porque criança não tem cotidiano, cada dia uma aventura.
Não me incomodei com o barulho que as cinco crianças fizeram na sessao de 15 horas do cinema, achei bonitinho que elas também estivessem gostando do filme. Eles gostavam de uma outra forma, como gostariam de um desenho do he-man. E talvez isso seja o maior encanto. Nem tão adulto como um south park, nem tão criança como um power rangers. Apenas muito do cacete. Muito engraçado.
Não tenha vergonha. Funde um fã cluble, defenda essa idéia. Mas se não der, arraste seu sobrinho e cole um silver tape na boca da gracinha. Ele vai adorar. E você, com certeza, vai adorar mais ainda.
Gisela Cesario
Crítica: Calma, você não enlouqueceu. Pode também ser que o nome do filme seja a guerra dos legumes, não lembro mais. Mas isso não importa. Legumes, vegetais, resolvi botar críticas, ou melhor, resenhas de filmes, aqui também. Vou estrear com a Guerra dos Legumes, dos Vegetais ou a Revolta, sei lá. Tá achando rídiculo? Então vai assisitir o horário político para ver se você vota sim ou não pelo desarmamento. Pronto, continuando, a Guerra dos Vegetais, vamos chamá-lo assim para não fazer mais confusão, é um filme bem adulto. Darei exemplos ao longo da resenha, mas posso adiantar que fui a pessoa que mais riu no filme. Tudo bem que a platéia do cinema era formada por mim, duas babás e cinco crianças. As crianças não entendiam as piadas, nem era possível, não eram piadas infantis, eram para um adulto bobo ou bem humorado, meu caso. Vou chegar no exemplo: tem uma hora que o cachorro está dirigindo (vejam bem, é um desenho, o cachorro dirige, mas não fala, claro, cachorro não fala!) e, dirigindo, passa por um monte de obstáculos típicos de desenho animado, derruba muros, bate em postes etc, mas, qando o carro pára, o cão está puto ( desculpem mas se eu dissesse com raiva podiam entender que ele estava doente), bom, está puto e dá um soco no volante, aí, só aí, depois de tanto acidente, o air bag explode na cara dele. Nem precisa dizer que só eu ri, as babás não tinham carro e as crianças não sabiam o que era air bag. Tem outros exemplos. Mas não vou entregar de bandeja. Tá bom: só mais um, outra hora o cachorro pega um carrinho de brinquedo, desses que a criança sobe e fica botando moedas para o carrinho funcionar, comum em shoppings. O cachorro pega um carro desses e sai voando, perseguido pelo cachorro adversário, aí a luzinha acende, o carro precisa de mais moedas, os dois cachorros se olham, o adversário procura, procura, procura e finalmente acha uma moeda no bolso (bolso, isso mesmo), dá ao cachorro que está dirigindo e eles continuam a perseguição. Fala aí...Não é um filme adulto?
Antigamente as pessoas adultas iam ao cinema assitir ao novo filme do pato Donald ou tom e jerry, hoje se acha que desenho é coisa de criança. Quem inventou essa imbecilidade? Então quer dizer que Jim Carrey é adulto? Eu acho o pato Donald mais sério. Peraí, eu adoro o Jim Carrey, só que acho mais fácil ele ser infantil que a guerra dos vegetais ou procurando nemo.
Nesses desenhos, há situações que só são engraçadas para adultos mesmo, sátiras de um cotiadiano que não é o cotidiando de uma criança, até porque criança não tem cotidiano, cada dia uma aventura.
Não me incomodei com o barulho que as cinco crianças fizeram na sessao de 15 horas do cinema, achei bonitinho que elas também estivessem gostando do filme. Eles gostavam de uma outra forma, como gostariam de um desenho do he-man. E talvez isso seja o maior encanto. Nem tão adulto como um south park, nem tão criança como um power rangers. Apenas muito do cacete. Muito engraçado.
Não tenha vergonha. Funde um fã cluble, defenda essa idéia. Mas se não der, arraste seu sobrinho e cole um silver tape na boca da gracinha. Ele vai adorar. E você, com certeza, vai adorar mais ainda.
Gisela Cesario
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